Rodrigo – Milton Mendes – Nenê

Em qualquer que seja o seu trabalho, é muito possível que você pertença a uma equipe ou tenha um time subordinado a você. Ou as duas situações juntas.

Fato é que essas pessoas podem ser tecnicamente brilhantes ou limitadas. Pés de boi ou preguiçosos, desses que se escondem do trabalho e (pior) fingem estar sobrecarregados, à beira de uma estafa. Tenha o perfil que for, esses profissionais, antes de seus conhecimentos técnicos e de sua experiência no mercado, são pessoas.

E, como sabemos, existem pessoas e pessoas.

Trazendo isso para o futebol, sabemos que ser boa gente não significa bola na rede. Estamos fartos de ver seres marrentos, pedantes, que são excelentes jogadores de futebol. Mas, para desespero de todos, inclusive dos próprios, futebol não é um jogo individual. Num campeonato como o brasileiro, por exemplo, é necessário que se tenha 20, 25 jogadores em condições de entrar numa partida. E, óbvio, foco no objetivo de uma tarefa de longuíssima duração. Mais de seis meses de competição, viagens longas, hotéis, concentração, convivência forçada.

Se você tiver uma maçã podre no saco, pode estragar todas as demais.

Dentre todas as profissões, o jogador de futebol é o único a  se dar o direito de se apresentar fora de forma e levar semanas para entrar em condições reais de desempenhar o papel pelo qual é pago. Se imagine no seu serviço, seja ele qual for, dizendo para seu chefe: olha, eu estou fora de forma ainda. Daqui a uns quinze dias, vou estar 100%. Piloto de avião que não consegue pousar, cirurgião que não consegue operar direito, gari que não varre o lixo corretamente, jornalista que esquece o português e sai escrevendo barbaridades.

Jogador de futebol se dá o direito de se apresentar gordo. Mais! De estar gordo no meio do campeonato. Aposto que você conhece algum caso assim.

Você, reles mortal, se resolver se portar assim, vai para a rua.

Curiosa também é a forma de relacionamento interpessoal nesse mercado de trabalho. Sim, conheço gente que já saiu de empregos por causa de chefes mal intencionados, de ambiente excessivamente competitivo, desgaste com colegas de trabalho. Mas essa é uma situação limite – até porque, como sabemos, não estão chovendo empregos hoje em dia por ai. No futebol, isso é comum. O sujeito, contratado, resolve tirar o time de campo. às vezes simula contusões, outras diz que tem propostas. Em outras, orientado por empresários, se recusa a desempenhar em campo o papel que o técnico solicita. E assim, o empregador – o clube – é que se dana, porque o profissional só tem profissionalismo no bolso.

Mudando o foco, já tive chefes dos mais variados perfis. Cabe, no entanto, ao superior, entender o que se passa e extrair, da sua equipe, o melhor para a empresa. Sob essa ótica, o técnico de futebol deveria ser um elemento muito mais próximo dos clubes do que os jogadores. O futebol, no entanto, subverte essa relação. Problemas com o time normalmente são resolvidos da forma simplista. Rua com o técnico.

Dentre os milhares de defeitos da atual gestão do Vasco, não está o de chutar rapidamente os seus técnicos. Infelizmente, em 2015, tal “virtude” – que no nosso caso é, na verdade, uma teimosia, uma forma autoritária de esfregar na cara da torcida o poder – nos rebaixou, ao manter no cargo o inaceitável Celso Roth, que por mim jamais teria posto os pés de volta em São Januário.

Fato é que há problemas sérios de ambiente em São Januário. Daqui, de longe, parece um misto de inabilidade do chefe ao lidar com os jogadores com insubordinação pura e simples. Quem acompanha os jogos na Europa está cansado de ver jogadores veteraníssimos e coroados sentados no banco, sendo usados em momentos específicos das partidas. Sendo integrantes de um grupo.

Não sei se Milton Mendes é santo. Mas ontem, no incrível episódio com Rodrigo, no centro de campo, se saiu muito bem. Foi agredido por três vezes e aguentou o tranco. Imaginem as manchetes de hoje se perdesse a cabeça e revidasse: “Técnico do Vasco” briga com ex jogador.

Minhas críticas a Milton Mendes seguem as mesmas: o sujeito foi lateral-direito. Como não enxerga que nossas duas laterais seguem entregando os jogos? Será que não há, no plantel, outro lateral para pormos em campo que não seja Henrique, que já teve todas as chances do mundo e as desperdiçou?

Ninguém aguenta mais nenhum dos dois.

Por último, acho as atitudes de Rodrigo e Nenê inaceitáveis. Não há razão para partir para vias de fato. Tampouco agir da forma que o craque do time, candidato a ídolo da torcida, está fazendo. Ninguém é obrigado a trabalhar onde não quer, mas há formas e formas de fazê-lo. Nenê escolheu a maneira errada. Espero sinceramente que volte atrás e não deixe São Januário pela porta dos fundos.

/+/

O Panorama Vascaíno publica, ainda esta semana, entrevistas com os três candidatos anunciados da oposição: Campello, Brant e Otto. Os questionários foram idênticos para todos, com exceção de quatro perguntas específicas para cada candidato. Todos os vivas ao Kiko Abreu, que realizou a proeza.

Não deixem de ler!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *