Passagens da Copa (3)

Domingo passado, em um churrasco com alguns amigos, paramos certa hora para ver mais um jogo da Copa do Mundo. Estavam jogando as duas grandes “zebras” da primeira fase: Costa Rica x Grécia. Entre nós uma quantidade considerável de mulheres assistindo – entre esposas, filhas etc.

Antes de qualquer coisa, é bom que se diga que não tenho absolutamente nada contra mulheres verem, gostarem e opinarem sobre futebol. Tenho uma “mini-mulher” de nove anos em casa que gosta pacas e opina o tempo todo, e eu me amarro!

Mas nesse dia as observações feitas pela banda feminina de nossa reunião são dignas de registro e eu relato a vocês:

– “Goooolllll!” – no momento em que o replay do gol da Costa Rica era exibido…

– “Huuummm… Grécia é?… Tomara que rasguem o calção desse tal Papalo… Papilop… Papanicolau!”

– “Ué? Trocaram de lado…?” – quando se iniciava o segundo tempo da partida…

– “Eu não entendo essa tal regra do impedimento… Afinal, só é impedimento quando o bandeirinha marca ou vale quando o juiz marca também?”

– “Legal ver um time da África chegar tão longe na Copa, né…?”

– “Amooor… Como é que se escolhem as cores das Seleções? Sei lá… Esse azul da Grécia não podia ser assim tipo… o do Uruguai?!”

– “O que acontece se na prorrogação tiver gol contra…? Vale…?”

Isso tudo fora os gritos histéricos a cada lance um pouco mais perigoso…

Talvez lendo isso elas passem a entender o porquê de preferimos ver jogos com homens… Ou não!

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Nunca fui fã do goleiro Júlio César. Sempre o achei como mais um subproduto da conhecida megalomania dos rubro-negros. Se fosse eu o técnico da Seleção Brasileira, ele não estaria nem convocado, e muito menos seria o titular.

Pois não é o cara pegou até pensamento no último jogo do Brasil?

Mas o pior foi o que ele mês fez fazer…

Já para lá de nervoso com a possibilidade de disputa por pênaltis para onde se encaminhava a decisão da partida, tomado pela emoção do momento, fiz uma promessa aos presentes.

Estava vendo o jogo na casa de uma tia da minha esposa, entre um monte de flamenguistas, com alguns poucos tricolores (e nenhum botafoguense, para variar…). De vascaínos, além de mim, minha filha, minha esposa e um dos 450 primos que minha mulher tem.

Mas voltando à promessa, tinha absoluta certeza de que o nosso goleiro titular não pegaria dois pênaltis, ainda mais depois de ver o gajo chorando – pô… aprendi que o goleiro tem que ser o cara mais frio do time, e de repente ele me aparece chorando!

Prometi aos presentes que se o Julio César pegasse dois pênaltis e o Brasil se classificasse, eu vestiria o “manto demoníaco”, tiraria foto e publicaria no Facebook.

Meu amigo tricolor Felipe disse-me uma vez: “Nunca aposte nada! Nunca prometa nada que envolva o Flamengo! Eles têm um pacto com o diabo!”.

Pois é… De lá para cá eu já tomei uns 450 banhos e o cheiro de urubu não passa!!!

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Quinze minutos antes do jogo começar, toca o meu celular. Penso: “Ora… Quem pode estar me ligando agora?”

Noto que é o meu amigo botafoguense Zequinha me ligando (num dos próximos textos eu farei as devidas apresentações de mais um dos meus amigos torcedores de um time rival).

“Faaaaala Kiko! E aí? Beleza?”

“Fala Zequinha! O que você manda? Não vai ver o jogo?”

“Claro que vou! Mas você sabe: falar com você, o maior vascaíno que conheço antes dos jogos do Fogão, sempre dá certo: o Botafogo ganha! Vai que com o Brasil acontece a mesma coisa…”

Entre orgulhoso pelo elogio à minha vascaínidade e a estupefação ante ao extremo da superstição, preferi apenas rir desse meu amigo e desejar que ele estivesse certo.

E não é que ele estava? Esperarei ansiosamente por sua ligação antes do próximo jogo do Brasil… Liga Zequinha!

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Eu não sei vocês, mas eu estou adorando essa Copa!