Um Líder – o verbo legitimar – memória – maluquice – Nissan

Vasco e Bangu transcorreu em total normalidade em termos de arbitragem. Felizmente. Temi que, maquiavelicamente, aprontassem alguma roubalheira pró Vasco para legitimarem a baixaria do jogo anterior. Aliás, parênteses: falei que Vasco e Bangu teve arbitragem normal. Vasco e Flamengo também foi normal em termos de arbitragem.

Legitimar o erro, aliás, é o que a Federação de Futebol do Rio de Janeiro busca ao convocar o auxiliar da linha de fundo para exames de todo tipo, oftalmológico inclusive. Encostar o cidadão, deixá-lo afastado de linhas de fundo, linhas laterais, réguas, esquadros ou qualquer outra coisa reta com mais de dez centímetros, seria proteger o profissional que, segundo seu líder, cometeu um erro. De acordo com nossa volátil memória, em alguns meses o cidadão estaria de volta ao mais obscuro ostracismo, esquecido para todo o sempre pelos torcedores comuns e, certamente, pela imprensa. Ao contrário, ao colocar o assistente para fazer tais exames, a Federação expõe o sujeito novamente à opinião pública como boi de piranha. Um grave problema de visão o fará, então, o único responsável pelo absurdo cometido, como se juiz, bandeirinha e até 4o árbitro não tivessem condição de ver o que o mundo viu.

Memória é algo que o brasileiro não tem. Cadê as vigas da Perimetral? Apareceram? Alguém fala mais nisso? Não. Lembrar de certos episódios futebolísticos é uma inconveniência. Uma chatice pra maioria.

Semana passada tive uma discussão com um amigo sobre a Nissan. Vascaíno, considerava comprar um March.

Lembrando do ocorrido, o que a Nissan fez? Abandonou o Vasco unilateralmente no dia seguinte ao rebaixamento sob pretexto de não compactuar com a violência da torcida. Que torcida? A do Vasco. E ai, o que fazemos? Em dois meses esquecemos. Ah, deixa a Nissan pra lá. Compra um carrinho deles. De minha parte, não compro e farei campanha contra todos os que, perto de mim, disserem que vão adquirir qualquer coisa da Nissan. Principalmente porque a empresa não se desculpou. Rompeu o contrato. Assinou os termos de distrato com o Vasco. Mas não nos deu nenhuma satisfação. Então, amigos, lembrem-se disso.

– Ah, você é maluco. Recalcado. Deixa isso pra lá.

Essa falta de memória é a mola que impulsiona a candidatura Eurico. O brasileiro esquece das coisas. E o que se lembra é chato. Chorão. Precisamos lembrar das coisas. Das ações dos políticos. De suas palavras. O passado tem de nos balizar as escolhas futuras. Senão, não chegaremos a lugar nenhum.

Me permitam discordar levemente do amigo Jorge Eduardo. Não creio que faltem vascaínos sérios e que amem o Vasco para trabalhar no clube e pelo clube. Acho que nos falta um líder. E ai se encontra o maior problema para qualquer adversário do Eurico.

Eurico tem perfil de liderança. Pode ser uma liderança negativa, mas é um incontestável lider. Inteligente, ágil com as palavras, ótimo orador. Como exemplo do que estou falando, imagine um debate entre Roberto e Eurico. Eurico trituraria o Roberto sem piedade.

Então, se quisermos ter um novo presidente, precisamos rezar pelo aparecimento de um líder. Alguém que nos guie na travessia desse mar morto de idéias que é o Vasco de hoje. Sem ele, podemos juntar a melhor equipe de todos os tempos. Não chegaremos a lugar algum. Infelizmente.

Ah, a foto do Papa é meramente ilustrativa. Precisava de um líder pra ilustrar a coluna. Resolvi colocar Francisco, que lidera bilhão de pessoas vestindo a Cruz de Malta (de Cristo?)

abraços

Zeh