Um sentimento chamado Vasco

Amigos,

Nesta semana de comemoração dos 117 anos do C.R. Vasco da Gama, escolhi falar sobre o que representa o sentimento vascaíno, tão nobre e infinito que algumas pessoas não conseguem defini-lo.

Como cresci em uma família portuguesa e vascaína, meu pai me levava frequentementente aos jogos de futebol e basquete do Vasco quando tinha por volta de três anos. No início era apenas uma curtição, lembro que não prestava atenção nos jogadores nem na bola, seja qual ela fosse; encantava-me com a torcida gritando, comemorando e algumas vezes xingando e me perguntava: Por que este homem está tão nervoso? Aquele ambiente fazia parte do meu dia-a-dia.

Conforme fui crescendo, ir aos jogos do Vasco fazia parte da minha rotina, às vezes ia até com a família toda e aquilo para mim se tornava uma grande festa. Fui aprendendo as regras, nomes de jogadores, cantos das torcidas e tudo me encantava. Vivenciei meu presente e fui aprendendo sobre a sua riquíssima história, cada fato me encantava e até na escola já era conhecida como Carol vascaína, apelido que carrego até hoje e de que me orgulho muito.

Passados os anos, comecei a questionar se era possível apenas eu e minha família sermos tão Vasco ou será que existiam outras pessoas que possuíam esse mesmo sentimento. De fato conheci e conheço pessoas que possuem esse sentimento, indescritível, mas que ao mesmo tempo não sabemos expressar e sim senti-lo.

Ao chegar a São Januário, em visita ou para ver um jogo, uma atmosfera diferente é sentida, algo que toma conta da gente, envolve e nos faz sentir em casa. É prazeroso entrar nas lojas do clube, encontrar os amigos nos bares da redondeza, passear pela linda sala de troféus, ver o time entrar em campo com aquele mar de crianças enfileiradas esperando os jogadores para abraça-los, a torcida gritando nome a nome seus ídolos, olhar ao redor e ver como São Januário é lindo. Sim, nós temos um estádio próprio, construído por portugueses com o suor de seu trabalho. Temos a história mais linda do futebol, lutamos contra o racismo, e divulgamos isso ao mundo com muito orgulho. Somos pioneiros nos gandulas e no pagamento do bicho aos jogadores. Temos os maiores artilheiros na história do futebol brasileiro, temos a estátua de um jogador na porta do mais famoso estádio do mundo.

Ao começar o jogo, uma tensão toma conta da gente, nos envolve. Aplaudimos uma jogada com empenho, vaiamos jogadores que não lutam, cantamos que somos o time da virada quando estamos perdendo, comemoramos gol com aquele estranho ao nosso lado tão vascaíno como nós, que sente a mesma emoção, fazemos festa e reverenciamos jogadores que fizeram história no clube e que sentem prazer em visitar o Vasco quando estão no Rio, porque o clube é uma segunda casa, é uma família fora do nosso lar. Para quem frequenta, é muito legal ver sempre os mesmos funcionários, ver os títulos estampados abaixo das cabines de rádio, ver o Cristo abençoando e nos orientando a carregar essa cruz que tanto nos orgulha e nos batiza.

Quando o Vasco é campeão, invadimos as ruas e mostramos a todos quanto somos tradicionais, somos o clube do povão, somos os mais simples e os mais criativos em tomarmos o Brasil pra nós, sim, porque o Brasil é nosso… Aonde o Vasco joga tem torcedor. Além de ser brasileiro, o Vasco é mundial. Ganhamos vários torneios europeus. Somos reconhecidos pelo mundo afora e quando viajamos levamos nossa camisa na mala. Isso é orgulho.

Ao comemorarmos um gol decisivo, explodimos, choramos, rimos, aplaudimos, são tantas reações simultâneas, que nos perdemos nesse sentimento, que tentaríamos explicar por horas, talvez dias, mas não conseguiríamos.

Apenas consegui descobrir que não apenas eu, mas todos os vascaínos que conheço desconhecem a razão dessa paixão, porque aprendemos a gostar por causa da família, de um amigo, de um título, de um jogador, mas o que alimenta esse sentimento é a fé de acreditamos que somos apaixonados por um clube, que carrega um time, que tem ídolos, que tem uma história de justiça e luta pioneira, construída pelos seus torcedores e possui a torcida mais apaixonada do mundo, que sabe que tudo passa menos esse sentimento.

E se tentarem pedir pra explicar esse sentimento avisa que é impossível. Não dá pra dizer apenas sentir.

Parabéns, meu gigante Club de Regatas Vasco da Gama: 117 anos de glórias.

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No jogo de quarta-feira, apesar da nossa fase, fui confiante ao Maracanã e saí bem animada de lá. O técnico Jorginho conseguiu tirar de cada jogador seu máximo, vi vontade, disposição e muita entrega. Vi um time vibrante, falando em campo coisas esquecidas nos últimos jogos. Jogadores correndo muito e com muita entrega. Jorge Henrique foi premiado com um golaço pela sua luta em campo. Poderia ter fechado o caixão no primeiro jogo, principalmente depois da expulsão do Wallace.

Falar sobre arbitragem está ficando chato demais. Dois pênaltis não dados ao Vasco que fariam muito diferença e vários lances invertidos e cartões dados ao Vasco e não dados à mulambada. Não poderia ser diferente: os queridinhos sempre são beneficiados e quando ganhamos na bola e com louvor eles justificam que foi uma pelada feia e chata.

juntos e unidos Vasco

Quanto mais nos menosprezam, mais somos iguais uma fênix: ressurgimos como sempre foi na nossa história.

À minha torcida presente parabéns. Engolimos o maracanã mesmo sendo minoria e cantamos sem parar o nosso amor incondicionalmente. Quarta que vem convoco todos os Vascaínos a comparecer. Nosso time mostrou que merece.

Foi lindo ver o choro do Jorge Henrique emocionado (saiba que resgatamos aqueles abandonados e renegados) e nosso time abraçado comemorando após o jogo.

#EUESCOLHIACREDITAR!!!!!

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Vasco x goiás: mais um jogo que acredito que vamos ganhar, embalados pela vitória convincente após o clássico que despertou os jogadores para o fato de que dá pra acreditar.

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Sempre ao seu lado. Incondicionalmente!

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E você já é Sócio do Vasco? Está esperando o quê?

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Gostaria de convidar a todos para assistirem o Hangout do qual participo todas as terças-feiras às 22 horas: FALA VASCAÍNO.
www.youtube.com/falavascaino

Carolina Sousa
E-mail: carolinasousao@globo.com