Pelo que pude visualizar…

manegarrichavasco

Cento e oitenta minutos preocupantes. Nos dois classicos, Botafogo e Flamengo usaram da mesma tática – uma marcação “alta” entre o circulo central e a intermediária – e o Vasco parou. Ontem, no milagroso empate por 1 a 1 contra a Gavea em Brasilia, testemunhamos noventa minutos de chutões e bolas loucamente atrasadas para os beques e Martin Silva. É apavorante como o Vasco joga pra trás, perdendo bolas numa zona perigosa do campo e atraindo o adversário a sufocá-lo sem que exista qualquer alternativa pra contornar isso.

Quase nos custou caro ontem a catastrófica atuação de Madson. Com cerca de 20 minutos de jogo, num dos raros momentos de criatividade do time, recebeu, livre, grande passe em profundidade e, ao tentar dominar a bola, a atrasou ridiculamente para o goleiro. Dai pra frente, nada. Emerson Sheik, em noite apagada (o fim se aproxima?) não caía pelo seu lado. Sem ter a quem marcar, não se aparecia no ataque. Com isso, o time perdeu a principal porta de saída para o embolão feito pelo Flamengo. E tome chutão.

Quando saímos para o intervalo, pensei que isso seria corrigido e que Jorginho colocaria Yago Picachu, que já merece uma chance no time há tempos. Nada. Tudo no mesmo marasmo. Os mesmos chutões. As mesmas bolas perigosamente atrasadas. E Picachu não entrou.

Devemos erguer as mãos pros céus em agradecimento pelo empate de ontem, pelos gols incríveis perdidos por Guerrero e por “Uilharão”, no último lance da partida. A bola ficou parada na pequena área por uma eternidade e o que parecia impossível – não entrar – aconteceu. Já me cansei de perder jogos para eles das formas mais estapafúrdias. Alguma sorte é muito bem-vinda.

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Paguei cinquenta reais e mais dois quilos de alimento não perecível por uma meia-entrada para ir ao jogo de ontem no anel superior. O Mané Garrincha é um espetáculo. Sujo, mal-cuidado, superfaturado. Mas não se pode falar mal do projeto. Dos melhores estádios que já vi na vida. Infelizmente a ganância pilota a realização desses jogos. O anel inferior tinha ingressos a duzentos reais. Cem reais mais dois kg de alimento por uma meia-entrada. Resultado: o estádio para 68.000 pessoas parecia vazio com os cerca de 26.000 presentes. O anel inferior, mais próximo do campo e filmado a toda hora pelas câmeras, estava às moscas. A ganância esvaziou as telas. Eu pagaria 25 reais a mais para ir embaixo. O dobro? Nem pensar. Parece que muita gente pensa como eu.

Até o final do jogo, não se anunciou público e renda. Mais uma situação inexplicável na era da tecnologia, com bilhetes informatizados. O famoso borderô do Maracanã contava 100, 120 mil ingressos e, no meio do segundo tempo, você ouvia: “renda!”.

Conta simples do jogo de ontem: 26.000 X 50 reais (o menor preço pra se entrar no estádio) = um milhão e trezentos mil contos de réis. Ou seja, certamente o jogo rendeu mais de um milhão e meio de reais. Nada mal. Alguém embolsou muita grana.

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Em Brasilia, mesmo em Flamengo x Vasco, só se separam as torcidas organizadas. O resto do povo fica misturado. Assisti o segundo tempo do jogo com um flamenguista desesperado com a apatia do lateral-direito (Rodinei) deles. Me deu vontade de perguntar se ele não queria trocar pelo nosso. Clima de paz, como deve ser. Coisa civilizada, de um jeito que se perdeu no Rio de Janeiro. Quem sabe um dia…

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Enquanto faltava água nos banheiros do estádio, o surreal: em um outro ponto do estádio, uma verdadeira cachoeira escapava por um ladrão sem que ninguém tomasse qualquer providência. Enquanto isso, o Secretário distrital de esportes, semana passada, na tv, anunciava reformas e revitalização do gramado – padrão fifa. O gramado, feito para 2014, está esse lixo que vocês puderam ver ontem na TV. Não há explicação aceitável para isso. Claro, é o nosso dinheiro que foi mamado nessa plantação. A pergunta que fica: Quanto do milhãozinho e meio de ontem seão utilizados para melhorias do estádio?

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O título da coluna é homenagem a dois outros Panorâmicos, Carolina Sousa e Kiko Abreu, que me acusaram injustamente de ser sovina por ir ao jogo no segundo andar. De lá de onde estava, de frente para o lance, a defesa dupla de Martin Silva no lance de Gurrero é eterna. Pelo que pude visualizar, inesquecível.

Não menos sensacional foi o esporro dado no juiz, quando este permitiu cerca de três minutos de comemoração do gol da “vitória” do Flamengo, ao invés de dar prosseguimento ao jogo e coibir a cera. O cartão amarelo recebido merece aplausos e reverências. Lavou a alma de todos os presentes no estádio.

A “alegria” durou cinco minutos. Os três de comemoração antecipada – coisa comum – e os dois até o empate de Riascos.

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Um ano atrás assisti a uma das atuações mais patéticas de um atacante com a camisa do Vasco naquele mesmo estádio. O Vasco foi goleado pelo São Paulo por 4 a 0, numa partida em que o resultado não refletiu de forma alguma o que se passou em campo. No início do segundo tempo, Riascos esteve por quatro vezes, sozinho, de frente com Rogério Ceni e perdeu todas as chances de forma ridícula. Numa delas, chegou a driblar o goleiro e, com o gol vazio, conseguiu chutar pra fora. Eu estava no estádio, atrás do gol, ali pela 5a fileira de cadeiras. Junto das defesas de ontem, é um dos lances mais inacreditáveis que já vi num estádio de futebol.

Nada como um dia (ano) após o outro. Ontem, Riascos teve sua redenção. Em ótima hora.

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Tinha muito mais Vascaíno no estádio do que flamenguista. Apenas um dos meus flamenguistas prediletos daqui de Brasilia esteve no Mané Garrincha ontem. (Parabéns, Bruno!) Os demais se esmeraram em desculpas criativas ou num silêncio virtual quase budista. Não me espantaria se soubesse que muitos ontem estiveram lá, sem publicidades ou selfies. Que maravilha sair do estádio com aquele silêncio e caras furibundas. Papai do Céu conserve!