Volver!

maraca vazio Esse vazio que essa Copa me deixou é terrível. Cadê as divertidas partidas de uma da tarde e cinco (velho horário tão querido por aqui, dinamitado para atender à chamada “grade paulistana”, sabe-se lá o que isso quer dizer). Sim, eu sei, os campeonatos recomeçam hoje, o nosso futebol está de volta. Mas o vazio ficou. Felizmente vai passar daqui a pouco. Não se trata dessa coisa boba de dizer “ah, agora vem a fraqueza dos nossos jogos”. Alguém viu brilho técnico na seleção do Irã (apenas um exemplo)? O que falo é do que cerca o futebol. Agora, ele volta ao que se chama de normalidade. Boa por sinal. Aí está o Vasco em sua luta para voltar do lugar onde jamais pode ficar ausente, preferencialmente trocando de lugar com o mais megalômano. Acontece que os jogos da Copa tiveram um sabor especial porque ela foi aqui. Ainda tenho na memória as imagens vivíssimas do monte de turistas por todo lugar, fazendo aqui do Rio e de boa parte do Brasil o playground do mundo. Um mês de festa, onde nossos profundos problemas sociais foram saudavelmente anestesiados – agora é hora de reencará-los. Alguém vai falar dos argentinos grosseiros, pilantras etc com toda justiça. Mas sem cometer o erro crasso de inferência ao se julgar quarenta milhões de pessoas por duzentas cabeças. A festa agora é outra. Quem sabe, a passos lentos, reconstruir o desabado futebol brasileiro – que ainda pode e brilha em gramados, o que falo é fora das quatro linhas, os bastidores vis da ganância e das grandes corporações em torno do jogo da bola. Jogos nove da noite, dez da noite, sábado à noite. Bola para frente. Claro que a Copa vai deixar saudade e não sei se conseguirei ver outra por aqui. Certo mesmo é que, mesmo a duras penas, o nosso calendário recomeça. E com ele, uma das coisas mais legais que o futebol pode proporcionar: aquela coisa de morrer na quarta-feira e ressuscitar no domingo. É o que vivem os vascaínos, tricolores, corinthianos, americanos, todos os que gostam dessa paixão ilimitada e a seguem de forma ininterrupta. De certa forma, o cenário muda: saem de cena os deslumbrados de ocasião, retornam os fiéis de sempre. Saudades de um clássico lotado no Maraca, do mesmo jeito que foram as partidas aqui sediadas no Rio. Ainda temos tempo de refazer as coisas.  Pelo menos nós, que não nos rendemos às manchetes de cinquenta centavos. @pauloandel