Um vexame anunciado

Quando foi divulgada a tabela do Brasileirão Série A e a primeira rodada apontava que estrearíamos logo contra o atual campeão Palmeiras, perguntou-se: com o Vasco tendo acabado de levar uma chinelada de 3 do Fluminense e sendo eliminado da final do estadual, veio o choque de realidade: não tínhamos um time. E pelo visto continuamos a não ter. Com três semanas sem nenhuma competição, o Vasco treinou, treinou e…treinou. E MM dizia que viu vídeos do Palmeiras para tentar explorar os pontos fracos do adversário e tentar arrancar pelo menos um empate. Mas, pelo visto Cuca o enganou direitinho….ou não.

A verdade é que caros leitores, a não ser entre os 10 e 35 minutos do primeiro tempo, em que criamos algumas boas chances e perdemos três gols feitos, o Palmeiras jogou como quis e ganhou quando quis. E 4 a 0 foi pouco. Só para se ter uma ideia, com 4 minutos, depois de uma marcação por pressão na saída de bola adversária, característica inata do Palmeiras de Cuca, Jomar entra de forma atabalhoada em Dudu e comete um pênalti mais idiota do que o Mr Bean. Resultado: Jean cobra com força, Martin Silva ainda toca na bola, mas não deu: Palmeiras 1 a 0 nos primeiros 5 minutos. E se com 0 a 0 contra o Palmeiras em 5 minutos já é difícil, imagine com 1 a 0 contra. Mesmo assim, a partir dos 10 minutos, o Palmeiras dá uma relaxada típica de time muito superior e o Vasco aperta a marcação e melhora na partida. Tanto que aos 7 minutos, boa jogada de Douglas Luiz, que toca para Mateus Vital que chuta colocado para a primeira boa defesa da partida, de Fernando Prass. Em outra jogada, Douglas rola para Nenê livre, chutar por cima do gol de Fernando Prass. Aos 25 minutos, novamente Douglas chuta do meio da rua, e Fernando Prass faz uma defesa meio esquisita em que a bola bate no seu braço e vai para lateral. Só que a máxima de quem não faz toma, acaba ocorrendo aqui: três chances perdidas e em um contra-ataque fulminante, Jean chuta forte; Martin Silva defende parcialmente e a bola sobra livre para Guerra: Palmeiras 2 a 0. Em seguida aos 41 minutos, Douglas Luiz faz um lançamento primoroso para Yago Pikachu que passa nas costas de Zé Roberto e chuta livre em cima de Fernando Prass. E aos 43, saída errada de bola entre Jean e Fernando Prass e Douglas entra sozinho, toca por cima de Fernando Prass e a bola bate caprichosamente no travessão. Seria um gol antológico, mas….não entrou. E assim, findou-se o primeiro tempo.

Começa o segundo tempo. E aos 48 segundos, jogada pela direita de Tchê Tchê e cruzamento na cabeça de Borja que subiu mais do que Jomar e só teve o trabalho de empurrar a bola para a rede: 3 a 0 Verdão. Com 3 a 0 no placar, o atônito MM resolve fazer algumas alterações, dentre elas a estreia de Paulo Vítor, artilheiro da base em 2017. Kelvin e Bruno Gallo também entram, mas não alteram o panorama de jogo. E para completar o vexame anunciado, em outra jogada pela direita, Dudu dá um drible seco em Jomar, que o derruba com o joelho: mais um pênalti. E Borja cobra com segurança; bola de um lado, goleiro do outro. Palmeiras 4 a 0 e o show está concluido. Na verdade, um pouco antes do quarto gol, Dudu havia perdido duas chances claras de gol, em jogadas pelo lado esquerdo de ataque, passando como queria por Gilberto e Rafael Marques. Dudu, que mesmo não fazendo seu gol, foi o melhor em campo. Pelo Vasco, Douglas foi o único que tentou minimizar o desastre de hoje. Mas uma andorinha não faz verão. Uma parte da torcida já pede a demissão de MM, mas o que ele pode fazer com o elenco que tem em mãos ? É a mesma coisa que tentar fazer um bêbado contumaz virar um sóbrio filósofo de botequim. Com este elenco, é dificil de acreditar em algo que não seja permanecer na Série A. Para isso, teremos que lutar bastante. É louvável a atitude de MM dar chance à base. Assim fez Abel, que colocou alguns jogadores da base, mesclou com alguns contratados que lá estavam e montou um time competitivo para o Fluminense. Mas o trabalho de base tricolor tem uma metodologia que lança os garotos na hora certa; no Vasco é planejamento zero. O atual time tem bons jogadores, como Alan Cardoso, Ricardo Graça, Cosendey, Mateus Vital que hoje fez um primeiro tempo razoável; mas depois sumiu. O Vasco deve tentar usar sua base para montar um bom time no futuro. Mas é temerário lançar todos ao mesmo tempo. Porém não temos dinheiro para contratar jogadores que possam resolver.

Portanto leitores, será um ano de fortes emoções para nós cruzmaltinos. É dificil logo de cara tomar 4 a 0. Mas tomamos de 4 de um dos dois melhores times do Brasil na atualidade: Palmeiras, o outro é o Atlético Mineiro. Pelo menos, há um lado positivo nisso tudo: nos mostrou a nossa realidade. Cabe à MM agora, armar o time de acordo com nosso objetivo: a permanência na Série A; então temos que jogar conforme nossas limitações e tentar fazer o melhor que pudermos. Enquanto os sócios acreditarem que a atual diretoria é a melhor opção para se conduzir o Vasco da Gama, continuaremos a ser chacota e saco de pancada dos adversários. Na próxima rodada, já teremos o Bahia que enfiou 6 a 2 nos reservas do Atlético Parananense. No entanto, se jogarmos o que jogamos hoje, levaremos um passeio do Bahia também; e só lembrando que o Bahia já nos meteu 4 a 0 em 2012, provocando a demissão de Cristóvão Borges e quebrando a sequência de 54 rodadas seguidas no G4 naquela ocasião. Todo cuidado é pouco.

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