Quando o Vira era respeitado

Em 1997, Portuguesa e Vasco – dois dos maiores times do país – estavam na luta pelo título brasileiro. Naquela época, a Lusa Paulista havia sido vice-campeã brasileira um ano antes, história essa que não foi concretizada com o título por parte do clube paulistano por seis minutos somente, em um chute indefensável de Aílton, que fez a festa gremista. Ao Vasco, coube um trabalho de reconstrução de seu plantel iniciada em outubro de 1996, chegando ao Brasileirão do ano seguinte (1997) forte e tendo revelado Felipe e Pedrinho, em especial, elementos importantíssimos para aquela caminhada histórica rumo ao terceiro título do certame.

Durante a fase inicial, foram quase todas as rodadas na liderança da competição. Naquela campanha, uma vitória suada em pleno Canindé, por 2 a 1. Foi, então, na fase de grupos entre os oito classificados, que Vasco e Portuguesa fizeram, para mim, os dois confrontos mais importantes de todo o histórico envolvendo esses dois clubes. Tal como a Portuguesa já ficara marcada na história do clube de São Januário em três ocasiões anteriores (Roberto Dinamite vestindo a camisa da Lusa em 1989; Dener sendo transferido da rival paulista e terminando seus dias na Colina Histórica em 1994; e a reestreia do “bacalhau” Edmundo por nosso Vasco, em 1996), caberia em tal ocasião entrar como o time que foi batido rumo ao título.

Em um espaço de três dias, foram dois confrontos inesquecíveis que valem, até hoje, por quase duas décadas de saudosismo. Somente um de quatro times por grupo chegaria à final, e somente o campeão teria vaga para a Libertadores no ano seguinte. Sem dúvida e após um confronto em que o melhor time daquele campeonato saiu derrotado “moralmente” por seu arquirrival após um inssosso empate três dias antes do primeiro confronto entre os rivais luso-brasileiros, ao Vasco restava abrir seu caminho rumo ao seu (nosso) sonho do título e da Libertadores em pleno centenário (1998) derrotando a Portuguesa em tais confrontos.

E para quem tinha jogadores como Edmundo em sua melhor fase de toda sua carreira, Evair, Pedrinho, Felipe, Juninho, Ramón, Mauro Galvão, Carlos Germano e outros – mesmo estando à frente de um grande rival também, com o bom Rodrigo Fabri em grande fase – não era missão impossível. Ao contrário do presente momento, eram tempos em que o Vasco se agigantava tanto dentro de casa (terminamos a competição INVICTOS nos confrontos sob nossos domínios) como fora também. A vitória de virada naquela quarta-feira à noite trouxe no outrora “maior estádio do mundo” um alívio, a confiança e a certeza de que estávamos MUITO vivos naquela disputa, ao contrário da “máscara” que a imprensa fla-pressiana tentava nos impor, relembrando o fracasso de 1992 em condições semelhantes – com mesma fórmula de disputa, inclusive.

Vasco 2 x 1 Portuguesa

Na noite do sábado seguinte, novo confronto entre os lusitanos. Terceiro confronto, terceiro local diferente, segundo na capital paulista. O palco, agora, era o Morumbi. Mudou-se o palco do confronto, mas não o vencedor. Terceira vitória, agora por 3 a 1, eliminação do rival direto com time mais forte dentre os outros três do mesmo grupo e a certeza de que a classificação estava muito bem encaminhada. Não tenho dúvidas de que tais vitórias foram fundamentais para trazer a tranquilidade e a convicção final que não haveria nada a temer em novo confronto que teríamos diante do clube “queridinho da mídia esportiva” quatro dias depois. Tal como não tememos: mais uma vez, o gigante foi gigante, venceu e o restante dos acontecimentos a história não apagará…

Portuguesa 1 x 3 Vasco

Passados quase dezessete anos, entretanto, Vasco e Portuguesa não são sequer sombras do que representaram naquele fim de século, em especial. Seja pela formação de jovens valores, na qual ambos sempre foram dois dos grandes no em território nacional, seja pelos times profissionais de futebol. Juntos caíram em 2008, e tal como somente os caprichos da história são capazes de proporcionar, juntos voltaram à mesma famigerada divisão, na qual ambos (o Vasco em patamar de grandeza e de torcida muito maior) não merecem estar. Não por suas incompetentes diretorias e gestões que os apequenaram ao longo do presente século, inclusive, aos pensamentos de seus torcedores… mas por tudo que representam ao futebol, tendo nesses dois capítulos de seus confrontos diretos escritos no sempre vivo ano de 1997 para nós, vascaínos, um exemplo de quão dolorosa pode ser a saudade quando acompanhada da tristeza por seus atuais momentos.

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No Vasco da desesperança, medidas de impacto capazes de conter a tempo um desastre ou não são tomadas ou são tomadas de forma muito tardia, tal como em exemplos anteriores. Isso agravado, ainda, pela descrença em quem comanda o nosso clube, tamanha a obviedade de que há algo muito errado em São Januário, também, no gramado.

Não é preciso ser sábio para se perceber que, mesmo com o “desconto” dado pelos desfalques, Adílson Batista não tem mais “química” com o grupo que dirige. Os jogadores desse elenco, que já é bem modesto, parecem não crer mais em suas escalações, em seus potenciais para, mesmo não compondo um grande time, render bem mais do que vêm rendendo.

Atribuir a Adílson como sendo dele a única culpa por essa campanha “arrastada”, até então, é ser simplista e, conforme já comentei em texto anterior, míope futebolístico. Mas crer que é a permanência de Adílson a atitude mais recomendada nesse atual momento vascaíno é outra miopia, tal como foi com PC Gusmão e, mais recentemente, Dorival Júnior.

O Vasco precisa não somente de um novo comandante, mas de novos jogadores que possam dar “oxigênio” a essa equipe. Contudo e tal como no caso do técnico, assim como vencer a barreira de se abrir para uma mudança providencial, deve-se saber a quem recorrer mediante o precário tecnicamente mercado da bola brasileiro, em que os poucos bons valores ou estão empregados em clubes da série A ou residem fora do Brasil e, além de ganharem muito, dificilmente aceitariam disputar uma Segunda Divsão.

Sobre esse cenário, insisto que o respaldo de uma diretoria administrativa com novo gás, ânimo e que soubesse passar maior credibilidade e certeza de amparo, bem como a identidade de um clube gigante – ao contrário do “coitadismo” e do sentimento de pequenez que a atual gestão passa – aos jogadores seria de fundamental importância. Contudo, ainda são mais dez partidas até a troca de gestão, e depois só Deus para saber o que nos reserva o nosso futuro.

Ao menos e mesmo diante de todas essas dificuldades, minha torcida é para que possamos dar, hoje, diante da mesma Portuguesa do nosso caminho de 1997, um passo rumo ao encontro com a regularidade nessa série B, depois o caminho retilíneo rumo ao G4, e a partir daí, quem sabe, administrar para um bem mais feliz 2015!

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Fiquei “encucado” com uma notícia que li ontem no SuperVasco e em outras mídias vascaínas: como Joel Santana pode entrar na Justiça contra o clube cuja gestão de sua última passagem quando lá esteve “pagava a todos” e “devia nada”, conforme seu ex-Presidente e hoje candidato a voltar costuma dizer quando lhe é perguntado?! Estaria “Papai Joel” ficando “caduco, confundindo as bolas” com outros clubes?! Estranho…