Vamos de Eurico e não de estádio novo

Acabou, enfim. Deu Eurico.

Gostei? Não. Mas não adianta tirar as calças pela cabeça, como dizia um tia velha. É de Eurico que nós vamos. Então bora trabalhar e fazer o Vasco andar pra frente.

Me cabe, no entanto, falar sobre o que vi e vivi nesse período eleitoral e que não detalhei aqui antes por não achar oportuno. Vou fazê-lo em alguns textos. São observações minhas. Ninguém me contou.

E de tudo o que vi, o que mais me preocupou foi o Projeto da reforma de São Januário, surpreendentemente mostrado por um escritório de arquitetura na convenção final de Julio Brant. Aquilo me deixou de cabelo em pé. Até porque não era uma reforma, e sim um estádio novo. Mudança maior do que a do Maracanã, pois nada permaneceria como era.

Não sou arquiteto. Longe disso. Sou frequentador de estádios de futebol. Sou – quando possível – frequentador de São Januário. E o que vi me assustou. E muito.

Para mim, um leigo completo no assunto, o projeto transformaria São Januário em mais um desses muitos caixotes existentes mundo afora. A cunha de São Januário seria transformada num quadrado, sem qualquer charme.

Mas por que o projeto em questão seria adotado? Qual a razão da escolha do escritório – de um flamenguista, por sinal?

O escritório doou o projeto para o Vasco.

Um estádio de futebol não é um banheiro que você quebra, troca a privada de lugar, bota uma banheira e, semanas depois de pronto, percebe que fez merda e vai ter de refazer. Aquilo é um estádio de futebol. O projeto de um novo estádio é, portanto, algo que vai influir na vida do clube pela próxima geração inteira. Ou seja, é algo quase definitivo na história do clube.

E que seria entregue para este escritório de arquitetura por causa da gratuidade do projeto. Quem estaria ajudando a quem? O escritório de arquitetura, ao nos doar horas e horas de trabalho gratuito para a criação do novo estádio? Ou o Vasco, servindo de portifolio para o escritório de arquitetura? Você, sendo arquiteto: gostaria de projetar um estádio? Tem oportunidades por ai dando sopa para construir estádios? Não, né?

Na minha cabeça é inacreditável que algo tão definitivo para a existência de um clube seja definido por essa única razão. E eu acho que a reação coletiva na convenção quando o projeto foi exibido foi prova disso. Fez se um silêncio e demorou até que os aplausos surgissem. Ninguém olhou pro que foi apresentado e falou: Caramba! Do cacete! São Januário vai ficar maravilhoso.

No entanto, caso eleito ontem, era bem possível que tal projeto saísse do papel. E São Januário, como o conhecemos, deixasse de existir. Por um projeto gratuito.

Junto essa história ai de cima com o fato do presidente ser egresso da Andrade Gutierrez e Odebrecht e minha teoria da conspiração ferve.

Não sou nem nunca fui eleitor de Eurico. Mas vi vascaínos abraçando a causa da oposição sem qualquer senso crítico, como se tudo o que dali fosse sair fosse maravilhoso para o Vasco. Na minha opinião não era. Por esse e outros motivos.

Agora, preparemo-nos pra continuar a fiscalizar o andamento das coisas no Vasco. É de Eurico que a gente vai.

Que Deus nos ajude.