Sobre a transmissão de Vasco x Ceará

São Januário lotado. Festa linda. O time ganhou jogando razoavelmente bem contra o principal adversário do campeonato, o Ceará, que havia batido duas vezes o Internacional nas últimas semanas. O que poderia empanar a tarde de felicidade?

A transmissão.

Durante todo o segundo tempo, parecia que só havia torcedores do Ceará em São Januário. Os talvez duzentos bravos torcedores do time cearense que lá compareceram berraram muito. Tanto que, na transmissão do Sportv, só se ouvia o canto da torcida do Vozão.

Jogo encerrado, torcida vascaína feliz, o que se ouvia na tv era “vice de novo” sendo berrado pelos duzentos em alusão à segunda colocação do Vasco na tabela. As entrevistas de fim de jogo foram literalmente atrapalhadas tal o volume da captação do som ambiente.

Logo após o jogo, fiz o comentário nas comunidades Vascaínas às quais pertenço. Recebi algumas respostas sobre as quais gostaria de falar:

Tirar o som da tv é o expediente que meu pai usa. Ele não tolera nenhuma transmissão. Prefere ver o jogo em completo silêncio. Mudar de canal e assistir na rede tv é me punir. Pago para ter uma transmissão em hd e não faz sentido ver uma imagem de 5a categoria por causa das imbecilidades que são ditas. Curioso, hoje as besteiras ditas – e foram muitas – não chegaram aos pés do que foi feito pelo responsável pela transmissão. Um anônimo que pilota que sons e imagens estarão sendo mostradas. Esse sujeito é quem fabrica a torcida do Ceará berrando mais que cem vezes mais Vascaínos no estádio.

Pois bem, nenhum desses recursos resolve o problema. Sim, ele pode poupar a minha irritação, mas ele não corrige a sacanagem que está sendo feita com o Vasco. Perdão, mas ambas as saídas são fugas, como o avestruz, que enfia a cabeça num buraco quando se sente em perigo. Imagine que estão falando mal de você injustamente numa rede social. Cancelar sua conta e sair dela não resolverá a questão. Provavelmente a agravará.

Não sou assessor de imprensa. Mas acho absolutamente inaceitável que, durante longos 45 minutos (pelo menos) da transmissão de um jogo, que acontece dentro da minha própria casa, tal fato ocorra sem que alguém responsável no Vasco perceba. Tivesse eu alguma ingerência na comunicação do clube, teria pelo menos uma pessoa responsável assistindo (e ouvindo) a cada uma das transmissões ao vivo da partida. Eu quero acreditar que isso seja praxe. Mas dado o amadorismo de tudo o que envolve o Vasco, não dá pra ter certeza.

Se existe essa supervisão, algum telefonema deveria ter sido dado. O chefão ligar pro responsável pela transmissão e falar que tá exagerado, que estão passando dos limites.

É assim que a banda deveria tocar. O trabalho de um assessor de imprensa é esse. Defender seu cliente. Interferir quando algo vai contra os interesses do clube. Será que existe essa figura no Vasco? Se ela existir, será que o cara tem o telefone certo para ligar numa hora dessas? E será que tendo o número do figurão responsável pela emissora, este lhe dá ouvidos? Eu quero acreditar que isso exista. Mas dado o amadorismo de tudo o que envolve o Vasco, não dá pra ter certeza.

Isso para não mandar um gandula chutar sem querer o maldito microfone de campo.

Nem isso mais temos. Comando. Qualquer um faz o que quer dentro de São Januário. Tiram onda com a nossa cara abusando da nossa fidalguia. Fidalguia essa que não existe. É um disfarce da nossa inoperância e falta completa de comando.

Olha, é tanta coisa pra mudar naquilo ali, que às vezes dá vontade de desistir…

Mas a gente é burro e apaixonado.

Por último volto ao ponto do “não assistir”, “não ler”. Boicote é uma coisa maravilhosa e dá muito resultado quando dói no bolso do boicotado. Um dos maiores jornais ingleses culpou a torcida do Liverpool por uma tragédia num estádio em Sheffield, nos anos 1980, onde morreram mais de 90 pessoas. O jornal passou a ser boicotado em Liverpool. Até hoje, mais de 30 anos depois, não atinge 10% da população, mesmo depois de ter pedido desculpas formais pela besteira que disse. Quer boicotar? Então boicote de verdade. Não assista aos jogos. Não assista as novelas. Não compre os jornais e as revistas. Rejeite a marca. Não compre pay-per-view. Não doe grana pras campanhas. Despreze a coisa toda. Isso dá resultado.

Deixar de ver o jogo apenas e ser maníaco pelo resto é agir como o avestruz. Não querer ver ou encarar o problema.

Eu acho que a saída é exatamente o contrário. A emissora fez o que não deve? Chuva de emails de protestos. Entupir caixas de mensagens, redes sociais, com reclamação justa e persistente. Não dar sossego.

A gente tem de se fazer ouvir.

abraços

Zeh

Posted By administrador

3 Comments

Léuh Migliorini

Parece maluquece mas eu não assisto a rede globo/flamerda de televisão a quase 1 ano e não compro o futil e mediocre jornal Extra desde o Carioca quando estampou em sua capa a frase: Pintou o vice ? Se referindo ao Vasco que tinha passado pelo Fluminense e iria enfrentar o império do mal

Maurício

Diretoria nem quer saber disso, a única coisa que a preocupa são as eleições. Só nós, torcedores, é que nos revoltamos com isso. Eles – ah -, estão preocupados com seus cargos e cadeiras no conselho.
Falta, no Vasco, um ‘truculento” (pode ser qualquer um, desde que vascaíno como nós, com amor e entrega pelo Vasco), que se preocupe com detalhes como esse, para, por exemplo, proibir microfones na torcida visitante em SJ.

Luiz

Eu pensava que estava ficando maluco por crer nessa mesma teoria da conspiração.
Na transmissão, devido a darem tanto destaque a torcida do Ceará, passavam a impressão que a torcida do Vasco estava em completo silêncio, acuada e sentadinha quieta, como se estivesse de castigo.
Mas não foi só isso! Tiveram a cara de pau de dizer que não foi penalti e que se fosse ao contrário, ou seja, se fosse a favor do Ceará o juiz não daria. Criticaram tanto a arbitragem que até parece que ela foi responsável pela vitória do Vasco.

Leave a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *