Sobre Loureiro Neto

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Entre a metade dos anos 70 e 80, depois de um grande clássico no Maracanã – ou mesmo uma partida de menor escala – ou no intervalo do primeiro tempo -, o grande narrador Jorge Curi chamava no microfone da Rádio Globo com sua voz monumental: “Klebeerrrr! Loureiroo!”

Antes disso, o ouvinte já tinha se deliciado com Waldyr Amaral também narrando, Mário Vianna a falar de arbitragem e o espetacular João Saldanha nos comentários.

Kleber é Kleber Leite, isso mesmo.

Loureiro é Loureiro Neto.

Quem tem seus quarenta e poucos anos ou mais há de me entender.

Disparado a melhor equipe de rádio de futebol que ouvi em toda a minha vida – e que provavelmente não será superada. Disparado!

Depois o tempo, senhor implacável, levou Curi e, mais tarde, Amaral. Vianna, Saldanha.  O tempo não para, cruel e preciso.

Kleber foi cuidar de seu sucesso, justo.

Loureiro ficou até morrer no que sempre viveu: o rádio. Por décadas a fio em diversos programas de alto nível, ainda que não abrilhantasse mais as coberturas esportivas.

Foi um homem de amores duradouros: a praia, o bairro de Copacabana, o Vasco, a Rádio Globo. Carregou-os para sempre.

E nesse mundão enorme que tem sido o futebol no rádio Brasil afora, esteve entre os melhores de todos os tempos.

Foi acima de tudo um profissional da ética, da elegância nos gramados: informação precisa sem ser ofensiva, simpática sem ser engraçadinha, fundamental sem ser hiperbólica. Aliás, de toda a equipe que citei acima: basta dizer que, dois cinco gigantes daquela equipe da Rádio Globo, nenhum era tricolor – e o Fluminense nunca foi tão respeitado, ao contrário de hoje, quando as patifarias são chanceladas pela ESPN e congêneres. O Vasco também respeitado. Todos.

Certa vez recente, em ataque de histeria, Kfouri escreveu que “leitores idiotas deveriam ler mais Armando Nogueira”. Penso que jornalistas levianos deveriam ter ouvido mais Loureiro Neto.

Há pouco, o rádio carioca perdeu Jorge Nunes. Agora, o Loureiro. A vida não é justa e, muitas vezes, precipitada demais.

Resta-me lembrar do sinalzão das rádios Globo, Tupi, Nacional, todos ecoando num Maracanã de cento e tantas mil pessoas a cada domingo.

O relógio marca.

“Klebeerrr! Loureiroooo!”

Que saudade!

@pauloandel