Vasco – Há 116 anos…

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Era fim do século XIX no Brasil, e na então capital da jovem república – proclamada quase nove anos antes, o esporte mais popular era o remo. Disputado nessa época em regatas na Baía da Guanabara há registros históricos que tal esporte já era praticado em águas cariocas desde a ocupação francesa no século XVI.

No Rio de Janeiro a presença lusa era uma constante. Fruto da instabilidade política e econômica de Portugal e do incentivo que a chamada “Lei de Terras” de 1850, que mudou a forma de acesso às terras agrárias do Brasil, a imigração portuguesa na segunda metade do século XIX acabou por fixar os imigrantes nas cidades e não no campo como queria à época o Império Brasileiro. O espírito empreendedor do povo português o fez fixar-se nas localidades onde enxergava mais oportunidades que no campo, onde se pretendia simplesmente que substituíssem a mão de obra escrava.

Quatro jovens, descendentes destes portugueses imigrantes, chamados Henrique Ferreira Monteiro, Luís Antônio Rodrigues, José Alexandre de Avelar Rodrigues e Manuel Teixeira de Sousa Júnior, gostavam de se reunir todos os finais de semana, no Clube de Regatas Gragoatá, em Niterói, para a prática do remo. Cansados de terem que viajar todo o fim de semana para praticarem seu esporte preferido, reunidos na casa de um deles, na Rua Teófilo Otoni 90, no Centro do Rio de Janeiro, surgiu a ideia da fundação de um clube de regatas.

Logo apareceram adeptos à ideia, principalmente entre a comunidade portuguesa da cidade, e uma semana depois, no dia 21 de agosto de 1898, numa nova reunião, dessa vez com a presença de 62 praticantes do remo (quase todos portugueses ou descendentes de portugueses), inspirados nas comemorações do IV centenário da Descoberta do Caminho Marítimo das Índias, decidiram fundar o Club de Regatas Vasco da Gama. A reunião foi presidida por Gaspar de Castro e foi realizada numa sala da Sociedade Dramática Filhos de Talma, na Rua da Saúde 293, no bairro da Saúde, cidade do Rio de Janeiro.

A ata de fundação registra: “Aos 21 dias do mês de Agosto de 1898, as 2:30 horas da tarde, reunidos na sala do prédio da Rua da Saúde numero 293 os senhores constantes do livro de presenças, assumiu a presidência o Sr. Gaspar de Castro e depois de convidar para ocuparem as cadeiras de secretários os senhores Virgílio Carvalho do Amaral como 1o. e Henrique Ferreira como 2o., declarou que a presente reunião tinha o fito de fundar-se nesta Capital da Republica dos Estados Unidos do Brasil, uma associação com o titulo de Club de Regatas Vasco da Gama…”.

Era fundada nesse momento uma das maiores agremiações multidesportivas do mundo! Era fundado nesse momento, ainda somente para a prática do remo, um GIGANTE do futebol mundial! Embrenhados pelo gosto da mistura, tão típico do povo português, criaram um clube aberto a todos, sem barreiras de raça, credo, origem ou condição social, sob o pavilhão negro que representava os mares obscuros navegados pelas caravelas portuguesas nos séculos XV e XVI, com uma faixa em diagonal branca representando o caminho marítimo das Índias, a mesma faixa que simboliza o estandarte que Vasco da Gama recebeu de D. Manuel, o Venturoso, com a Cruz de Cristo ao centro, que guiou os portugueses a mares nunca dantes navegados.

Há 116 anos nascemos pelo sonho de quatro luso-brasileiros que fundaram um clube aberto a todos que queriam praticar o remo, impregnado pela democracia e pelo gosto à mistura. Nascemos para o remo, mas nos tornamos GIGANTES no futebol onde demos tantas e tantas lições aos nossos rivais quer dentro dos campos, quer fora deles. Ensinamos a eles que o futebol era sim um esporte a ser praticado por qualquer pessoa que se dispusesse a correr atrás da bola. Que a glória não está na vitória a qualquer custo, mas sim na disputa leal e na manutenção de seus princípios.

CASACA! CASACA! CASACA-SACA-SACA! A TURMA! É BOA! É MESMO DA FUZARCA! VASCO! VASCO! VASCO!!!!