Tudo ou tudo

joel santana lancenet

Historicamente, Joel Santana sempre teve seu trabalho marcado pela ênfase nos cuidados defensivos.

Por causa dele, uma expressão tornou-se popular no vocabulário da bola: “linhas bem postadas”.

De tanto dizer isso, o atual craque dos comerciais de xampu – e técnico dos bons, ressalte-se – acabou influenciando um monte de gente no campo, à beira dele e nas redações, mas nunca lhe deram o devido crédito.

É natural: o jeito simples e bonachão de Joel não atiça discórdias, não suscita polêmicas, não ajuda a vender jornal ou captar audiência à toa.

Por isso, tem passado sua carreira de treinador injustamente abaixo de outros profissionais que usam as palavras mais asperamente e, então, ganham mais força midiática na imprensa de futebol. Muita gente gosta desses estereótipos: do grosso, do mal-educado, até do estúpido. Cada  um com seus gostos.

Cuidando da defesa, Joel ganhou diversos títulos, fez fortuna e foi bem sucedido.

Entretanto hoje, somente hoje, bem podia lhe cair uma vontade de contrariar a si mesmo.

É que o Vasco precisa ganhar de qualquer maneira do América de Natal, mesmo fora de casa.

Primeiro, porque é Vasco e isso já seria imperativo de vitória. Segundo, porque não se pode falhar nessa reta crucial do campeonato. É garantir o G4 e voltar à série A duma vez.

Em termos de tabela, o América não assusta. Está lá embaixo. E daí? A disposição vai ser a mesma, ainda mais com Jefferson e Pimpão do outro lado querendo atazanar e mostrar que teriam sido úteis, caso tivessem ficando longo tempo em São Januário.

Uma formação mais defensiva seria para buscar o empate. A hora é outra, de afirmação.

Faltam oito jogo para acabar esse martírio.

Claro, é preciso cuidado: a derrota seria terrível, não pelas contas somente, mas pelo momento. No entanto, o velho ditado não engana: o medo de perder tira a vontade de ganhar.

Uma formação mais de ataque, hein Seu Joel?

A casa agradece. Casaca também.

@pauloandel