Punições, transmissões e horários

Vasco X ABC de Natal. 3a feira, 19:30h. Mesmo horário para as duas partidas. Chegar a São Januário nesse horário é tarefa das mais difíceis, seja pelo trânsito na região em horário de rush, seja pela hora em que um cidadão trabalhador pode deixar seu posto de trabalho. Foi uma dificuldade encontrar o jogo na tv. A Fox transmitia. Sportv nos ignorou solenemente. Para vocês terem uma idéia disso, a reportagem no dia seguinte mostrava na tv a locução de rádio do jogo.

5a feira, o Fluminense atuou num horário ainda pior. Seis da tarde contra o Goiás pela Sul-Americana. Choveram protestos no Panorama Tricolor. Como estar dentro de um est´dio num dia útil às 6 da tarde?

Enquanto isso, advinhem quem jogou no horário nobre da tv? Pois é.

Sutilmente mudei de assunto. Sem mudar. O horário “nobre” é uma das razões conhecidas da fuga de público do futebol brasileiro. Mas a mesma razão que dificulta a presença do torcedor num estádio às 18h, 19:30h, dificulta a sua presença na frente de um aparelho de tv. Então, apesar de 22h ser um horário tenebroso para se estar num estádio, estamos falando de problemas muito distintos.

É muito fácil dizer que a torcida está encolhendo. Com a complacência do Vasco, estamos sendo escondidos do nosso público enquanto o oponente recebe a superexposição costumeira.

E ai temos de aturar vascaínos que acreditam que o encolhimento da nossa torcida se deve naturalmente aos resultados horrorosos da última década. Pesquisas “comprovam” que nossa torcida encolheu. E mostram que cerca de um terço dos torcedores do país “torcem” pro arqui-rival. Mesmo que esses torcedores não tenham a menor noção do que se passa num campo de futebol. Não saibam sequer um único nome de jogador atual do clube.

Ao bebermos passivamente essa besteirada, a gente está efetivamente encolhendo.

Minha filha de quatro anos é Vasco. Os resultados atuais não influíram nessa escolha. Tampouco foi imposição. Ela associa o Vasco a uma coisa boa, que traz felicidade para o pai. Será que existe algum pai vascaíno que vire para o seu filho e diga: filho, toma aqui uma camisa do Real Madrid e torce pra esse time porque o Vasco não ganha nada? Claro que não. Embora alguns ajam como se fossem fazê-lo.

Kleber toma três jogos de suspensão pela agressão a Gustavo Geladeira.

O Vasco levou dez jogos de gancho por causa da pancadaria em Joinville, num jogo em que não tinha o mando de campo e no qual não havia um único policial presente no estádio. Fomos agredidos e punidos indevidamente com rigor. A Nissan, então patrocinadora do Vasco, nos abandonou soltando uma nota infame atribuindo a rescisão do contrato à violência da torcida vascaína. Minha. Sua. Parênteses: Um mês depois dessa atitude, já havia vascaíno nas redes sociais reclamando por eu criticar a Nissan.

Eis que o mundo dá voltas e vemos o Grêmio envolvido num problema semelhante, em que sua torcida tem um comportamento inaceitável para um campo de futebol, só que agora envolvendo racismo. Aos que se apressam em dizer que foram uns poucos que o fizeram, no caso do Vasco também. Dá pra identificar quem foram as pessoas envolvidas tanto quanto na pancadaria de Joinville. E no entanto, sofremos sucessivas punições pesadas. Nessa ocasião passamos dez jogos suspensos. Prejuízos financeiros sérios.

E o Grêmio? Será punido? Os dois fatos são igualmente graves, sendo que ainda tínhamos o atenuante – ignorado – de não termos sido os mandantes do jogo. Posso estar enganado, mas duvido que aconteça qualquer coisa próxima da nossa

Nesse ponto, temos um fato: O Vasco se apequenou. Não na torcida, mas no seu posicionamento quanto aos outros clubes, federações, patrocinadores e imprensa.

Isso tem de ser revertido pra ontem.

abraços

Zeh