Passagens da Copa 2

Ainda na fase de compra por sorteio dos ingressos pelo site da FIFA, apesar de tentar todos os sete jogos da Copa no Maracanã, consegui apenas o jogo Bélgica X Rússia. Não era exatamente o meu jogo preferido, mas era um jogo de Copa do Mundo.

Então, domingo passado fiz minha estréia em jogos de Copa do Mundo. Claro que fui devidamente vestido com a camisa do Vasco. Mas como é Copa do Mundo, permiti uma concessão e fui com a camisa alusiva ao Brasil da equipe de futebol americano do Vasco, que nada mais é que a camisa do Vasco mas com o amarelo no lugar do preto e o verde no lugar da diagonal branca e, obviamente, a Cruz de Malta no lugar dela.

Seguindo a sugestão da prefeitura do Rio, fui de metrô ao estádio. Trem bem cheio, mas tudo muito bem sinalizado e sem confusões. Dentro do vagão, se eu fechasse os olhos, poderia jurar que estava fora do Brasil. Uma verdadeira “salada” de idiomas! Do inglês ao espanhol, passando por francês, alemão e outras línguas que nem me arrisco a chutar de quais se tratavam…

Chegando ao Maraca, um forte esquema de segurança nos recebeu, que foi estabelecido principalmente por conta da invasão dos chilenos no jogo anterior. Já na passarela começa a festa e um grupo de russos pede para tirar fotos comigo. E chegaram logo apontando para mim e dizendo: “Vasco! Vasco! Foto! Foto!” Mais a frente a cena se repete com belgas, mexicanos, colombianos, etc.

Entrada no estádio tranqüila e mais fotos. Já na arquibancada, peço para tirar foto com um grupo de russos que seguravam uma bandeira. Pedido aceito, foto tirada e publicada no facebook e o russo puxa conversa… O problema é que ele puxou conversa em russo!! Claro que não entendi nada, a não ser uma palavra: Vasco!!

Mais uma vez pude comprovar orgulhoso como nossa camisa e clube são conhecidos nos quatro cantos do mundo!!

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Intervalo de jogo, uma saída rápida para um lanche e quando eu volto encontro nada menos que o ex-jogador Falcão! Esse mesmo! Craque brasileiro que foi considerado o Rei de Roma!

Peço para tirar foto com ele e logo depois ele se vira e diz: “Bonita essa camisa do Vasco!” Respondo: “Obrigado! Mas sabia que você jogou num time que me fez chorar certa vez?” E ele sorrindo logo percebeu a qual time eu me referia: “Em 79 ganharíamos de qualquer um! Aliás não perdemos para ninguém, né?”. Concordei com um sorriso e agradeci a gentileza da foto.

Ao sentar-me novamente viajei no tempo e lembrei-me do jogo final do Campeonato Brasileiro de 1979. Depois de um campeonato estranho em que 94 (!) clubes disputaram a primeira divisão, ao mesmo tempo que grandes clubes de São Paulo não participaram como o Corinthians, São Paulo, Portuguesa e o Santos, o Vasco chegou à final depois de eliminar o Coritiba nas semifinais.

Na primeira final, um baile do Inter e uma derrota amarga por dois a zero com os dois gols sendo marcados por Chico Spina em pleno Maracanã… No segundo jogo, outra derrota dessa vez por dois a um com o nosso gol sendo marcado por Wilsinho, mas quando já perdíamos por dois a zero. Adivinhem quem fez o segundo gol do Inter…

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Jogo decisivo entre Itália e Uruguai e eu torcendo para que os dois fossem eliminados (como se isso fosse possível…).

Perto do fim do jogo, o Uruguai já ganhava de um a zero, chega minha filha na sala e logo pergunta: “O Uruguai está ganhando?!?!” Estranhei o interesse e o entusiasmo dela pela seleção celeste, mas respondi: “Sim filha…”. E ela animadíssima, manda um “yes!”. Mais estupefato ainda pergunto: “Como assim? Você está torcendo para o Uruguai?!?!” Ao que ela logo emenda: “Lógico! Não é o time do Martin Silva? Então…”

Que diferença um ídolo faz…

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Ok: é Copa do Mundo e tal… Mas alguém aí pode me explicar por que raios o Vasco contratou mais um goleiro???