Vergonha e união.

Eu não sei vocês, mas eu tenho uma enorme vergonha da atual situação do Vasco da Gama. Não. Não estou me referindo ao nosso atual purgatório na série B do campeonato brasileiro (onde, aliás, merecidamente estamos – mas em campo parece que as coisas finalmente vão se encaminhando para a nossa volta). Refiro-me a atual situação política do clube.

É a ameaça de volta a um passado retrógrado, a um tempo em que a ditadura imperava no clube que carrega em seu DNA a característica da democracia. Uma volta em que não interessavam os meios, mas apenas os fins. A um tempo quando falávamos exatamente como fala o nosso maior rival: roubado é mais gostoso.

É a ameaça de manutenção de um grupo que roubou a esperança de milhares de vascaínos há seis anos quando se apresentou como a antítese à situação descrita no parágrafo acima, mas que no fim de dois mandatos, conseguiu as proezas de piorar o que já estava ruim, além de fazer alguns vascaínos menos esclarecidos terem saudades de um “messias”.

É o medo de repetir o mesmo erro ou algo semelhante, apostando em alguém de quem até bem pouco tempo nunca tínhamos ouvido falar, pendurado no apoio de um ídolo (de novo?!?). Portador de ideias até certo ponto inovadoras… Mas é impossível não comparar à situação atual de nosso maior rival, cuja atual diretoria tinha discurso e características bem semelhantes a essa candidatura.

Vou me ater a estas que me parecem ser as principais concorrentes no pleito majoritário do Vasco. Qual escolher?

Conheço vascaínos com caráter e índole inquestionáveis que defendem cada uma das três candidaturas que citei, mas sinceramente? Meu voto será muito mais por eliminação do que por uma escolha consciente.

A que ponto chegamos? Episódios como os ocorridos nas últimas semanas com liminares para lá e para cá, sócios sem saber se deveriam ir ou não votar e, sobretudo, ontem, na Sede Náutica, na reunião do Conselho Deliberativo, me envergonham e me fazem, por breves momentos, é verdade, questionar se vale a pena toda essa preocupação. Todo esse envolvimento meu e de milhares de vascaínos.

Já fui por diversas vezes chamado a participar mais ativamente da vida política do clube, mas a todos esses convites eu respondi a mesma coisa: não, obrigado – eu sou e sempre serei apenas torcedor.

Gostaria muito que esse espírito invadisse os três principais candidatos e, quem sabe, que eles promovessem uma união improvável, mas que seria muito salutar ao clube. Algo como fez o maior Presidente que tivemos, quando nos anos 80, Antônio Soares Calçada ao vencer a eleição uniu o clube ao chamar o candidato derrotado Eurico Miranda para o ser o seu VP de Futebol, a partir do qual partimos para as maiores conquistas de nossa história.

Ainda tenho um fiapo de esperança…

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Fico imaginando o que pensaria um vascaíno que por algum motivo tenha conseguido ver apenas o segundo tempo do nosso último jogo contra o Náutico na última terça-feira…

Foi isso mesmo que aconteceu? Conseguimos a “proeza” de tomarmos sufoco de um time horroroso, que deve estar caindo pela tabela da série B e ainda com uma boa parte do segundo tempo com um jogador a menos?

Ganhamos com um gol de sorte, e mais sorte ainda tivemos de não voltarmos de Pernambuco derrotados!

Vi o jogo do Ceará contra o Internacional, atual vice-líder da série A. O Inter não viu a cor da bola!

Temo pelo que poderá acontecer em São Januário no próximo sábado…

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Volto do trabalho nessa quinta-feira fria e chuvosa aqui no Rio de Janeiro e encontro o meu amigo tricolor Felipe. Cabisbaixo, com os ombros caídos… Algo difícil de ver nele ultimamente.

Ao me ver, conseguiu apenas balbuciar as seguintes palavras:

– Anotou a placa…? Só deu para ver que era branco e vermelho…

Preferi não provocar.

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Não posso deixar de reder nesse pequeno espaço as minhas enormes e eternas homenagens à vascaína mais linda que conheço.

Hoje, dia 15/08/2014, minha esposa Daniele Abreu, vascaína desde o útero de sua também vascaína mãe, completa 40 anos!!!

Muitas felicidades, saúde e que o nosso Vasco te dê de presente a esperança de dias melhores.