Que se faça justiça

O fim de semana trouxe algumas certezas. Algumas esperadas, outras nem tanto. Mas de concreto, estamos assistindo a mais um capítulo da derrocada do futebol carioca. Isso já vem acontecendo a passos largos há anos, mas os últimos acontecimentos deram o tom de que a cega justiça nos deu de bandeja um presente de grego. Até que as figuras mudem em breve, teremos uma semifinal com apenas uma torcida. E infelizmente não será a nossa.

Tudo isso graças ao oferecimento da torcida do nosso maior rival em campo. Os fatos da partida entre Botafogo e Flamengo foram desastrosos para o futebol do Rio e numa decisão judicial, qualquer clássico carioca terá de ser realizado com apenas a torcida mandante. Como o time da Gávea teve melhor campanha nessa primeira fase da Taça GB, ficarão com essa vantagem. A diretoria já se colocou extremamente contra e provavelmente, inclusive, com a possibilidade de não entrar em campo caso isso aconteça. Lógico, o Eurico tem as batalhas dele, mas isso realmente é inadmissível. Primeiro que não se pode dar uma vantagem dessas a quem causou toda essa dor de cabeça e, também, pelo fato de que clássicos sem torcida ou com apenas uma é um posicionamento dos mais errôneos que possamos imaginar.

Para completar, no último jogo em São Januário, neste sábado, tivemos mais uma ideia estapafúrdia vinda da torcida rubro-negra. Um torcedor (há de convir que isso não é coisa de torcedor, os próprios rubro-negros execraram a situação, mas vamos chamá-lo de torcedor assim mesmo) de fazer uma aposta via redes sociais de que entraria no jogo e se infiltraria na torcida vascaína para, só então, tirar uma foto de sua tatuagem. Um emblema de seu time, no meio da torcida rival. Não demorou muito para que seu plano nada infalível fosse descoberto e tivesse de ser escoltado pela polícia para não ser espancado lá dentro. É inegável que mesmo uma atitude besta como essa merecia castigo, mas espancamento certamente não é a mais racional. Mesmo assim aconteceu e só assim foi levado para fora do estádio.

Mais triste perceber que somente conseguimos a vaga no último jogo e por um placar magro contra a Portuguesa, é ver tudo isso acontecendo. Parece que estamos de braços cruzados assistindo passivamente. Um torcida de tradição como a do Vasco tem de reclamar mais do time, do técnico, da comissão, por resultados e títulos, mas o nosso passado tem lutas muito mais gloriosas e todos sabem disso. É preciso levantar a bandeira da real justiça, pelo bom desempenho dos eventos, de uma tabela que seja favorável ao calendário, e, principalmente pela paz.

Já estamos sem o Maracanã, pelo descaso total da CBF e dos governantes, que deixaram o maior do mundo cada vez mais mutilado, mesmo logo depois de ser reformado. Já temos um time que somente agora trouxe um jogador que pode impor mais respeito. Que o Luís Fabiano faça tudo o que sabe e já mostrou nos demais clubes por onde passou. Mas ter os jogos restritos somente a São Januário e ao Engenhão, e com clássicos desta maneira, seria como chutar um cachorro morto.

Não sabemos se a moral se perdeu junto com a geral do Maraca, se a vergonha se perdeu na primeira vez em que tivemos que amargar a segunda divisão, se o ócio mental se instalou na mentalidade de que nossa diretoria se resume aos que apoiam Eurico ou Dinamite. Todos nós já vimos que nem um e nem o outro foram capazes de fazer do Vasco uma força a ser respeitada como nas décadas de 90, 70 e 50. Um time com mais de 100 anos não se resume a duas pessoas atrás de uma mesa e um charuto.

Antes de tudo queremos a volta do bom futebol carioca. Que se faça justiça.