Um jogo para cardíacos.

Como disse Wagner ao final do jogo, somos uma equipe limitada sim, mas com brio.  Essa certamente é a melhor definição para o que hoje é a nossa equipe cruzmaltina. Se chegaremos longe, não sabemos; mas tudo será feito para tal. Apesar do frango de Martin Silva, e das pixotadas de Erazo e Paulão, conseguimos o que parecia impossível até os 35 minutos do segundo tempo: uma virada que, no final das contas, foi algo de cinema: 4 a 3 sobre o bem armado Boavista, embora um time modesto.

O primeiro tempo começou com o Vasco em cima do adversário bem fechado. Domínio absoluto do jogo, mas mesmo assim, só tivemos duas chances nos primeiros 25 minuos: uma com Paulão em cabeçada para defesa do goleiro Rafael e um chute de Evander rente à trave.  E de tanto tentar, aos 27 minutos, o Vasco abre o placar: em um lançamento de Paulinho, o goleiro Rafael e o zagueiro Gustavo falham de forma bisonha e Pikachu se aproveita para entrar com bola e tudo.  Só que o vento que ventou lá, ventou cá. E aos 35 minutos, é marcada uma infração contra nossa equipe que não houve, pois Evander dominou a bola no peito. O lateral esquerdo Júlio César cobra em forma de cruzamento e Martin Silva toma um frango espetacular. Um dos maiores frangos dos últimos tempos. Mas Martin Silva nos salvou da virada aos 43 em cabeçada à queima-roupa. Mas aos 45 não teve jeito: em nova cobrança de falta de Júlio César, Paulão não corta a bola e o zagueiro Elivélton ganha de Erazo e cabeceia à direita de nosso arqueiro. O Boavista vira o jogo.

No segundo tempo, o Vasco começa como no primeiro: em cima do adversário, fechado defensivamente. A nossa equipe martela e…nada. Até que ZR decide mexer na equipe e muda seu 4-2-3-1 para um 4-3-3 com as entradas de Rildo, Riascos e Thiago Galhardo. E o time se lança mais ao ataque. E os últimos 25 minutos nos reservam as loucuras dessa partida. Aos 28 minutos, boa jogada de Henrique na ponta esquerda, a bola bate no travessão e sobra para Thiago Galhardo empatar a partida. No entanto, aos 33 minutos, o Boavista faz o terceiro em um contra-ataque, no qual, Erazo, sempre ele, espirra o taco e dá um passe para Lucas chutar por baixo das pernas de Paulão, sem chances para Martin Silva. E la iá.  Só que não parou aí. Quando tudo parecia perdido, eis que aos 39 minutos, lançamento da esquerda e Wagner cabeceia, empatando o jogo em 3 a 3.  Essa nossa equipe é uma verdadeira montanha russa; a exemplo do que aconteceu na partida contra o Macaé, em que viramos o jogo no último minuto, com Riascos, voltou a acontecer novamente. Aos 47 minutos, Pikachu lança a bola, a defesa do Boavista afasta e Riascos acerta a trave;  a bola volta para a ponta esquerda, Thiago Galhardo cruza, Riascos acerta uma bicicleta, a bola sobe e sobra para….Erazo.  Ele mesmo. Ele cabeceia meio no susto e dá números finais a partida. Vasco 4 x 3 Boavista. E Erazo se tornou  o personagem do jogo. Incrível.

Conforme observado hoje, precisamos ter consciência de nossas limitações. É fato que o Vasco tem um elenco bastante limitado. Mas mostramos uma face antes não vista: o de uma equipe que não desiste nunca. Aonde iremos chegar, dificil precisar. Mas que nossos adversários, principalmente na Libertadores entendam: vocês podem ser melhores tecnicamente; mas terão que suar sangue para nos superar. Pois não desistimos nunca. Está dado o recado.