Sobre Argentina x Bósnia

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Mar del Plata

Eles apareceram em todos os lugares do Rio: Centro, metrô, Tijuca, Barra e principalmente Copacabana, que é o bairro dos bairros. Um mar de camisas listradas de azul e branco, geralmente vestidas por narizes aduncos. Os argentinos tomaram o Maracanã como se fosse o Monumental de Nunez. Felizmente, nenhum sofrimento da Plaza de Mayo.

Mas longe da solidão. Os brasileiros foram a fundo para exercer o melhor espírito de porco, secando os hermanos e cantando com força. Desde já, o jogo mais divertido dessa Copa, menos pelo jogo em si do que pelo duelo de torcidas, com direito a vaias, aplausos e gritos de olé.

O 1 x 0 platino logo de cara deu a falsa impressão de facilidade. Engano: aos poucos, a Bósnia avançou linhas, começou a forçar para o ataque, mas a Argentina suportou bem. Poucos chutes mas volume nas duas intermediárias. Depois o goleiro argentino Romero fez um defesaço em cabeçada no canto baixo direito, salvando os hermanos do empate. No final da primeira etapa, muitos aplausos no Maracanã de cores azuladas. Pode-se dizer que a Bósnia foi superior nos primeiros 45 minutos.

Com a entrada de Gago e Higuaín na segunda etapa, o objetivo era de quebrar o isolamento de Messi e Di María, ambos ainda em atuação discreta, e tentar conter o ímpeto bósnio. Deu certo. A Argentina se soltou na partida, mas Romero trabalhou de novo duas vezes, bateu borboleta em outra. Aguero, discreto também.

Mas o craque não é feito para discrição. Messi arrancou da direita, um para trás, dois para trás, drible no terceiro e chute no canto direito. Bola no poste, goleiro batido, fundo das redes e o grito do Maracanã remeteu a Boca e River como nunca.

Já no finzinho, a Bósnia descontou numa infiltração pela esquerda, justamente quando os argentinos pareciam mais perto do terceiro. Cansaço à parte, o jogo recuperou mais emoção por conta do drama, um tentando atacar e o outro defendendo como podia. Messi ainda acertou a rede pelo lado de fora. Sem brilho, a Argentina foi eficiente e fez valer a tese de que Copa do Mundo é para time grande. Começou na frente. Los Hermanos, vivíssimos.

@pauloandel