Pra sempre em seis minutos

Segunda semifinal. Argentina e Holanda.

16h55 em São Paulo. Times perfilados. Hinos, cumprimentos formais. Cara ou coroa. Times novamente perfilados. Um minuto (de trinta segundos) de (não) silêncio em homenagem a Di Stefano. Bola no centro. 17h01, é dada a saída.

Neste intervalo de tempo, a seleção brasileira levou quatro gols da Alemanha.

Perder de sete pode ser fruto das circunstâncias de um jogo. Levar quatro gols em seis minutos, não é. Não há nenhuma explicação plausível para que isso tenha acontecido. Nunca ouvi falar de algo parecido no futebol profissional.

Em 1958, disputando a final do mundial contra a dona da casa, Suécia, o Brasil tomou um gol de Liedholm logo no início da partida. Didi veio até o gol, pegou a bola, colocou embaixo do braço e caminhou calmamente até o meio de campo para dar a saída.  Acalmou o time, esfriou o jogo. O resultado, todos conhecemos.

Num momento como o de ontem, há várias alternativas. Algumas:

Alguém cair no chão e estrebuchar. Julio Cesar, ao tomar o segundo gol, em que pula duas vezes atrás da bola de Klose, deveria ter ficado contundido uns cinco minutos, esfriando o jogo. O goleiro não pode ser tirado de campo para o prosseguimento do jogo. Enquanto estiver à morte, estirado no chão, o juiz é obrigado a aturar.

O técnico substituir alguém. O mundo sabia, àquela altura, que a escalação de Bernard era um completo desastre. Então, que chamasse Ramires, Dani Alves ou quem quer que fosse e o colocasse imediatamente ao lado do campo e mexesse no time. Não havia mais razão para não queimar alguém da “família” Scolari.

Dar um pau firme num alemão. Fechar o tempo. Cinco minutos de confusão. O suficiente para mudar o momento do jogo, chamar a torcida de volta e dar tempo para acalmar os nervos da equipe. Pode sair um expulso? Pode.

Nada. Ninguém fez nada. Não havia, nessa equipe, um único líder. Nem no banco, nem no campo. Gostaria muitíssimo de ter acesso ao material bruto da transmissão da Fifa para poder ver as reações do banco – jogadores e comissão técnica – nos eternos seis minutos da hecatombe. Essas imagens dariam muitas respostas acerca do que verdadeiramente se passou em Belo Horizonte naquela tarde.

Perder? É do jogo? Ser goleado? Também.

Apatia? Letargia? Covardia? Jamais.

O tempo vai passar. Estes seis minutos já estão na eternidade.