Sem elenco não se vence

Pelo visto, vamos compor um novo elenco em plena disputa da Série B. Com saída anunciada para o Palmeiras, Bernardo (único com características para substituir Douglas) deve ter a companhia de Rafael Vaz, William Barbio, Montoya e Reginaldo, que não terá seu contrato renovado.

Essa barca de meio de temporada indica algumas coisas. A primeira é que Bernardo é um caso perdido. Tinha tudo para ser um dos líderes deste elenco limitado, mas não emocionou o técnico e a direção. Como diria Brizola, “algo há”. O cara joga bola, fez gols decisivos e besteiras históricas, como a tentativa de largar o clube logo após ser comprado e sua vida extracampo. Com Adilson Batista, não rendeu. Corpo mole? Se for, realmente é para negociar. Mas pode ser desestímulo com o técnico, um teimoso clássico. Bom, neste caso, era para emprestar sem passe fixado, mas a negociação com o Palmeiras envolve a opção de compra de 50% dos direitos federativos. O Vasco passa a ser sócio, sem a responsabilidade de tê-lo no elenco. Fica claro: a intenção é se livrar da “mercadoria”, esperar a uma venda futura e lucrar com uma possível valorização.

O problema de se livrar do Bernardo é ficar com uma lacuna forte no elenco. Afinal, se o Douglas se machucar ou continuar com o desempenho em queda, como está neste momento, quem pode fazer sombra a ele? Acertamos com Lucas Crispim, ex-base santista. Com 18 anos, será que o guri segura o rojão de barrar um veterano ou substituí-lo em pleno andamento da Série B?

No caso do Rafael Vaz, outro cujo currículo na noite carioca vem ofuscando o (pouco) que fez em campo, acho que ocorre o mesmo que com o Bernardo. O negócio é repassar o problema – fica a dúvida de quem vai cair nessa. Substituo, neste caso, já temos: Douglas Silva, que não é uma sumidade de bola, mas entrou sem comprometer muito, e Anderson Salles, ex- Ituano.

As saídas de William Barbio e Reginaldo, para mim, são as mais promissoras. Sem Reginaldo, vamos economizar dinheiro e ganhar em qualidade, já que a vinda de Rafael Silva, aparentemente, vai melhorar o time, já que o dispensado é uma nulidade em campo. William Barbio não fará falta alguma. Pior: sua presença é sempre um risco de vê-lo em campo. Melhor mesmo deixar os garotos Marquinho e Yago. Mas ainda falta alguém para compensar a perda de Everton Costa, já que, com Edmilson e Thalles, estamos razoavelmente bem servidos do homem mais centralizado.

Finalmente, o Montoya. Deixei ele por último de propósito. Juninho Pernambucano, de forma indiscreta, recentemente comentou que o colombiano não teve base. Adilson Batista já o chamou de Defederico, promessa que se transformou em mico no Corinthians. Não sei se eles têm razão. Não me parece. Acho que falta a ele duas coisas: um treinador que o oriente de verdade e o escale na posição certa e uma sequência de jogos. Eu não abriria mão de um canhoto que pode substituir o Douglas. Se sair, fica outro buraco no elenco, que eu não vejo como tapar. Jhon Clay? Me poupe…

Fica um alerta: se queremos ganhar esta maldita Série B, precisamos de elenco. Foi exatamente isso que faltou nestes três primeiros jogos, nos quais somamos apenas quatro pontos. Se vão mesmo passar a barca, que venham jogadores para suprir as ausências. Do contrário, haja meninos talentosos para suprir as deficiências de elenco. E isso nós também não temos, pois nossas divisões inferiores estão um caco.

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brilhante-e-italia

Como o Panorama Vascaíno entrou no ritmo da Copa, eu vou trazer, nas minhas participações, a ficha de um jogador de nossas cores que tenha defendido a seleção numa Copa. Na verdade, vou começar logo com dois, a dupla de zaga Brilhante e Itália, integrantes do time campeão carioca de 1929 e convocados para a disputa de 1930, no Uruguai.

Luís Gervasoni, o Itália, foi capitão da seleção naquela Copa e atuou nas duas partidas, o 1 x 2 para a Iugoslávia e nos 4 x 0 sobre a Bolívia. Jogou no Vasco apenas, vestindo a camisa preta de 1926 a 1937, ganhando os cariocas de 29, 34 e 36. Já Alfredo Brilhante da Costa foi apenas reserva. Apareceu no Bangu, de onde saiu em 1924 para reforçar o Vasco. No cruzmaltino, ganhou dois cariocas (24 e 29) e atuou até 1933. 

Além deles, outros vascaínos presentes no mundial do Uruguai foram Fausto e Russinho, que falarei numa próxima ocasião.

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Índice de rejeição de Eurico Miranda dentro do quadro social vascaíno ultrapassa a casa dos 55%. Como as eleições devem ser na segunda quinzena de julho e o mensalão vai ser investigado pela polícia, o cerco em torno do veterano cartola deve aumentar. As coisas começam a melhorar no terreno da moralidade dentro do clube.

Isso não me impede de concordar com ele em um ponto: é preciso dar fim a essa espanholização do futebol brasileiro, que garante aos queridinhos globais uma dianteira de R$ 70 milhões por ano, frente ao Vasco. Se Eurico fosse vascaíno de verdade, era um aliado de peso na busca por uma equidade maior no futebol. Penas que queira tirar disso apenas dividendos políticos e pessoais.

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Estive ontem à noite com o Roberto Dinamite. Está cada vez mais envelhecido e desgastado – e, para piorar, estava doente. A entrevista que deu para a Placar é um claro sinal de que tenta levantar a popularidade que já teve um dia, como presidente. Uma tentativa infrutífera, como ele mesmo sabe. No entanto, ali ainda está o ídolo do gramado, mesmo que distante. Pena que o cartola e o político corroeram tanto a sua imagem.

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Pintou um nome que pode levar a um projeto de unidade das oposições no Vasco – curioso como um clube sem chapa de situação funciona: acreditamos que o continuismo é o Eurico, que não deixa de ser uma espécie de oposição.

Ao mesmo tempo, grandes cabeças pensantes vascaínas se uniram para apresentar uma proposta de futuro. Conheço vários integrantes do grupo.

Se essas correntes se unirem em prol de nosso time, vejo um futuro muito melhor para todos nós.