Por que o Aislan continua no time?

Até duas semanas atrás, Aislan era apenas um integrante do plantel do Vasco. Terceiro reserva, em muitas ocasiões nem no banco ficava. Em Janeiro deste ano, notícia dada em um canto de página, sem alarde, teve seu contrato com o Vasco renovado até o fim de 2016. As redes sociais reagiram com leve ironia, já que nem a mãe do beque imaginava vê-lo muito em campo neste ano.

Fala-se por ai que sem sorte não se atravessa nem a Avenida Rio Branco. Pois é.

Rafael Vaz, picado pela mosca azul, foi-se embora para o império do mal. Jomar, em quem deposito a maior fé, sofre uma artroscopia.

Sobram os titulares e Aislan. Luan contundido, depois suspenso por três cartões; Rodrigo idem. Três partidas seguidas de Aislan. Três atuações catastróficas. Duas derrotas. Pior, Luan segue para as olimpíadas e ficará praticamente o mês inteiro fora. O Vasco despenca na pontuação e queima toda a “gordura” que tinha acumulado nas rodadas anteriores.

Por que raios Jorginho persiste com Aislan?

Não existem beques nos juniores?

Em fevereiro de 2015, o beque Italo Santos, destaque na Copa São Paulo de Juniores, deixou o Vasco por “deficiência técnica”. Gratuitamente, foi então parar na Inter de Milão.

Leia a matéria do GE.com

Em todas estas histórias, em todos os contratos, de praticamente todos os clubes do Brasil, dos que vêm e os que vão, há a figura do empresário. Os anos em que se vestia a camisa do Vasco por méritos, pela bola que se joga, se foram. Em tendo um bom empresário, contrata-se Aislan, Bruno Ferreira, Victor Bolt. Isso, infelizmente, acontece em qualquer clube, com maior ou menor intensidade, dependendo do grau de contaminação da instituição e da gestão que a pilota.

“Queimar” o Aislan (como se fosse possível queimá-lo ainda mais do que com as atuações lamentáveis que vem tendo) sacando-o do time para colocar um beque dos juniores significa, em termos econômicos, detonar o investimento de algum grupo e contrariar interesses de algum poderoso. Se este tiver outros jogadores no plantel, renovações se dificultam. Crises podem ser criadas.

Empresário pode derrubar técnico. Convocar jogador para seleção.

Como em muitas outras situações na vida, a ingenuidade é um santo remédio. Quando você começa a entender os personagens que influem, hoje, no seu time de futebol, na seleção brasileira, você percebe o quanto é idiota se estressar com futebol.

Repito: isso não é exclusividade do Vasco. Felizmente. Ou infelizmente.

E eu sigo me estressando e me enfurecendo.