A violência, de Joinville a Macaé

O Campeonato Carioca começa com mais um episódio gravíssimo fora das quatro linhas. Ontem, em Macaé, antes da partida entre o time da casa e o Flamengo, torcedores do Flamengo – cerca de cem pessoas, segundo alguns relatos – invadiram o vestiário adversário e agrediram jogadores e comissão técnica. Ricardo Berna, ex-Fluminense, goleiro titular do time, jogou com um esparadrapo no queixo e disse com todas as letras que sua vida esteve em risco.

Ano passado a instituição Vasco da Gama e os seus torcedores – nós – sofremos um massacre da mídia por causa de uma partida realizada num estádio sem qualquer condição de segurança. Nosso então patrocinador – Nissan – nos abandonou dizendo não compactuar com a violência de nossa torcida. Jogamos partidas com portões fechados. Perdemos dez mandos de campo. Fomos privados de ver nosso time em campo por uma confusão inadmissível, embora não originada por nossa torcida.

Durante meses, o noticiário esportivo sobre o Vasco era enriquecido com as imagens de violência de Joinville. Pagamos um preço altíssimo por um episódio de violência.

Os acontecimentos de ontem extrapolam em muito o ocorrido na rodada final do Brasileiro de 2013. Invasão de vestiário. Agressão a jogadores.

E ai, Federação? E ai, senhor Procurador Paulo Schmitt? Estes fatos serão varridos pra debaixo do tapete? Só porque não há imagens do ocorrido?

A gravidade do assunto é total. Não punir clube e responsáveis é encurtar o pavio de uma bomba relógio que vai explodir nas nossas mãos. Vasco X Flamengo e Vasco X Fluminense, partidas normalmente já quentes, têm ingredientes para serem verdadeiras batalhas campais.

Vai morrer gente.

O principal estímulo à violência e à roubalheira que grassam em nossa sociedade é a impunidade. Leis existem, mas não são cumpridas. Os piores bandidos saem pra rua com um sexto da pena cumprida.

E o problema no futebol, ao contrário do que dizem, não é a torcida organizada. São os bandidos que existem nas torcidas. Organizados ou não. Uma meia-dúzia. Sempre os mesmos.

A Inglaterra resolveu esse problema há três décadas. Em horários de jogos, os torcedores punidos se apresentam horas antes numa delegacia de polícia e lá ficam até o final das partidas. Se o cidadão resolver não se apresentar, vai em cana. Regime fechado. Simples assim.

No Brasil, os mesmos torcedores se envolvem em sucessivas confusões em estádios e vão continuar a fazê-lo até que o verdadeiramente pior aconteça. Os sinais estão todos ai.

Ontem um enorme passo atrás foi dado. Aguardemos os próximos acontecimentos.

E que Deus nos ajude e nos proteja.