Sete

Devo ter visto muitas goleadas de 7 do Vasco. Me lembro de poucas. A razão do esquecimento, simples, é que estas foram sobre adversários menores.

Lembrança mesmo, o de um tenebroso 7 x 2 para o Atlético Paranaense. E de duas vitórias. Uma contra o São Paulo, em São Januário, por coincidentes 7 x 1. E a maior goleada num clássico da história do Maracanã. 7 x 0 no Botafogo.

Essa eu tive a satisfação de testemunhar. Memórias desse jogo são duas: A de ter reclamado e praguejado por o Vasco ter feito um a zero com menos de um minuto de jogo. O Vasco sempre foi mestre em me proporcionar jogos como esse parecia que seria. De cara um gol e depois 90 minutos de sofrimento, pressão, retranca. Tremendo e feliz engano. O tempo foi passando, os gols foram saindo. Felicidade. A segunda lembrança. 48 do segundo tempo. Corner pro Botafogo. A defesa tira. Contra-ataque. A bola, na intermediária de defesa, cai no pé de um cidadão chamado Paulo Miranda. Meias arriadas. Malemolência. Euler e Romário abrem um em cada ponta. Um beque do Botafogo, miserável e solitário, corre entre os dois. Paulo Miranda lança. Vai ser de oito. A bola cai no pé do beque no meio, a léguas de distância de ambos. Imediatamente o juiz encerra o jogo. Catorze anos depois, eu ainda lembro e xingo o miserável displicente que impediu o oitavo gol do Vasco.

E ai, um ano depois da hecatombe da Alemanha, estarei dentro do estádio em que vi a minha Copa do Mundo assistindo ao meu Vasco.

Já li depoimentos de gente que foi embora do Mineirão naquele dia. Eu gostaria muitíssimo de ter estado lá. Não torço contra a seleção, mas certamente aquele é um jogo eterno. Daqui a 99 anos (um já foi), este jogo ainda será alvo de conversas e espanto. Seis minutos. Quatro gols. O livro que vamos lançar em breve sobre a Copa fala bastante desse dia. Mas certamente mais terá de ser dito e pesquisado.

E amanhã minha cuca vai certamente estar naquele dia e no surrealismo daqueles minutos.

Espero uma vitória. Uma boa atuação. E uma boa lembrança.