Pênalti!

Eu nunca li um livro de regras de futebol. Talvez devesse. A cada jogo como o Flamengo x Vasco de domingo, tenho mais dúvidas acerca dessas leis. O que é falta clara no meio de campo, ou mesmo na grande área de defesa – incrível! – pode não ser na grande área de ataque. Ali, as trombadas, empurrões, safanões, tabefes viram jogo de corpo ou, como explicado na televisão hoje, o atleta do Vasco foi derrubado mesmo, mas de forma lícita.

Puxe a falta dez metros pra trás. Falta e cartão amarelo.

Inverta as camisas dos atletas envolvidos. Falta claríssima! Pênalti indiscutível!

No ataque do Vasco: pênalti inexistente.

Assisti o jogo pela tv. No momento do lance, não achei pênalti. Na primeira repetição, mudei de ideia. De qualquer forma, foi um lance difícil, sujeito à interpretação do árbitro. Que marcou o pênalti. A dúvida existe. Na minha opinião, existiu. Na opinião da imprensa não. Paciência. O ponto é: não dá pra afirmar que não foi falta. Como dá pra afirmar que um impedimento de 80 centímetros é um impedimento. Como dá pra afirmar que uma bola que entra 33 centímetros no gol entrou. Não são lances que dependam da interpretação de ninguém. É observar. Já o de ontem…

Bandeira de melo hasteou sua costumeira bandeira da hipocrisia para reclamar. Arauto da moral e dos bons costumes, se mostrou indignado. Indignação essa que não existiu na rodada 38 do campeonato brasileiro de 2013. Tampouco quando um impedimento escandaloso roubou do Vasco a taça do campeonato de 2014. Menos ainda quando o atleta do clube, uniformizado, ainda em campo, representante portanto da instituição, proferiu a frase que levará para o túmulo: O já famosíssimo “roubado é mais gostoso”. Era de se esperar que, líder de uma instituição, criticasse a frase infeliz do jogador negando ser esse o pensamento do clube. Punição pro jogador? Nenhuma. Nem um cartãozinho amarelo. Nem uma papeleta amarela.

Tentam atribuir à vitória do Vasco a mesma lógica do roubado ser mais gostoso. Não conseguirão.

Até porque antes do gol, houve, mais uma vez, sina das sinas, um lance duvidosíssimo de bola que entrou ou não entrou. Esta, na hora, eu vi dentro do gol. Mas, pra minha (não) surpresa, a transmissão não repetiu a jogada em seu ângulo mais favorável, que era curiosamente – e pra ruína de quem queria disfarçar o ocorrido, a da câmera principal do jogo. Esta repetição desapareceu. Foi trocada por uma câmera de dentro do gol na qual o corpo do goleiro, embora infinitamente mais próximo da lente, obstruia a visão da jogada. Chovem na internet fotos da bola dentro do gol. Não consigo confirmar. Pra mim, gol.

No entanto, como em muitas outras partidas que já vimos, este lance vai desaparecer, pois é “esquecido” nas resenhas publicadas por ai afora. Daqui a alguns meses, ninguém se lembra mais, como pouquíssimos se lembram que o gol que empatou o jogo do gol não assinalado de 33cm foi marcado com um lance semelhante, uma falta batida por Elano, no qual a bola não entrou de forma alguma.

Só interessa que lembremos de umas poucas coisas. Mais um pênalti pro Eurico.

Que o chororô prossiga.

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Um goleiro calmo, que no jogo contra o Flamengo agarrou o que sempre se esperava dele.
Uma parelha de beques calmos, com personalidade, com características complementares. Com dois reservas à altura.
Um lateral direito que, ouso dizer, vai pra seleção brasileira em muito breve.
Um louco de um cabeça de área, raçudo, destemido, 200% dedicado a vencer.
Um gringo lento com um índice enorme de acertos de passe.
Um centroavante que, além de jogar bola, tem uma tremenda personalidade e vai aos poucos cativando o coração do torcedor do Vasco.
A espinha dorsal de um time está montada. Se Dagoberto jogar a metade do que se espera dele, se Mosquito, Evander e outros garotos tiverem cabeça, teremos time para jogar sem sustos o campeonato brasileiro. Daqui a pouco, se Deus quiser, se ganharmos o campeonato, começarão as manchetes ufanistas. Há razões para isso. Felizmente.