Pobre rico Vasco

Foi uma semana de fortes turbulências. Não bastasse o empate com a Chape no último minuto, mais de 184000 associados e um duro golpe: dívida de 60 milhões com a Fazenda Nacional. Saída de Vanderelei Luxemburgo. Penhora do prêmio do Brasileiro 2019. Quando tudo indicava um final de ano tranquilo, acontece esse duro golpe contra o Vasco.

Diante de artigos publicados, questionando o quanto os urubus ganham de cota de TV, como o do diretor do CAP, Mario Celso Petragila. Em primeiro lugar, é óbvio que a desigualdade é algo indecente. Mas primeiro, é preciso fazer uma análise mais fria. Se o contexto chegou nesse ponto, é porque se permitiu que tudo chegasse nesse ponto. A partir do momento em que se chegou nas negociações atuais, é que se explica esse anacronismo. Mas tudo começa quando o clube dos treze se esfacelou na era dos pontos corridos. E a torcida cruzmaltina sempre reclama disso. Mas não adianta espernear. No caso particular do Vasco, o clube foi forte da segunda metade dos anos 80 até o ano de 2001. Uns 15 anos em que se peitava o rival urubu. Então havia uma igualdade maior de condições nessa época. Mas é simples se explicar a razao: o Vasco tinha por trás a colônia portuguesa que financiava o clube. Com Calçada no poder, a colônia portuguesa investia milhões no clube. E o Vasco se escorava nisso. Ocorre que a colônia portuguesa encolheu. Ou desapareceu. O Vasco não precisava das cotas de TV.

Só que, em 2001, Eurico Miranda assume. A colônia portuguesa opta por abandonar o Vasco. Cotas de TV ainda igualitárias. Mas a partir de 2003, a coisas começam a mudar e progressivamente Flamengo e Coritnhians começam a receber mais, a partir daí. Ao mesmo tempo, o Vasco vai perdendo o apoio gradativamente da colônia portuguesa. E começa o abismo entre urubus e cruzmaltinos até os dias de hoje. O que é preciso que nos detenhamos aí é que, embora a cota de TV seja estranhamente díspare, o Vasco cometeu barbeiragens graves. As brigas politicas internas que inexistiram na era Calçada, vieram com tudo quando ele saiu. O grupo de Eurico assumiu e a colônia portuguesa deixou de ajudar. Com isso, a fonte de conquistas secou e o Vasco começou sua derrocada ao começar as lutas para não cair, até o primeiro rebaixamento em 2008. Antes algo impensável. Então, é preciso também falar dos nossos próprios erros.

Pobre rico Vasco. Nos dias de hoje, temos um clube com penhoras constantes, dívidas que ultrapassam 600 milhões de reais. E são mais de 15 grupos políticos diferentes. Uma verdadeira zona. Um clube esfacelado e as correntes nunca se entendem. Com isso, o Vasco não consegue andar e o Flamengo fica cada vez mais a frente. Logo não adianta reclamar que o Flamengo ganhou tudo esse ano e tals. Tudo isso advém não apenas da distribuição desigual de cotas, mas sobretudo aos próprios erros. Portanto, essa discussão de que o maior rival tem a cota mais alta e portanto há uma injustiça na distribuição das cotas é uma discussão vazia. Isso não irá mudar. Portanto, ao invés de o Vasco se fazer de vítima, o que deveria ser a preocupação principal é o Vasco se unir novamente e juntos fazer a reestruturação de que o clube tanto precisa desde 2001. Então esta coluna conclama a todos os cruzmaltinos se unirem imediatamente e mãos a obra. O Vasco não pode mais esperar. Feliz 2020.