Vasco no universo inteiro!

Eu tinha um “saudável” costume de toda sexta-feira, depois dos seis tempos inteiros preenchidos por aulas e mais aulas de toda sorte de disciplinas de matemática (sim: minha segunda faculdade foi Licenciatura em Matemática), relaxar com a turma da UERJ ali pelos barezinhos de Vila Isabel. Numas destas sextas-feiras, a conversa que girava em torno do futebol, descambou para a seguinte pergunta: na Europa, qual é o seu time?

Muitos dos colegas respondendo com nomes dos grandes clubes europeus como Barcelona, Manchester United, Bayer, etc. Até que chega a vez de o Robertinho responder…

Robertinho, vascaíno de Portugal, como ele mesmo se autodenominava (apesar de ser brasileiro), era um fanático irmão vascaíno que eu tinha nessa época. Ele era daqueles vascaínos que carregava o ódio ao rival rubro-negro e o desprezo pelos demais rivais cariocas ao pé da letra. Para ele, todos os árbitros só roubavam o Vasco. Toda a mídia era contra o Vasco. Era Deus no céu e Edmundo na Terra!

Todo mundo esperando que ele mandasse um Benfica ou Porto, times grandes de Portugal… E ele mandou “na lata”: “Na Europa? Eu sou Vasco! Se fosse nos Estados Unidos, eu também responderia a mesma coisa. Aliás, no mundo inteiro… Ou melhor, no universo inteiro eu só tenho um time: Vasco da Gama!”

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Lembrei-me dessa historinha que ocorreu nos saudosos anos 90 porque há alguns dias durante um bate-papo informal com amigos torcedores dos rivais, eu aproveitei o exemplo do Robertinho e respondi da mesma forma.

E a partir dessa discussão, comentávamos a falta de identidade de nossa atual Seleção Brasileira. Lembro-me bem de como era gostoso ver jogadores do Vasco na Seleção. Como era legal torcer por um selecionado de jogadores que acompanhávamos de bem perto nos nossos campeonatos estaduais e brasileiros.

Ok, ok… Hoje a TV e a internet, de certa forma, também nos permitem acompanhar quase todos os jogadores do atual selecionado brasileiro. Mas numa boa: você sabia quem era Hulk (o jogador e não o super-herói da Marvel…) até que o Felipão o começasse a convocar? E o Willian? E o Fernandinho? E o tal Maxwell que, para meu espanto, se declarou vascaíno?

Além disso, para nós vascaínos, é muito triste constatar que dos 23 convocados para a Copa do Mundo, nenhum deles foi formado no Vasco. Nenhum deles sequer jogou no Vasco.

Confesso que a Seleção Brasileira aos poucos, pelo menos para mim, foi perdendo o encanto e de 1994 para cá, se transformou em um… digamos… Botafogo. Por que? Ora… Não fede e nem cheira… Completamente indiferente.

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No Sábado, o Vasco conseguiu completar a proeza de empatar a quarta partida seguida na série B. Num jogo de baixíssimo nível, em que fizemos um gol num jogada improvável e tomamos outro com uma facilidade tão grande que juro que na hora eu achei que a jogada tivesse parado por algum motivo…

Na terça finalmente ganhamos do “poderosíssimo” Boa Esporte, num jogo em que jogamos bem nos 10-12 minutos iniciais, mas passamos o primeiro tempo inteiro sem acertar o gol adversário e, pasmem, o nosso goleiro nos salvou de mais um empate! Mas o pior de tudo foi ouvir a torcida local do Vasco gritar “olé”… Sério?!?!? Contra o Boa??!?!?

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Na terça-feira à noite, vendo o jogo ao meu lado e lutando contra o sono de quem acorda cedo para ir para escola, minha filhota mandou mais uma…

Em determinado momento, do alto de sua sabedoria futebolística de nove anos “de praia”, ela manda: “Pai, o Vasco está precisando de reforços. Alguém tipo o Ronaldinho Gaúcho… Mas ele não daria certo… Ele começou jogando no Flamengo…”

Achando graça de sua “análise técnica”, tentei esclarecer: “Filha, o Ronaldinho Gaúcho começou sua carreira no Grêmio, e ele…”

Ao que ela emendou de primeira sem deixar eu acabar de comentar: “Ah! Então ele é “gremoso”! Pode vir para Vasco sem problemas.”

Desisti de argumentar…