Sufoco

O tempo passa, você vai envelhecendo e começa a ver os jogos de futebol meio de fora, de uma forma meio contemplativa. Não fica mais se esgoelando que nem um louco em frente à tv. Testemunha com alguma calma a um jogo como o Brasil x Chile de hoje. Claro, um Jô irrita um monge. Mas não gruda mais no teto com os acontecimentos.

Besteira. Estou escrevendo após o final da partida entre Colômbia e Uruguai. A sensação agora é de ter levado uma surra. O corpo inteiro dói. Cabeça, braços, costas. Chego à conclusão de que não mudei. Que a tensão só modificou seus sintomas. Talvez fosse melhor a forma anterior, que me deixaria afônico, surdas e indignadas com os palavrões as pessoas que se arriscam a ver jogos desse tipo comigo.

O Chile perdeu a oportunidade de ganhar do Brasil hoje. Teve, durante todo o segundo tempo do jogo, um Brasil apavorado e sem qualquer controle.

Faltou camisa. O Chile parecia aquele lutador desafiante que lutando contra o dono do cinturão derruba o adversário. O juiz abre contagem. O campeão levanta tonto. É a hora de finalizar. Mas falta alguma coisa. Falta coragem, falta acreditar que si, se puede.  Fosse o Chile uma equipe de tradição, a trave reverenciaria o futebol e a melhor atuação do Chile e daria um pulinho de dez centímetros para que a bola final da prorrogação, de Pinilla, entrasse e liquidasse as esperanças do Brasil.

Faltou perna, pois o Chile correu e sufocou o Brasil o tempo inteiro. No final do segundo tempo, o Chile estendeu dois metros de língua e não conseguia mais correr atrás do Brasil. Com dois dos seus principais jogadores atuando no sacrifício, ficou clara a superioridade física do Brasil na prorrogação.

Superioridade essa que não se traduziu em gols por alguns motivos. Neymar, que corajosamente bateu o último pênalti, estava visivelmente baleado pelo tostão violento que tomou no comecinho do jogo. Felipão mexeu muito mal no time, trocando seis (Fred, horroroso) por menos de meia dúzia. Jô teve uma atuação patética, medíocre. Um poste, cerca de vinte centímetros mais alto que a defesa de pigmeus do Chile, não foi capaz de ganhar nenhuma jogada dos beques.

Perdemos Luiz Gustavo, um dos poucos que se salvaram hoje, junto a Hulk, David Luiz e Julio Cesar. Meu palpite é que Felipão tirará Maicon da Cartola, colocando Dani Alves no meio, junto a Neymar.

Vem ai mais um freguês de caderno. Que não tem Julio Basay em sua história. Asprilla e Rincón se criaram contra Maradona. Com o Brasil? Nunca.