Presidência do Vasco da Gama

Tenho muito medo de aviões. Para mim, é um verdadeiro sacrifício entrar numa lata de sardinha daquelas e voar pra lá e pra cá. É uma espécie de castigo ter de ir e voltar de Brasília pro Rio pelo menos uma vez por mês. Mas não há escapatória. Dezesseis horas de estrada não são uma alternativa.

Num tipo de masoquismo, não durmo e prefiro viajar na janela pra acompanhar o que está acontecendo. Me borro mais de medo com a vinda pro Rio. O procedimento de descida começa e o avião passa desagradavelmente perto da Serra do Mar.  Quando essa parte da viagem é feita por instrumentos, ou seja, quando a lata de sardinha está envolta em nuvens, ai tenho vontade de rezar em voz alta. Em certas ocasiões, o Rio de Janeiro só surge das nuvens quando já estamos em cima do mar, perto da Ponte Rio-Niterói ou do Pão de Açúcar. Não há tempo mais para respirar. Em dois, três minutos, pouso no Santos Dumont. E ai, quando aquela coisa freia, tenho a certeza de que sobrevivi.

Na hora das nuvens, somos mais passageiros ainda. Não dá pra enxergar nada. Não se entende pra onde se está indo. E quando se sai delas, às vezes é tarde para se fazer qualquer desvio de rota.

Essa é a eleição do Vasco. Estamos em pleno procedimento de pouso, e não se enxerga nada. Nuvens por todos os lados.

De dentro do avião, se sabe que há um piloto e um co-piloto. Será? Não se vê o que se passa na cabine. Você sabe que alguém está controlando a coisa toda. Mas você não tem ideia de quem é esse alguém.

Na eleição do Vasco há um mar de chapas. Três chapas mais “sólidas”. Três pilotos. Então você se senta confortavelmente no avião de uma delas. Olha pela janela. Nuvens. Só vai descobrir quando pousar quem na verdade está pilotando aquilo ali.

É tudo o que vejo. Nuvens. Dúvidas. Só quando o avião estiver pousando é que a gente vai começar a enxergar as coisas. Talvez só depois.

Que aterrissemos.