A Teoria da Conspiração

Cinco de julho de 1982. Brasil x Itália, Sarriá. Lembro claramente de olhar pro meu pai, no fim do jogo, e tentar entender o que tinha acontecido. Naquele dia, o futebol perdia, pra mim, o conceito de “justiça”. Não era justo que aquele time perdesse aquele jogo. Éramos melhores. Então como assim perder?

Lembro também de, pouco tempo antes, na cozinha de casa, ouvir no rádio a entrada do ladrilheiro em campo, em 1981. Do desânimo do meu pai ouvindo aquilo. Um sujeito entrando em campo para esfriar a reação do Vasco.

Agora se imagine sendo um pirralho Vascaíno de 10, 12 anos de idade hoje. Pense no que ele viu e sentiu nos últimos anos. Pense agora na quantidade de mentiras e chacotas às quais deve ser submetido.

E ai, convido você a tornar a olhar, com os olhos do garoto, para a manchete do Extra de segunda-feira. Uma criança provavelmente ainda não tem o discernimento para entender que o que ela lê na capa de um jornal numa banca é uma mentira. Aquilo, pra ela e pros amiguinhos torcedores de outros clubes, é a verdade que vai sendo assimilada, dia a dia.

Ontem a torcida Vascaína fez uma linda festa em Manaus, mesmo sabendo que veria em campo um bando de reservas, sem nenhum entrosamento, contra o poderoso Rezende, do Rio de Janeiro. Que não apareceu. Enquanto nos jogos do Flamengo a transmissão da partida em si é interrompida a toda hora para que vejamos a felicidade do torcedor rubro-negro, a do Vasco é asséptica. Só a partida. Nenhuma imagem de felicidade. Famílias vascaínas. Nada disso.

Veja então, de novo, com o olhar da criança. Há um conceito de felicidade e diversão sendo vendido na transmissão de forma subliminar que está sendo absorvido tanto pelas crianças quanto por quem, infelizmente, por qualquer razão, não tem capacidade de ver a realidade dos fatos.

Você sabia que o Botafogo é o líder disparado em público nesta edição da Libertadores? Não, né? Porque não interessa! A torcida do Botafogo mais presente do que a maior torcida do mundo? Não… Deixa isso pra lá.

Então, vascaíno, quando você ler uma manchete do calibre da “pintou o vice”, por favor, não pense só em você, que tem a capacidade de entender uma provocação, uma brincadeira. Pense no vascaininho que será sacaneado na escola. Que ainda vê os jornais e revistas como a representação gráfica da verdade. Que ainda não tem maturidade para entender uma “brincadeira”. Ou mesmo naqueles que, por qualquer razão, não consegue discernir o joio do trigo.

Por isso, por mais que seja chato, é preciso combater energicamente tais episódios. É preciso mostrar o quanto são perniciosas essas ações. É preciso pensar pelo outro. Pelo bem do futuro da nossa torcida.

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Nosso último triunfo num Campeonato Carioca foi há 11 anos. Como não poderia deixar de ser, numa partida conturbadíssima em termos de arbitragem, na qual nosso principal jogador, Marcelinho Carioca, foi expulso ainda no primeiro tempo.

Nossas vitórias nos campos cariocas não podem depender de arbitragem. Temos de jogar com o objetivo de sermos melhores do que os dezesseis adversários em campo. No domingo, teremos de vencer os times de vermelho e preto e o de amarelo, de uma vez só. E não nos enervarmos com o time de amarelo. Fácil? Não. Necessário.

Ainda sobre arbitragem, é incrível a completa ausência de pulso do Vasco para impedir a escalação de Flamengo de Lima Henrique no jogo final. Até minha filha de 4 anos sabe que o sujeito é Flamengo.

O aproveitamento de pontos da Gávea quando em jogos apitados pelo cidadão é completamente fora da curva.

Mas, infelizmente, juiz de fora não é garantia de lisura. Basta lembrar de Javier Castrilli, na última decisão de campeonato paulista da qual participou a Portuguesa. Resta rezar, já que Roberto Dinamite só ri.

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Há um mês falo nisso:

Quem é o responsável pela partida do Vasco ser em Manaus?

Quanto deu de renda? Pra onde foi o dinheiro?

Mais um episódio obscuro. Pelo visto, outro prejuízo.

Até domingo,no Maraca!