Primeiro de maio

Bastaram poucos minutos em campo para que os dois garotos – Yago e Marquinhos – mostrassem a completa inutilidade do primeiro tempo do Vasco.  O engraçado da coisa é que a mudança do bestial técnico Adilson Batista foi apenas a substituição de Montoya e Reginaldo pelos dois já citados.  Não houve nenhuma alteração de posicionamento, nenhuma mudança tática. Nada. Dois garotos no lugar de dois inúteis.

Reginaldo não disse, até hoje, o que faz no Vasco. Jogador já veterano, perambulou pela Italia em times menores até reaparecer no Vasco. Forte fisicamente, não consegue traduzir a força física em nada produtivo dentro de campo. Podia juntar-se a Barbio e sublimar. Ou seja, passar do estádo sólido ao gasoso instantaneamente. Virarem gases.

Montoya… A torcida quer vê-lo jogar. Mas até hoje, tirando os primeiros jogos do Campeonato Carioca, quando jogou duas partidas bem até contundir-se, nada fez. A dúvida é saber se é pura enganação, o que o faria um ciscador sem controle e inútil, ou se está sendo massacrado por um técnico que o faz jogar apenas na ponta-direita. Qual a real posição de Montoya? Qual o real Montoya? Espero que não tenhamos essa resposta ao vê-lo jogar em outro time. Como, aliás, aconteceu com outro gringo canhoto: Dario Conca. Renato Gaúcho o manteve no banco meses a fio. Depois, foi para o Flu e praticamente o levou junto. O resto é história.

Enquanto o São Paulo gasta uma montanha de dinheiro com Alan Kardec (meu Deus…), Thalles vai, aos pouquinhos, conquistando seu espaço no Vasco. Tomara que dure. Tem cara e jeito de que vai longe. A briga por Kardec é, por sinal, a prova cabal de que estamos vivendo novo momento de penúria técnica. Não é possível que dois dos maiores clubes do Brasil briguem por um refugo do Benfica, de Portugal, que deve querer loucamente se livrar do ebó.

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A única vez que chorei pela morte de alguém “desconhecido” foi por causa de Ayrton Senna. Assustador pensar que já tem 20 anos que tudo aquilo aconteceu. Assustador pensar que toda aquela trajetória meteórica durou dez anos. E que as pessoas, eu inclusive, não esqueceram do cara e de toda a felicidade e dor envolvidas. Aquele foi um dos dias mais tristes da minha vida. Assistia àquela corrida sozinho, num apartamento então alugado pela minha mulher. Quando vi a cena, não tive dúvidas do que tinha acontecido e fui acordá-la dizendo que achava que o Senna tinha morrido. O resto, todo mundo viu. Infelizmente.

Saudade.

Zeh