Pizza Portuguesa

Nos anos noventa não era raro de se ver disputas acirradas entre o Vasco da Gama e o Palmeiras, Torneios Rio-São Paulo, Libertadores e até finais como Mercosul e Campeonato Brasileiro. Assim como grandes elencos formados por ambos os times.

Dias de passados gloriosos com ídolos recentes dos dois lados: Carlos Germano, Mauro Galvão, Juninho Pernambucano, Ramon, Felipe, Juninho Paulista pelo lado cruzmaltino. César Sampaio, Marcos, Arce, Alex, Rivaldo e Junior pelo lado palestrino.

A simbiose era tanta que até o compartilhamento de excelentes jogadores era comum: Evair, Luisão, Euler e Evair e até um ÍDOLO em comum: Edmundo – animal para eles, bacalhau para a gente.

Quis o destino que no melhor ano individual desse ídolo em comum, ele disputasse a final do brasileiro em um jogo entre as duas equipes.

Eu estava naquele Maracanã lotado. Era nítido o carinho que os palmeirenses tinham e têm pelo Animal. Revivendo a sintonia, até entre seus torcedores organizados existe uma espécie de aliança. Força Jovem do Vasco e Mancha Verde são torcidas aliadas. Uma se sente em casa no território da outra e até em hediondos embates essa duas facções estão unidas.

Os clubes sofreram também com dirigentes sujos e polêmicos. Mesmo quando atravessavam excelentes fases, eram comandados por senhores feudais que mandavam e desmandavam em seus clubes até no cenário nacional. Eurico Miranda e Mustafá Contursi, miseráveis da pior espécie. Salafrários indignos que fizeram dos clubes o quintal de suas casas, aliás, duvido que tratem de seus respectivos quintais como trataram de Vasco e Palmeiras. Afundaram os clubes em dívidas com suas parcerias com Bank of América e Parmalat. Deixaram para o futuro um eterno carnê para ser pago e um vasto livro de piadas para os adversários.

Quando o destino nos fez ver livre – ou pelo menos nos deixou achar – deles, entram Dinamites e Nobres, paladinos da falsa esperança que com sua incrível falta de visão esportiva nos afundou mais ainda, em um buraco que para mim sinceramente tinha fim.

Vasco e Palmeiras, heroicos no passado, hoje acumulam juntos quatro rebaixamentos. O Palestra, depois da vexatória derrota do último final de semana, herdou a lanterna da Série A. O Vasco da Gama teima, insiste, bate o pé para a permanência no pelotão de baixo. A falta de qualidade e garra refletem na quantidade de empates no campeonato e sua posição na tabela.

Se me perguntarem hoje se tenho convicção que o meu clube de coração conseguirá o acesso, minha resposta é não, não tenho certeza.

Vasco da Gama e Palmeiras possuem torcidas gigantescas e apaixonadas, único fato que acredito impedir o “apequenamento” de ambos. Não sei quando e se teremos aqueles momento de volta, mas para o bem do futebol brasileiro e de seus torcedores aficionados, nos desejo sorte e que entrem dirigentes que amem o clube de verdade, que parem de cavar esse túnel que se chama vergonha.

Que as duas torcidas possam se reunir novamente em várias finais de campeonato e que vença o melhor.

Nos lemos em breve!