Você ama o Vasco ou gosta é de ganhar?

Que situação.

Chegamos à última rodada do Campeonato da Série B em um inacreditável quarto lugar, com dois pontos de vantagem sobre o quinto colocado. Vamos jogar contra o Ceará, que não tem mais pretensão alguma, e uma vitória simples basta para que o ano termine em paz.

No entanto, estamos todos apavorados, porque o time está completamente perdido. A atuação frente ao Criciúma foi deprimente. Se já não tínhamos mais tempo para nenhuma correção de rumos quatro rodadas atrás, agora então é que não há mais o que fazer. Vamos pra campo sem Luan (graças ao bom Deus, pois este tem cumprido atuações patéticas há tempos, vivendo só do nome) e sem Pikachu, o que nos condena a aturar Madson.

Enfim, nas horas que se seguem a um resultado patético como o deste sábado, a gente lê de um tudo nas redes sociais e ouve toda a sorte de lamentos e reclamações. Peguei alguns trechos de posts de alguns grupos que frequento e, com alguma calma, gostaria de esclarecer alguns pontos.

“Qual é a motivação que o vascaíno terá de ir a São Januário no próximo sábado? Qual é a motivação que o vascaíno terá pra torcer no próximo sábado?”

Essa é uma reflexão que transcende o Vasco e o vascaíno, e sobre a qual converso quase sempre com o Andel, tricolor que escreve por aqui. O brasileiro gosta de futebol ou gosta de ganhar? O vascaíno ama o Vasco ou ama ver o Vasco ganhar? Estamos numa fase terrível, servindo de chacota para os adversários e com um bando de desfibrados em campo. Mas infelizmente é o que temos para o momento. Não temos como trocar o que está ali. É com eles que vamos. Temos noventa minutos para conseguirmos uma vitória e a volta para a 1a divisão ou mais um ano no limbo. Sabemos que torcida faz diferença. São Januário tem de estar lotado no sábado por, sei lá, 20 mil vascaínos urrando os noventa minutos a favor do Vasco. Do Vasco, não do time. Não do Madson, não do Diguinho, não do Thalles. Do Vasco! É por ele que a gente torce.

Já pensaram ficar 86 anos, 108 anos sem um único título? Pois é. Isso se passou com o Boston Red Sox (1918 – 2004) e o Chicago Cubs (1908 – 2016), que acabou de vencer o título do baseball deste ano nos Estados Unidos.

E ai eu pergunto: qual a motivação que teve um torcedor destes dois times para não abandoná-los? Vocês acham que os estádios estavam lotados ou vazios durante essa eternidade de fiascos e derrotas? Ambos passaram por épocas terríveis, administrações trágicas como a que temos hoje. Mas a torcida nunca os abandonou.

Então: você é torcedor do Vasco ou só quer saber do Vasco quando o Vasco ganha? Esta pergunta não esconde nenhuma provocação, mas sim visa uma reflexão. Você realmente ama o Vasco? Ou ama mais as vitórias?

“Sem querer ser pessimista, mas não vejo esse time com condições psicológicas de ganhar na próxima rodada ainda mais com um estádio lotado!”

Nenhum jogador, por mais pereba que seja, vai ficar intimidado se São Januário lotado torcer pelo Vasco por noventa minutos. Se isso acontecer, a arquibancada pode sim ser a força que falta para este bando conseguir a vitória que precisa para que o time se salve. Mas se da arquibancada vierem vaias e xingamentos ao invés de apoio, ai sim, estaremos certamente condenados à permanência na Série B.

Vivo criticando Julio Brant pelas mais variadas razões. Nessa ocasião, faço minhas as suas palavras:

“Nesse momento é importante que toda torcida compareça ao estádio para apoiar o Vasco. Não um dirigente ou jogador, mas o Vasco. É hora de cantar, e não vaiar. De festa, e não protesto. De amor, e não dor. Trocamos de tudo nessa vida, menos de time. Vamos mostrar que a torcida é o Vasco, e o Vasco sua torcida. Somos um só. #sempreaoladodovasco”.

É isso. Se você resolver ir a São Januário, vá para empurrar e apoiar. Mas se você acha que não consegue, que as maluquices do Madson são além do que você possa suportar, e você vai mandá-lo para aquele lugar com cinco minutos de jogo, por favor, fique em casa, bem longe de São Januário. Porque o Vasco, neste momento, não precisa de você.

E é o Vasco que precisa de sua ajuda. Não é o Eurico, o Madson, o Diguinho, o Thalles, o Nenê. É o Vasco.

“A culpa é do Eurico.”
“A culpa é da torcida, que não vai ao jogo.”

O brasileiro adora culpar alguém por tudo. E é claro que existem milhares de razões e uma meia dúzia (se isso) de culpados pelo que estamos vivendo. Mas a hora não é de se discutir isso. Falta uma única semana para esse martírio acabar. Não há mais tempo para nenhuma intervenção. Exceto a nossa torcida, o nosso apoio. Mas é impressionante como as pessoas não conseguem esperar o momento correto de descarregar suas frustrações. Para alguns, é mais importante aproveitar o momento político, até para poder falar igual à lambreta do desenho animado: “eu te disse! eu te disse!”.

E dane-se o Vasco.

É nessas horas, de crise, de caos, que se vê quem é quem. Como se comportam as pessoas diante de um cenário (totalmente) adverso. Quem são os oportunistas. Os que parecem gostar das derrotas, aqueles mensageiros do apocalipse que só se manifestam quando o time perde. Gente que não parece gostar do Vasco. Que não comemora as vitórias mas aproveita cada derrota para fazer sua campanha política.

O que não vêem é que essa atitude só semeia a discórdia, porque tais postagens, em muitas ocasiões, não se limitam a atacar o alvo, mas distribuem agressões e ofensas aos eleitores, sem ter em conta a razão pela qual as pessoas fizeram tal escolha.

Isso só semeia ódios e divisão.
E isso é o que Vasco não precisa hoje.