Santa Paciência

É o que resta para o torcedor vascaíno, nessa reta final de Série B: uma dose redobrada de “Santa” paciência (ainda maior do que estamos tendo ao longo desses últimos quatorze anos de muito mais sofrimento do que razões para nos orgulharmos) para que esse ano se acabe o quanto antes. E que todos possamos, ao final dele, ter a sensação de alívio com o menos pior dos resultados possíveis, que é o retorno ao lugar do qual jamais deveríamos ter saído nem uma vez, quanto mais duas vezes, que é a Primeira Divisão do futebol brasileiro.

Coisa melhor do que isso, sinceramente, nós não podemos nos iludir, porque não virá. Ficaremos arrastados, ali no “bolo” com os que disputam uma das vagas à elite, sem empolgar, sem “arrancar” uma sequência de vitórias…isso porque não há aquele sentimento por parte dos jogadores, e creio que nem hoje por parte de nós, torcedores, de que o time vá “deslanchar” e impor a superioridade de sua história de lutas e títulos conquistados; numérica de sua torcida e até mesmo técnica de seu time na busca por tais resultados. Não foi assim durante trinta rodadas; não será assim, agora, no momento em que todos contam os jogos para o final.

Mas o que é pior nessa história toda não é nem o fato de não subir (caso assim se concretize) como campeão. Inegavelmente para aqueles que ainda creem na grandeza de um clube, outrora, um dos mais respeitados do mundo, o que chateia é a sensação de passividade e conformismo que tomou conta de todos. Será a primeira vez, ao menos na era dos pontos corridos também nessa divisão, que um clube considerado um dos gigantes do futebol brasileiro acede ao seu devido lugar sem conquistar o título da divisão inferior. O Vasco poderá até mesmo ser o quarto colocado que todos estarão aliviados, conformados, diria até com certa propriedade satisfeitos de o pior dos piores cenários possíveis que é o de não subir não acontecer.

Confesso-lhes que afirmo isso com muita tristeza e caindo cada vez mais na real situação institucional que passamos. Nos lugares por onde trabalho, pelas redes sociais, há aquele sentimento de quem é vascaíno com ar lamuriador, uma mistura nem mais tanto de perplexidade nem de indignação, mas de lamento com conformação. A comparação com o que virou o América, outrora grande nas décadas de 1960 / 1970, é inevitável.

E não há qualquer argumento válido, no presente, que convença a quem assim compara de que seu pensamento esteja errado. Sofrer virou rotina para o torcedor do Vasco; os raros momentos de alegria como em boa parte do ano de 2011 viraram exceções à regra. Parece que o clube está condenado à eterna crise e que sua torcida, não mais a torcida vibrante e feliz pelos idos dos anos 1990 que tive o orgulho e honra de presenciar o quão gigante é esse clube, aceita isso, sem maiores argumentos que convençam ao próprio amigo vascaíno que as coisas hão de melhorar. Ao contrário, há muito pessimismo por parte do que virá no futuro, em especial daqueles que descreem (e com razão) dos personagens que se postulam candidatos a comandar o clube nos próximos três anos.

O que me resta como sentimento é unicamente esse: que esse ano acabe logo. Não estou ligando se o resultado será o título ou não (creio que não será), mas isso também acrescenta em nada na história gloriosa do Vasco. Apenas subtrai, ficando a triste lembrança de sequer termos tido força, quando na segunda divisão novamente depois de cinco anos, de ter retornado à elite, novamente, como campeões. Mas enfim, são cicatrizes que somente sumirão com muita dose de trabalho, perseverança, fé e, novamente, paciência por parte, em especial, de quem vier a assumir o leme para sará-las com títulos e conquistas institucionais, de forma a repor aquilo que perdemos. E por própria culpa nossa, registre-se.

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Em minha análise de possíveis resultados para os nove jogos finais desse certame, não estava em minhas contas não somar pontos perante o Santa Cruz nesse último sábado. Julgava a vitória do Vasco como sendo um resultado possível, em que pese o fato de o jogo não ter sido realizado no estádio do Arruda e, sim, na Arena Pernambuco, não havendo aquela habitual pressão e toda a atmosfera diferente e favorável que impulsiona tal equipe pernambucana quando jogando em seu habitat.

Restam oito jogos agora, sendo três contra equipes que lutam diretamente por uma das vagas à elite do futebol nacional. Dessas três, somente contra a Ponte Preta o Vasco joga sob seus domínios. Os outros dois jogos serão contra Ceará e Avaí, ambos fora de casa. Resultados favoráveis em pelo menos dois desses três confrontos tornam-se imprescindíveis para se evitar qualquer tipo de risco. E não mais com o foco orientado ao título, mas sim, ao simples acesso somente.

Dos demais jogos, três serão em casa. Vencer Icasa, Vila Nova e ABC em São Januário virou ainda mais obrigação.

Seja como for. Fazer nove pontos nesses três jogos citados nos levará a, pelo menos, 63 pontos já contando com os pontos de momento. Para o cálculo de 66 pontos, que creio ser (e provei isso por intermédio dos cálculos de Estatística, em meu último artigo), faltarão mais três pontos, que podem advir de uma possível vitória perante a Ponte Preta.

Essa contagem, no entanto, “cai por terra” quando os próprios profissionais não fazem com que a projeção matemática prevaleça. Cálculos e projetos são ótimos, mas é preciso haver pessoas para executá-los. Nesse caso, de que adianta projeções se o Vasco nunca é escalado com o que há de melhor em seu grupo? Se Joel Santana, tal como nós conhecemos, que já não faz um trabalho de qualidade desde sua última passagem pelo Botafogo, em 2010, adota um perfil da mediocridade sob disfarce da cautela, em detrimento de lançar mão do que os vascaínos julgam como de melhor em seu plantel atual?

Sabemos que não foi ao longo do presente campeonato que o Vasco teve um estilo de jogo, e não seria agora que acharíamos um que vencesse com facilidade e convencesse aos torcedores em sua plenitude. Entretanto, algumas convicções a maioria possui: Marlon e Fabrício não podem continuar a jogar nesse time titular. Na ausência de Lorran para a lateral esquerda, devolva-se Diego Renan à mesma e escale-se Carlos César na direita. No caso de Fabrício, qualquer opção dentre essas é muito melhor do que mantê-lo no time: Pedro Ken como segundo volante e Máxi Rodriguéz entrando como opção ofensiva no meio de campo; ou Aranda em seu lugar ao lado de Guinazú, ambos compondo a dupla de volantes.

Sobre Máxi Rodriguéz, não há argumentação válida, para mim ao menos, que me convença de sua não utilização logo de cara, no início das partidas. É muito melhor se resolver logo o problema do que deixar criar um maior para lançar a possível solução depois, em estágio muito pior. Já Thalles, não há o que explique suas quedas pelas laterais do campo, quando já ficou provado que, jogando centralizado tal como joga na seleção sub 20, seu rendimento é bem maior.

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E essas eleições que não chegam… Haja Santa Paciência também para isso…

@crismariottirj