Só resta torcer…

Imaginem a seguinte situação: seu filho, aquele “serzinho” que você mais ama, acaba de quebrar aquele vaso de cristal caríssimo, herança de sua bisavó que o trouxe de Portugal! Apesar das inúmeras advertências que você deu a ele, o menino insistiu em jogar bola no meio da sala e o acidente aconteceu. Pior! Além de quebrar a caríssima peça, ele se cortou e agora chora e sangra clamando por sua ajuda…

Nessa situação hipotética, qualquer mãe ou pai simplesmente ignoraria o valor material do vaso, engoliria a raiva da desobediência e se preocuparia primeiro em acudir ao filho ferido.

Provavelmente depois de estancado o sangue e cessado o choro, você o daria uma baita bronca!

Pois meus amigos, é assim que enxergo no momento a situação do Vasco em relação à sua torcida.

Não é hora para troca de acusações, para ficarmos procurando os erros que nos levaram esta situação calamitosa em que nos encontramos, em procurar “cristos” para crucificarmos, sejam jogadores, dirigentes, e até mesmo aquele seu amigo que também é vascaíno mas ao contrário de você, por exemplo, idolatra o nosso atual presidente. É um direito que ele tem e por mais errado que você possa achar que ele esteja, nesse momento é a hora de estancar o sangue e conter o choro.

Logo após o fim do jogo de ontem, em que fomos derrotados pelo Fluminense (um resultado raro, mas normalíssimo frente ao gigantismo e a história dos dois clubes), olhei as mídias sociais com muita aflição e tristeza com o que lia…

De um lado os “profetas do caos” com seus indefectíveis “eu avisei”, ou “eu te disse”, ou ainda “eu já sabia”.

De outro os super otimistas com a bonita campanha do “eu escolhi acreditar”, “quem não acredita mais deveria deixar de ser vascaíno”, etc.

Uns acusando os outros, numa batalha fratricida que além de não nos levar a lugar algum, só piora e aprofunda mais e mais a nossa crise sem fim.

Não há mais o que fazer, meus irmão vascaínos… A nós resta apenas torcer. Àqueles que ainda conseguem, apenas apoiar nessas cinco rodadas que faltam, para que aconteça um milagre, uma virada que seria (ou será…) digna de entrar no vastíssimo rol de viradas que o nosso clube possui.

Qualquer ação diferente disso, o que reconheço, dificilmente alterará o destino que nos aguarda daqui a um mês, é nada mais que inócuo e só servirá para uma irritação própria e de outros que como nós, somos vascaínos.

Façamos então o que nos resta. Tenhamos então fé. Nada mais nos resta. Nada mais podemos fazer. Deixemos a análise do que aconteceu de errado para, quem sabe, aprendermos com os nossos erros, para depois do fim do campeonato. Seja qualquer o desfecho que ele nos representará.

Para nós, só há uma certeza: aconteça o que acontecer, não deixaremos de ser vascaínos.

Num jogo em que tínhamos de entrar com a “faca nos dentes”… Numa partida em que tínhamos de ter o triplo de vontade do adversário… Num enfrentamento em que deveríamos disputar cada jogada com a fome dos famintos… Entramos desligados… Distantes… Como se não fôssemos nós os desesperados pela vitória.

Um primeiro tempo para esquecer! Diante de um Flu desfigurado e abalado pela recente desclassificação na Copa do Brasil, jogamos como se nada mais tivéssemos que fazer no campeonato.

Ao Tricolor bastou um pouco mais de vontade para, no apagar das luzes do primeiro tempo, marcar o gol que aumentaria o nosso desespero.

No segundo tempo melhoramos, mas correr atrás com o cano do revolver apontado para a sua cabeça é algo muito difícil… Sobretudo quando não se tem uma equipe digna de nossa camisa. Algo, aliás, que vem se tornando rotina nos últimos 15 anos (com a honrosa e raríssima exceção de 2011 e parte de 2012) infelizmente.

Nada consigo falar sobre este jogo. Perder para o Fluminense, algo raro nos últimos anos, é normal.

Anormal é um centroavante com um corpanzil de lutador de jiu-jítsu não conseguir ganhar uma disputa de bola sequer…

Anormal  é um cara que foi contratado tendo no currículo o fato de ter sido artilheiro na Copa Libertadores, não conseguir dar seguimento a uma jogada sequer…

Em mais uma rodada – se não me engano a quinta seguida, que nossos adversários diretos nos ajudam, nós não conseguimos avançar…

A derrota veio numa péssima hora e agora só um milagre nos salva. Ponto.

Acho muito boa a campanha do “eu escolhi acreditar”. Meu coração dá saltos aqui no meu peito para que eu imediatamente coloque nossa camisa, tire uma foto e poste em todas a mídias sociais possíveis.

Mas felizmente ou infelizmente, meus mais de 40 anos de arquibancada… Ou minha razão… Ou o meu cérebro de engenheiro, como vocês preferirem, dizem que não dá mais.

Cinco pontos de diferença, faltando cinco rodadas, nas quais teremos confrontos dificílimos, com um time fraquíssimo que temos me dizer que já era…

Eu torci, torço e sempre torcerei pelo Vasco da Gama, não importa em que divisão ele esteja.

Mas eu não acredito mais.

E não é por conta da derrota de ontem! Mas, como eu venho escrevendo aqui há alguma rodadas, nosso passivo é muito grande para ser retirado.

Como eu disse, no momento, resta-me torcer. E isso eu farei incondicionalmente.

Permitam-me uma menção honrosa àquele que acreditou nessas minhas palavras e abriu este espaço para que eu pudesse bater esse papo com vocês: Zeh Catalano!

O nosso patrono fez aniversário nesta semana.

A ele a minha eterna gratidão e os meu mais sinceros votos de felicidades e saúde!!

Posted By Kiko Abreu

1 Comment

Antônio

Nem fala. Em 2008 e em 2013 na reta final eu fui a quase todos os jogos mas esse ano não consigo. Não sei se é porque no fundo acho que essa queda, mais do que as outras é simbólica. Significa o fim do mito Eurico Miranda pois o que o fez ressurgir do inferno foram as duas quedas na gestão do Roberto, Então acho que com a queda, daqui pra frente surgirá uma terceira via de verdade no Vasco, com gente nova, que coloque os interesses do clube em primeiro lugar, assim como os mulambos estão fazendo, que mesmo não tendo um retorno de imediato, estão plantando as bases para um futuro melhor, coisa que não vemos no nosso Vasco. Devemos ser o único clube no Brasil, com certeza o único entre os grandes que só teve 3 presidentes em mais de 30 anos, mais precisamente desde 1982. O que esperar de pessoas que simplesmente pararam no tempo, esquecendo que o futebol mais do que nunca virou business, que o torcedor é cliente, que o marketing é o principal departamento de um clube moderno, que as redes sociais são ferramentas indispensáveis e que devem ser usadas pra atrair, alavancar, defender, criticar os que ofendem os interesses do clube, que o programa de sócio torcedor deve ser a principal bandeira de qualquer gestão que se diga minimamente profissional, coisa que os que lá estão fazem questão e se orgulham de dizer que não são, enfim é tanta incompetência junta que fica difícil vislumbrar um horizonte promissor. Então a queda deve servir para uma outra guinada, como a que ocorreu, no sentido errado, com a volta do nefasto ao poder.

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