Riascos, Thalles, Alfredo II, Mazinho e Rafael Vaz

Esta semana, depois do Cruzeiro, dono de seu passe, se negar a prorrogar o empréstimo ao Vasco, Riascos enfim deu adeus à Colina Histórica.

Graças ao bom Deus.

Vi, pasmo, um sem-número de vascaínos defender a sua permanência no clube por causa de sua identificação com a torcida, sua simpatia, comprometimento e dedicação. Outros queriam que ele ficasse porque “faz gol no Flamengo”.

Ainda bem que o Cruzeiro não aceitou a sandice vascaína de pagar 250 mil reais por mês para um indivíduo que não sabe jogar bola. Mesmo ciente de sua própria perebice (ou não!) Riascos sempre optou pelo caminho mais difícil e improvável para as jogadas que fez. Mesmo quando tudo deu certo e a bola foi parar no gol, foram pouquíssimas as ocasiões em que o desenrolar da jogada foi, digamos, normal. Sabem aquele passatempo de criança de ligar os pontos? Pois é. Acho que o Riascos nunca brincou daquilo.

E acho que estamos ficando loucos quando esperamos “dedicação e comprometimento” de um cidadão que percebe duzentos e cinquenta mil reais para jogar futebol. Riascos valia 50, se muito. Boa praça, folclórico… e só.

Muito obrigado por tudo. Até um dia. São Januário aguarda sua visita. Tirarei fotos com você quando encontrá-lo. Aliás, ouvi falar de um convite vindo do outro lado da cidade. Lá da Gávea. Não tire sua família do Rio. Peça pro Cruzeiro aceitar.

Tudo de bom!

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Nos anos 40 e 50, jogou no Vasco Alfredo Segundo. Craque histórico por suas ações dentro e fora do clube, é lembrado até hoje por ter jogado em todas as posições do time, até no gol. Nos anos 80, Mazinho foi transformado de um cabeça de área comum a um dos melhores laterais esquerdos (depois também atuou pela direita) do mundo.

Certamente há outros exemplos, dos quais me esqueço. O Vasco tem tradição nessas trocas aparentemente absurdas de posição, com resultados excelentes. O “coelho na cartola” de Jorginho não foi, portanto, pioneiro em nossa história. No entanto, como o texto do Kiko bem mostrou, a diferença entre ser uma besta e bestial pode ser questão de minutos, ou segundos. Gostaria muitíssimo que Rafael Vaz tivesse novas oportunidades nessa posição, com mais tempo pra jogar e sem estarmos com a faca no pescoço, como contra o CRB. O clube está à cata de um jogador que pode estar no plantel. E se resolveu (nessa e em tantas outras oportunidades), por que não considerar seriamente essa possibilidade? Espero que o Jorginho esteja com essa ideia em mente.

Por último, Thalles. A promessa de dois anos atrás conseguiu a proeza de, num ano de rebaixamento, no qual vários atletas não condizentes com a nossa camisa jogaram pelo clube, ser relegado a terceiro plano, sem ter ficado sequer no banco, por conta de sua conduta extra-campo. Jorginho esbravejou em público. Thalles foi o único jogador a ser publicamente criticado pelo técnico em todo o seu tempo de comando. Emagreceu, foi reintegrado. Nova proeza: ser banco para Riascos, de cujas habilidades falei no primeiro parágrafo. No primeiro jogo como titular, com a não renovação do Colombiano, 80 minutos inúteis. Até passar pela situação ímpar de ser substituído por um beque, numa suposta decisão desesperada de um técnico sem opções no banco. De fora, viu que a decisão era acertada e, com um sorriso amarelo, foi cumprimentar o herói do jogo após seu fim.

O jogo contra o CRB certamente será um divisor de águas para a sua carreira no Vasco. Ou encara a situação como mais uma motivação para reagir e voltar à forma que o fez ser considerado promessa, ou o fantasma de Vaz o fará apagar-se de vez. Jorginho não só achou Rafael Vaz. Deu em Thalles um cheque. Ou reage, ou a fila vai andar.

A bola está com ele.