Seedorf – O que o verdadeiro ídolo pode fazer pelo clube

Hoje comentarei sobre a saída do Seedorf do Botafogo e o legado que um verdadeiro ídolo mundial e profissional destacado do futebol pode deixar para um clube e como isto impacta em todos os setores do mesmo. Antes que comecem a reclamar que isto aqui é VASCO já aviso que tomarei os bons exemplos de qualquer lugar e trarei aqui para nossa reflexão.

Como todo ser humano, o citado atleta tem qualidades e defeitos, mas aqui tentarei me ater ao que importa, que é a contribuição para o profissionalismo deixada por ele no futebol brasileiro. Tive a oportunidade de ouvir da cúpula do Botafogo, em várias oportunidades (aulas ou simpósios), sobre as grandes qualidades deste ídolo mundial e profissional diferenciado. Já havia até esquecido de vários detalhes, mas por sorte havia feito o registro dos vários bons exemplos por ele deixados durante seu período no Botafogo e compartilharei abaixo com vocês.

Em tempo, temos um cara que dá uma grande contribuição para o profissionalismo do CRVG, mas não da mesma forma que o Seedorf, que nem sempre é reconhecido por tal contribuição. No nosso caso, temos o Juninho, que é facilmente reconhecido na Europa como grande profissional, fora e dentro de campo, por ter feito o Lyon várias vezes campeão francês quando lá jogou.

O ídolo pode contribuir de várias formas: garantindo a manutenção do tamanho da torcida, criando novos torcedores, atraindo patrocinadores, melhorando a comunicação do clube com a torcida e a imprensa, aumentando o consumo de produtos relacionados ao clube, servindo de exemplo e inspiração para torcedores e novos jogadores etc.
Ter um ídolo que faz tudo isto acima e ainda colabora na mudança de mentalidade e de atitude dentro e fora do campo é algo fantástico, é como tirar a sorte grande na loteria, e isto é algo que pode e deve ser capitalizado para o clube sem direito a egos ou vaidades que impeçam o aproveitamento de um evento destes que somente colabora com o crescimento e amadurecimento da instituição.
Lembro que ninguém é maior que a instituição, seja jogador ou dirigente, porém abdicar de qualidades individuais que façam a instituição se fortalecer é de uma burrice paquidérmica e nos tempos atuais estes erros estratégicos cobram preço muito caro para o clube, contribuindo para o encolhimento de sua importância e também na diminuição dos valores amealhados com os negócios em que o clube se envolve.
Vejam abaixo um pouco do que o Seedorf trouxe para o nosso rival alvinegro.

Caso de sucesso: BOTAFOGO E SEEDORF
Quatro aulas diferentes com profissionais do Botafogo: Mauricio Assumpção, Presidente; Sergio Landau, Executivo e Gestor de Arenas; Ayrton Mandarino, Diretor Comercial e de MKT; Altamiro Bottino, fisiologista. Nas quatro, um ponto em comum: o reconhecimento do profissionalismo do Seedorf, sua influência positiva sobre o grupo de jogadores, torcedores, imprensa e sobre a gestão do clube.

Destaco ainda palavras por ele utilizadas para definir o que é importante na relação Clube/atleta e as qualidades necessárias para os jogadores atuarem no mercado do Futebol Profissional.

– Clube – olhar o lado humano dos atletas, dar orientação a pessoa (jogador) preocupando-se com a formação do ser humano, do cidadão e por fim do atleta profissional, cobrança de resultados (performance) aos atletas.

– Atletas – Atuar sempre com profissionalismo, competitividade, respeito à Instituição.

Regras básicas repetidas à exaustão por jornalistas e dirigentes profissionais mas que tomam outra proporção quando proferidas por um atleta de classe mundial que estava em plena atividade dentro de campo e agora continua exercendo como técnico.

Não foram poucas as contribuições prestadas pelo Seedorf, e isto fica claro e evidente quando ouve-se as entrevistas dadas por dirigentes e jogadores que partilharam este período em que esteve no Botafogo.
Algumas atitudes do Seedorf:

– Chega bem antes do treino começar e só sai depois do final e de treinar ainda um pouco mais. Os mais jovens, envergonhados, acabam ficando e acompanhando o sujeito;

– Camisa e short dobrados no vestiário? Nada disto! A camisa é um manto e assim deve ser tratada, saiu e comprou um caminhão de cabides, voltou com todos debaixo do braço e deu para o roupeiro botar o uniforme do dia esticado em cada armário e voltado para o jogador;

– Medicação, gatorade e tudo o mais distribuído para os jogadores e não consumido pelos colegas de time, ele chama o colega de time e avisa que ele “esqueceu” de tomar o suplemento, remédio etc;

– Ao ser chamado para conversar com o MKT e avisado que seria chamado para alguma ativação de MKT comenta que estava estranhando 06 meses de clube e nenhuma ação com ele ainda feita;

– Sobre os patrocinadores pessoais: prefiro ser ligado a coisas saudáveis, quero um patrocinador que venda água e que seja marca mundial…  Apesar de ter patrocínio Heineken não bebe e tem plena consciência do “produto” que é.

– Vai a um colégio e pede para falar de cidadania, racismo, ética etc. Falar de dinheiro? Claro que não!! Isto não é o que importa para formar o cidadão…

– Mais uma do cara: Na visita a uma escola, com palestra rápida de 20/30min, 10 perguntas são permitidas e um dos garotos faz a seguinte pergunta: O que eu faço para evitar que toda vez que eu fale meus colegas de turma não me sacaneiem?
Nesta hora a turma inteira grita pegando no pé do garoto… Seedorf, sempre ele, chama o menino a frente, pega a bola e fala para a turma que aquele comportamento não é legal, que estão fazendo o garoto sofrer e começa a bater uma bolinha com o garoto deixando a turma toda com inveja…
Estou fazendo vocês sofrerem, vocês acham isto legal? (combate ao bullying)
Em todas suas ações prima pelo respeito, educação e consideração no trato com atletas, comissão técnica, imprensa e patrocinadores. Preciso dizer mais? O cara é um senhor profissional e ponto, e ainda tem gente que acha que jogador brasileiro é profissional…

Fisicamente o cara foi avaliado pelo fisiologista (Altamiro Bottino) e simplesmente ficou fora dos parâmetros (positivamente) usados para medir massa magra, índice de gordura etc. Por conta disso, teve seus exames enviados para o especialista americano que idealizou a tal da tabela utilizada para avaliar estes índices…
Pois é, o sujeito além de ter uma visão do ser humano fora do normal, é ponto fora da curva. Como dito ontem pelo Mandarino: “nós atiramos no que vimos e acertamos no que não vimos”.

Não dá para achar um cara igual a ele para o VASCO, mas podemos sim, na base, forjar alguém que já tenha caráter e durante esta formação do jogador na base dar-lhe condições/ferramentas para tornar-se um cidadão de bem e ídolo para nosso clube.

VISIBILIDADE

O Botafogo teve uma visibilidade animal com este cara, teve sua marca vista internacionalmente de forma espontânea em todo o mundo. Imagine o quanto favoreceu o clube nas negociações com os patrocinadores.

Fazendo um paralelo com o Vasco, poderíamos utilizar o Juninho e o Dedé (saudades do Mito) para atuarem de forma semelhante a nosso favor.

Posted By administrador

2 Comments

Cláudio Eduardo de Almeida Garcia

O grande problema no atual futebol é conseguir jogadores com esse perfil profissional aliado com um caráter impoluto, carisma e liderança.
Concordo que, nós vascaínos, temos o Juninho e lembro ainda que temos o Guiñazu que não tem um currículo internacional como Seedorf e Juninho, mas exibe um profissionalismo irretocável.

Ary

A grande verdade que independente da profissão, seja jogador de futebol, seja analista de sistemas, ou engenheiro, este perfíl de pessoa (ser humano), encontra-se em extinção no nosso país, pois a base para atingir este marco está na educação, na formação do caráter, na constituição da cidadania, e pelo visto isso não vem sendo praticado em nossas escolas, em nossos lares, e exemplo da sala aula descrito pelo Hélio é bem perfíl do tipo de ser humano estamos lhe dando.

Então voltando ao futebol, o cenário atual não favorece o nascimento de ídolos que tenham esses valores para disseminar dentro do grupo de jogadores, e isso realmente faz falta e é capital para solidificação da marca de um clube.

Mas concordo plenamente que para os parâmetros de hoje, Juninho com certeza é ” o cara”.

Saudações Cruzmatinas (SEMPRE)

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