Passagens da Copa (última)

Fim do desastre que foi o jogo do Brasil na última terça-feira, meu pai escreve em algum post meu no Facebook que estava triste por reviver o pesadelo de 64 anos atrás. De ter que viver tanto tempo para ver novamente a nossa seleção de futebol ser humilhada de forma tão acachapante.

O destino foi mesmo cruel com o meu pai sob este aspecto. Mas se colocar na balança tudo o que ele viu de futebol, acho que ele ainda leva (e muita) vantagem.

Ele teve o privilégio de ver os nossos cinco títulos mundiais. Viu nascer e pôde admirar de perto o maior jogador de todos os tempos. Viu Mané Garrincha desfilar todo o seu talento com a nossa camisa amarela. Viu a maior seleção de todas (a de 1970) mostrar ao mundo o melhor futebol que se viu em qualquer Copa. Viu 24 anos depois, um certo “baixinho” criado em São Januário nos colocar novamente no topo do mundo futebolístico. Mais 8 anos e um “fenômeno” deu a ele a alegria de mais uma estrela na nossa camisa, completando o quinteto estrelado que nenhum… repito: NENHUM outro selecionado tem.

Sem essa de tristeza, “velho”. No futebol você viu muito mais coisas boas que ruins. Levanta essa cabeça e bola para frente. 2018 é logo ali.

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O gênio de Nelson Rodrigues definiu bem após o desastre de 1950 o nosso famoso “complexo de vira-latas”. Quem me acompanha há algum tempo pelo Facebook já deve ter percebido que isso é uma das coisas que mais abomino no nosso comportamento como brasileiro.

Sim, temos mazelas e defeitos que outros não têm. Mas esses mesmos outros também têm defeitos e mazelas que não temos. Há coisas boas e ruins lá e cá.

Movido por este sentimento, logo após o fatídico jogo que nos tirou a chance do hexacampeonato, escrevi o seguinte texto no Facebook, que gostaria de dividir com vocês:

E o sonho acabou… Na verdade o sonho virou um pesadelo!

Mas eu não posso deixar de me manifestar diante de tudo que eu li por aqui, desde antes de começar a Copa, durante o torneio e agora depois dessa tragédia. Vamos lá:

1) Antes de qualquer coisa, bom humor gente! Isso é somente futebol! Um esporte que tem em sua essência o objetivo de entreter. Então as várias brincadeiras que vemos por aqui, que vão desde implicância com o Fred, às brincadeiras com a Presidente Dilma são válidas e divertem (pelo menos a mim).

2) Claro que ninguém gosta de perder. De perder sendo goleado então… Mas assim é o futebol. Se um ganha, o outro tem que forçosamente perder. Hoje fomos nós, mas em 2002 nós ganhamos a Copa em cima deles. E mais: ainda somos, pelo menos até 2018, o único país pentacampeão mundial.

3) Tem só algumas coisas que postam por aqui que me incomodam mais que as outras… Uma delas é a volatilidade, a volubilidade na opinião de muitos por aqui. Antes eram radicalmente contra a Copa. Depois, passaram a comemorar, a elogiar. A partir do primeiro ou do segundo gol da Alemanha, mudam de novo e voltam a ser “do contra”, recitando o velho e desbotado chavão “eu já sabia… eu avisei…”. Por favor: tomem vergonha na cara! A falta de personalidade desse pessoal, que se altera ao sabor dos acontecimentos, parece coisa de político corrupto, que mede a “temperatura” dos acontecimentos e se posiciona sempre com a maioria para tentar angariar votos e se perpetuar no poder.

4) Sem essa de que os resultados da Copa influenciam o nosso destino político. Há muitos exemplos de que isso é uma tremenda falácia. Em 98 fomos vice-campeões e o FHC foi reeleito. Em 2002 fomos campeões e a situação da época perdeu a eleição. Os mesmos que diziam isso antes de saber se o Brasil ganharia a Copa, hoje comemoram dizendo que pelo menos agora, a Dilma não será reeleita. Ora… Se ela será reeleita ou não, será fruto de um monte de outros fatores que não o resultado esportivo. A perda da Copa em casa dói, mas dói somente no campo esportivo, e nada mais. Não misturemos as bolas. Se você acha que é a hora de mudarmos, vá lá no dia 05/10 e vote em outro candidato. Se você acha que não é essa a hora, vote na Dilma. Mas sem confundir as coisas.

5) E agora? Bom… Pelo menos eu torcerei fervorosamente para conquistarmos o terceiro lugar. Por que não? Das 32 seleções que disputaram a Copa do Mundo, se ganharmos o próximo jogo, seremos melhores que 29 delas! E como eu disse antes: ganhe a Alemanha, a Holanda ou a Argentina, ainda assim estaremos na frente como a única seleção com cinco estrelas sobre o nosso escudo.

A derrota machuca, chateia, nos coloca para baixo, mas os derrotados de ontem, se enxergarem neste fato uma tremenda oportunidade de melhora, se tornarão com certeza os vitoriosos de amanhã. A Alemanha hoje nos mostrou isso. Bola para frente!

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E quando nada mais parece ser pior, eis que a Argentina se classifica para a final…

Mas espera! Pior? Pois eu declaro aqui solenemente que vou torcer pela Argentina na final! Por que?

Explico:

Odeio tudo que lembre aquele clube molambento. Odeio qualquer coisa que lembre ou que tenha alguma coisa a ver com o nosso querido “XV de novembro da Gávea”. Vocês acham realmente que eu vou torcer por uma seleção que adotou aquela camisa de pomba-gira? NUNCA!

Contra eles eu torço pro que for!

Ah! Mas e a rivalidade com os argentinos? Eu não conheço absolutamente nenhum argentino. Não leio qualquer jornal argentino. Estive apenas em três oportunidades na Argentina – ou seja, raramente vou para lá. Ou seja, se a Argentina for campeã será como se o Botafogo fosse campeão: ninguém vai me zoar.

Agora, se der a tal “flalemanha”, em pleno Maracanã, vocês podem imaginar o quão insuportável vai ser aturar esses caras no dia seguinte.

Portanto: ARGENTINA! ARGENTINA! ARGENTINA!