Var pro inferno!

Não vou ficar aqui chovendo no molhado e listando as incontáveis vezes em que fomos prejudicados pela arbitragem nos últimos anos. Por conta disso, uma boa parte de nossa torcida apóia a ideia do var, afirmando que esse recurso impediria muitos dos roubos escandalosos que sofremos, que se está fazendo justiça no futebol, que “roubado não é mais gostoso” etc.

As últimas partidas – Athletico Paranaense x Flamengo e Grêmio x Vasco da Gama – serviram para acender a luz amarela para muitos que pensam assim. Nelas, lances capitais da partidas foram ou solenemente ignorados ou invertidos graças à atuação descabida do VAR.

Não consegui assistir à partida do Vasco no sábado, pois estava no meio do mato, sem sinal ou tv. Assisti à vergonha da quarta anterior, o “primeiro milagre de Jesus”, quando o Flamengo, goleado por 4×1 em campo, teve três gols anulados, goleiro pegando bola um metro fora da linha da grande área (aos nove minutos de jogo – o que seria a expulsão do goleiro) e pênalti desmarcado após a criação de uma falta nos moldes da marcada contra Rossi no gol anulado de Pikachu.

Este último lance, do pênalti, causou a paralisação do jogo por sete intermináveis minutos, tempo gasto pelo maçaranduba juiz Daronco para fabricar a solução para o problema do pênalti escandaloso que teria de marcar contra o mais protegido.

Tão perniciosa quanto estas eternidades de paralisação, foi a transformação dos bandeirinhas em meras figuras decorativas, pois estes não marcam mais nenhuma jogada duvidosa, já que o maldito VAR está ali para validar ou não o lance. Num dos gols anulados do Athletico Paranaense contra o Flamengo, houve inacreditáveis três lances seguidos de impedimento claro, com quase um minuto de intervalo, no qual a bola foi lançada três vezes em profundidade para os atacantes. O bandeira assistiu a tudo, como qualquer torcedor no estádio. Só depois de todo o lance desenrolar-se e a bola parar no fundo do gol, sua excelência levantou seu instrumento.

Essa passividade dos auxiliares piorou e muito o fator VAR, pois os bandeiras estão tirando o pescoço deles da reta (seja por orientação superior ou não) e deixando lances estapafúrdios seguirem adiante confiantes de que o VAR vai resolver. Isso diretamente acarreta numa multiplicação dos momentos de avaliação pelo VAR, pois toda jogada de gol é checada, já que os bandeiras não mais cumprem seu papel – e num sem fim de interrupções.

Na prática, o que passou a acontecer foi que o juiz, que antes tinha como arma o apito para realizar seus intentos, lisos ou não, tem uma segunda arma, muito mais subjetiva, em suas mãos. Os grandes roubos que sofremos foram decisões tomadas  (ou realizadas!) num instante de um jogo. Essas últimas partidas nos mostraram intervenções calculadas, nas quais o juiz teve todo o tempo do mundo para criar uma história que validasse sua decisão.

Qualquer córner é (sempre foi, por todos os séculos) um festival de puxões, abraços e trancos. Com o var, periga transformarmos o escanteio numa espécie de balé, pois qualquer toque pode ser premiado com um pênalti. Basta ver a quantidade de pênaltis que tivemos no mundial feminino e na Copa América.

Basta que o juiz, ou seu auxiliar do VAR, desejem.

E se eles já desejavam antes, por que vão mudar agora?