O relaxamento fatal

Duas expulsões foram os momentos decisivos da partida de hoje, Botafogo 1 x 0 Vasco, na qual perdemos o título carioca nos pênaltis.

A primeira delas de Fabrício, do Vasco, com 32 minutos do primeiro tempo, numa falta violentíssima – que tirou o adversário de campo – e injustificável. Não havia acontecido nada em campo que justificasse a entrada criminosa, corretamente premiada com cartão vermelho. Fabrício foi o destaque da semifinal, errando tudo e, no último minuto, fazendo o gol que nos levou para a final.

Não acho que se tenha de procurar culpados para as derrotas, nem crucificar aqueles que erram, pois todo mundo já fez merda um dia. No entanto, há cagadas e cagadas. A irresponsabilidade de Fabrício jogou por terra todo o esquema de um time desfalcado e cansado, que havia disputado uma batalha fundamental contra o Cruzeiro no meio da semana, enquanto o adversário descansava e se preparava para o jogo de hoje. Não creio que devesse continuar no clube, pois seu erro transcende o aceitável e ficará escrito na história.

A partir dai, vimos um Vasco focado, com uma dedicação digna de Vasco, jogadores honrando a camisa, sendo raçudos, correndo pelo jogador que faltava.

Até que a vida nos pregou uma peça.

A segunda expulsão do jogo, a de Léo Valencia, do Botafogo, aos 48 do segundo tempo. Eu, daqui, suspirei de alívio. A torcida começou a cantar (graças a Deus não se ouviu gritos de campeão). Verdade seja dita: esquecemos dos últimos dois resultados, de como eles vieram. E relaxamos. Na frente da TV, no estádio. Em campo.

E o time relaxou… A bola foi pro ataque, Rios perdeu mais um gol. O jogo, que iria até os 50, não tinha acabado. Tomamos um gol de linha de passe, com a bola cruzando a área de um lado para o outro, até um beque, completamente livre, quase na pequena área, empurrar a bola pra dentro do gol. Perdemos nos pênaltis.

Apesar da tristeza de ver a taça voar no último lance do jogo, o time, a exceção de Fabrício, já citado acima, e de Evander, que se comporta como se fosse melhor que Maradona, vem atuando de forma muito digna. São cientes de suas limitações e honram a camisa do clube. Ganhar ou perder é do jogo. A gente quer ganhar sempre, mas infelizmente há um adversário.

Fomos muito além do que pensávamos dois meses atrás, e acredito que tenhamos um ano interessante pela frente. Não esqueçam que o time de hoje não tinha Paulinho, Rildo, Geovani Augusto, Wellington, além de Breno, Ramon e Kelvin, que seguem sua recuperação. São sete jogadores que, quando disponíveis, vão certamente fortalecer, e muito, o time.

É bom lembrar que teremos um ano totalmente atípico, pois estamos a dois meses da Copa do Mundo, que, por razões climáticas, acontece mais cedo no ano, em junho, em vez de julho. Na prática, serão duas temporadas distintas, e isso nos ajudará na recuperação dessa turma toda.

Enfim, não se pode ganhar todas. Paciência. Fica a tristeza por não ter ganho, mas a satisfação de ter um time, com padrão de jogo e com um técnico.

Dias melhores virão.

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Eu detesto o Botafogo. Vida que segue…

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Agradeço, de coração, ao meu amigo Ricardo Fortes por ter cuidado do Panorama na minha ausência, por um caminhão de vários problemas. Obrigado. Vamos adiante!