Podíamos ter ganho do Avai e do juiz

Cerca de vinte minutos do segundo tempo. Nenê, em mais um partidaço, botou Rafael Silva em ótima condição e se ofereceu, sozinho, pra fazer dois a zero e liquidar a partida contra o Avai. Rafael Silva preferiu fazer tudo sozinho. Chutou por cima.

Esse foi o lance do jogo. Teria liquidado o Avai e tornado inócua a participação desastrosa da arbitragem.

Sua Excelência, o juiz, um ilustre desconhecido que havia até então apitado um único jogo deste campeonato de mais de quinhentos jogos, marcou um pênalti corretamente e, cinco minutos depois, não teve a coragem de marcar um segundo pênalti escandaloso sobre Jorge Henrique. Neste lance, levou uma eternidade para apitar, como que pensando o que ia fazer. Deu então falta para o Avai, como se Jorge Henrique pudesse ter derrubado o beque sobre si, numa marcação ridícula. O pênalti marcado para o Avai, numa ação bisonha do horroroso Madson, ocorreu um passo fora da área.

Ridícula também foi a participação de Antero Greco numa resenha, agora à tarde, na ESPN. Viu cama de gato de Jorge Henrique no lance. E conseguiu afirmar que o pênalti marcado, no qual a bola toca três vezes nas duas mãos do jogador do Avai, que impede o prosseguimento da jogada, foi um lance normal.

Fica cada vez mais claro que o que vemos sob a alcunha de jornalismo esportivo hoje em dia nada mais é do que um exercício de ficção, onde os participantes seguem um roteiro de agradar a alguns e usar outros – Vasco, claramente – como sacos de pancada e alvo de piadinhas e achincalhes.

De resto, nada perdido. Catorze pontos ganhos em dezoito possíveis. Poderíamos ter ganho hoje, mas o limitadíssimo Avai teve seus méritos. O Vasco jogou bem, mas não liquidou o jogo quando teve oportunidade. Ainda assim, a rodada pode ser boa pro Vasco, dependendo dos resultados de agora à tarde.

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Pergunta pra sua reflexão: você gosta mais do Vasco ou de ganhar? Não importa que o time venha bem, jogando com garra, vontade, que o juiz tenha operado o Vasco. O time empata e lá vem uma chuva de impropérios, derrotismo. Sabe, meu caro, no futebol, às vezes se perde. Às vezes, se empata. E, pior, chocante pra alguns, às vezes se perde!

A timeline de alguns conhecidos me lembra minha irmã, quando adolescente, jogando war. Quando a derrota se aproximava, jogava tudo pro alto. “Não quero mais jogar. Você rouba!”. Total despreparo para os revezes. Se você se enxergou nesta crítica, esteja à vontade para me xingar, mas aproveite a oportunidade para pensar se é realmente do Vasco que você gosta ou da inebriante sensação de ganhar.