Passagens da Copa

Sábado pela manhã, eu fazendo meu treino “longão” (para aqueles que não estão familiarizados com o termo, treino “longão” é o treino de maior distância de uma semana, geralmente de mais de uma hora de corrida e serve principalmente para aprimorar a sua resistência a corridas mais longas). Mas voltando ao sábado pela manhã, na minha corrida passo por Copacabana e me deparo com uma quantidade inimaginável de argentinos!

Como no dia seguinte, o selecionado argentino estreava na Copa contra a Bósnia, eles vieram em várias caravanas e praticamente se hospedaram nas praias do Leme e de Copacabana.

Passo correndo por um grupo mais agitado e cantante quando alguns deles notam a Cruz de Malta no meu boné. E logo começam a cantar parte de nossa música mais mais cantada na atualidade: “Gol do Juninhooooo… Monumentaaaaaallll!”

Eram torcedores do Boca (ou “xeneizes” como eles se auto denominam) que logo lembraram do time brasileiro que eliminou o rival River Plate (ou “las gallinas” como eles os chamam) na Libertadores de 1998. Eu só sorri e segui o meu treino…

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Sábado, fim do jogo do Uruguai em que celestes levaram uma chinelada da inexpressiva Costa Rica.

Minha filha, chegando da casa da amiga onde passara toda a tarde, pergunta: “Quanto foi o jogo do Uruguai?”

Estanhei o súbito interesse na seleção rival, mas respondi: “perderam de três a um para a Costa Rica filha… Por que?”

E ela emendou: “Obviamente o melhor goleiro do mundo não jogou, né? Tadinhos dos uruguaios… Vão voltar cedo cedo para casa… Bem feito! Que manda colocar esse tal de “Musqueteira” no lugar do Martin Silva?!”

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Terça passada, segundo jogo do Brasil na Copa, fui ao trabalho com minha camisa do Vasco que homenageia o Brasil e a Copa (aquela do Futebol Americano). Para fugir do trânsito infernal de Botafogo, pego o Metrô.

Na volta, encontro torcedores de vários países (isso aqui no Rio está uma “Babel”!). Desde chilenos a bósnios, passando por argentinos, espanhóis, colombianos e até croatas.

Todos, sem exceção, logo identificaram pela minha camisa o Vasco! Incrível a penetração de nosso clube no mundo da bola!

Cheguei a tirar foto com um grupo de chilenos que insistiram para eu trocar de camisa com eles. Eu?!? Trocar uma camisa do Vasco por QUALQUER outra!? Nunca!

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Passado o jogo horroroso do Brasil, desço para comprar algo para o lanche noturno e encontro meu amigo tricolor Felipe na portaria do prédio de bate-papo com o porteiro.

Fiz logo uma provocação: “E aí Felipe? Viu o Fred em campo?”

Ele, sempre mantendo a sua fleuma, responde: “Você não entendeu nada! A Unimed deu alguns convites para ele assistir ao jogo de um lugar privilegiado…”