Tudo uma grande coincidência

doisdegraus

Enganou-se quem pensou que a grande coincidência da última rodada de 2013, na qual a Portuguesa de Desportos escalou um jogador irregular no dia seguinte ao mais querido ter cometido erro igual, salvando o rubro-negro do rebaixamento, fosse o fundo do poço do futebol brasileiro.

Desafio quem me lê a enumerar a quantidade de partidas ganhas pelo Flamengo este ano por influência direta da arbitragem. Não vai conseguir, tal a quantidade. Tudo uma grande coincidência.

Campeonato carioca: Começamos pela famosa falta que entrou 33cm e que o auxiliar Castanheira, a dois passos de distância, não viu. Ganharam o título no último minuto com uma banheira olímpica de mais de metro que o mundo inteiro viu, mas não o bandeira. Bandeira esse que, coincidentemente, era o auxiliar no Vasco x Flamengo da falta de 33cm. Castanheira, o homem da linha de fundo, não viu. Tampouco o bandeira. Taça pra Gávea. “Roubado é mais gostoso”. Frase pra eternidade.

Copa do Brasil: Precisando ganhar de 3 a 0 do Coritiba no tempo normal para levar o jogo para os pênaltis, o país inteiro testemunha o senhor Wagner Reway marcar dois pênaltis – o segundo deles de ruborizar a parte negra do uniforme da Gávea. Não satisfeito, deixa passar em branco falta violentíssima em Alex no lance do terceiro gol. O Flamengo vence nos pênaltis.

Não podemos esquecer da grande sorte na moedinha. Seis vezes seguidas a sorte agraciou o mais querido, trazendo a decisão da vaga, esta contra o Coritiba inclusive, pro Maracanã. Santa moedinha.

Hoje, mais uma vez, uma banheira sem-vergonha, na qual o próprio jogador parou na jogada tal a noção de que estava completamente impedido. Como se não bastasse, com a intervenção deste jogador, impedido, criou-se novo lance no qual outro jogador – o que faria o gol – estava mais impedido ainda. Claro, nada marcado. Ainda havia tempo para um pênalti “polêmico” – termo cunhado pela imprensa para atenuar as bizarrices passadas em campo. Não houve polêmica alguma. Pênalti perdido. Mais três pontos pros cidadãos de amarelo.

Dez da noite. Estou assistindo a NFL e o jogo é interrompido (exageradamente até) a cada lance duvidoso. Param tudo, comerciais na tv até que os juízes revejam o lance e decidam se mantêm ou não a decisão de campo. Num desses intervalos, mudei de canal e dei de cara com Edinho vendo e revendo o lance do impedimento de hoje e pateticamente tentando explicar a velocidade da jogada, que o bandeira não viu etc. Vergonha alheia.

Ninguém aguenta mais isso. E ninguém da imprensa abre a boca pra questionar. É tudo coincidência.

Erros sempre existiram e sempre existirão. Mas não com essa frequência.

O que não reparam é que isso está minando o resto da lisura do esporte. Não há mérito nessas vitórias. Elas empanam o valor da vitória que poderia até vir sem essas interferências. E isso cansa quem ama o futebol e fica se sentindo um palhaço assistindo a esses espetáculos semana após semana. Pior ainda, ver e ouvir alguém, como Edinho, se prestar a justificar e legitimar o injustificável.

Depois não reclamem do 7 x 1.

No tempo que levei para escrever este texto devem ter sido marcados três pênaltis pro Flamengo.