Vasco 0 x 0 Flamengo, 12/04/2015

A partida de ontem entre Vasco X Flamengo pode ser resumida num lance, ocorrido aos dez minutos de jogo. Nele, o atleta Jonas, o “Schweinsteiger da Gávea” entrou com a sola da chuteira no ombro e rosto de Gilberto, do Vasco. Sem medo de exageros, poderia ter encerrado a carreira do colega de profissão se atingisse a vista – passou perto – ou mesmo o pescoço do vascaíno. Dada a violência absurda do lance, as consequências poderiam ter sido terríveis. Pior do que o lance em si, o jogador, ciente do que havia feito, sequer se aproximou do adversário caído para pedir desculpas ou exibir qualquer arrependimento pela entrada criminosa que deu. Nos meus tempos de Maracanã, podem contar ai uns 35 anos, nunca vi nada parecido. A solada de Jandir na coxa de Mauricinho no fim dos anos 80 pareceu brincadeira de criança.

Luxemburgo rapidamente tirou o facínora de campo. E o Flamengo continuou a bater. Cirino deu outra entrada criminosa em Guiñazu. Paulinho cotovelada em Dagoberto. Chuva de amarelos. Sua excelência esqueceu o cartão vermelho no vestiário.

Paulo Vitor, goleiro do Flamengo foi o melhor em campo. O Vasco tentou. Jogou bola. Levou lá seus sustos, mas foi consistentemente melhor que o adversário o jogo inteiro.

Findo o jogo, o time do Flamengo inteiro cerca o árbitro para reclamar, em vez de agradecer. Aliás, esse é o ponto mais irritante de qualquer jogo do Flamengo que se assista: Não há uma única marcação da arbitragem que não seja contestada. Juiz e bandeiras são constantemente pressionados, xingados. Parece uma reação treinada. É e não é.

Certamente passa pela cabeça dos jogadores o conceito, amplamente difundido, de que “aqui é Flamengo” e que, por isso, as coisas têm de ser diferentes quando se trata do “mais querido”. Imaginem se Guiñazu fosse o autor do crime de ontem? Seria imediatamente expulso, passaria a noite na delegacia, certamente estaria hoje ameaçado de suspensão de um a três anos. É esse mesmo conceito que motiva o senhor Bandeira de Melo a vociferar contra a arbitragem do jogo. Chefe de uma nação auto-instituída, ignorando o que até o concreto do Maracanã viu, tem a cara de pau de reclamar da arbitragem.

Anos e anos de errinhos. Todos para o mesmo lado. Tudo uma enorme coincidência. E o senhor Bandeira de Melo protestando. Leiam esta reportagem, da ESPN, sobre a arbitragem entre Vasco e Flamengo…

Podemos ganhar domingo? Podemos. Mas vamos ter de ganhar de 14, pra variar. A saída dessa sequência de erros de arbitragem terá de ser em um momento grande, mágico. E essa hora está chegando. Pode ser que não aconteça domingo, mas acontecerá em muito breve. Não há mal que perdure pra sempre.

Algumas perguntinhas que me vêm à mente:

Juninho Pernambucano, meus sentimentos. A semana não foi fácil pra você. Ainda assim preciso lhe perguntar se você retirará a indicação e os rasgados elogios que fez ao Jonas, o indicando para contratação pelo Lyon.

Senhor Fred, o senhor ainda acredita, depois de ter visto a arbitragem de ontem, que Eurico e Rubinho estão mancomunados para roubar o título carioca deste ano? O senhor acha mesmo que ao ser expulso, coincidentemente contra o adversário do Vasco no jogo de ontem, que o beneficiado era o Vasco do Eurico? Que tal rever seus conceitos?

Por último, o ponto mais complicado. Todo mundo sabe que eu escrevo no Panorama Tricolor, assim como o Andel, tricolor, escreve por aqui. Por lá, já há algum tempo, eles cunharam dois termos – tricoleba e flubabaca – para apelidar aqueles torcedores de radinho de pilha – hoje pay-per-view – que só aparecem quando das derrotas acachapantes, dos momentos ruins, pra dizer: Eu te disse! Eu te disse!

Infelizmente, faço pela 1a vez uso aqui do termo vasbabaca. Empatamos com o Flamengo jogando melhor, jogando na bola, contra erro da arbitragem. O time, se não é uma maravilha, se comporta dignamente. Joga com raça. Honra a Cruz de Malta que tem no peito. Mas para estes frustrados, que não sabem conviver com a derrota, era preciso mais. “O respeito voltou”, arrotam estes, bêbados de frustração.

Prezados vasbabacas, eu não sou euriquista. Mas é ele que está liderando a nau. Então, por favor, esqueçam seus interesses políticos, esqueçam suas invejinhas, parem de tentar aparecer e percebam que o Vasco precisa do seu apoio e não de suas bravatas ridículas.

Grato. Agora, que o bando que será posto em campo na 4a feira ganhe do poderoso Rio Branco.