Parabéns Palmeiras e obrigado pela Virada do Século!

E nessa semana, o Palmeiras, um clube que tem muito a ver conosco, seja pelas origens estabelecidas por imigrantes, seja pela amizade histórica entre nossas torcidas ou seja por dois grandes momentos de grande alegria para a gente, entrou para o seleto grupo dos grandes clubes centenários do Brasil.

E é prestando uma homenagem aos nossos adversários paulistanos que gostaria de relembrar um destes dois grandes momentos da história recente do Vasco da Gama. Momentos em que fazíamos jus ao nosso gigantismo. Momentos em que jogar contra o Vasco era um problema quase insuperável para adversários no Rio e no Brasil.

E começo lembrando aquele que, na minha modesta opinião, foi o maior jogo de futebol da história mundial. Aquele que nós vascaínos chamamos com toda a razão de “Virada do Século”!

Nosso clube ganhou essa fama quando no primeiro campeonato disputado (e ganho!!), nos acostumamos a vencer principalmente no segundo tempo, quando a nossa melhor preparação física superava os cansados adversários e as viradas eram comuns.

Na final da Copa Mercosul de 2000, vínhamos de momentos muito tensos. Não dentro de campo, onde tínhamos uma verdadeira seleção – um timaço com Helton, Jorginho, Juninho Pernambucano, Juninho Paulista, Viola, Euler e Romário. A tensão vinha de fora do campo consequência dos muitos arroubos e das bravatas de nosso VP de futebol da época e de sua briga intensa com a toda poderosa Rede Globo. Nesse jogo, mais que contra o Palmeiras, jogávamos contra tudo e contra todos!

Tenho absoluta certeza de que todos os vascaínos do mundo sabem bem o que fizeram nesta noite de 20 de dezembro de 2000. Eu, nessa época, morava na Tijuca e lembro-me bem que fazia um calor infernal! Ainda não tinha minha filha e para tentar dar uma aliviada no calor, assisti ao jogo de cueca.

Minha esposa (obviamente vascaína), nessa noite teve aula no mestrado que cursava e só chegou momentos antes do início do segundo tempo do jogo. Quando ela chegou, eu estava no quarto deitado no escuro com cara de poucos amigos. A TV na sala desligada e a gritaria da “flamengada” com o famoso “vice de novo!!” ecoava pela noite tijucana. Naquele momento eu queria simplesmente deixar de existir ou de alguma forma me “teletransportar” para alguma outra galáxia qualquer…

Ela chega e vai logo perguntando: “Quanto está o jogo? QUANTO ESTÁ O JOGO?!”

Literalmente eu “rosnei” que estávamos tomando uma lavada de 3 x 0.

Na hora ela disse: “Sai dessa cama e vem ver o jogo na sala. O Vasco vai virar.”

Claro que eu não movi um músculo, mas ela foi para a sala e começou a ver o jogo. Certa hora ela grita: “Pênalti!!! Pênalti para o Vasco!! Vem ver!!”.

Pensei com “meus botões”: e daí? Se fizer o gol, vai ficar no 3 x 1 vamos perder do mesmo jeito.

Pênalti batido e convertido pelo Romário e ela grita lá da sala: “Gooollllll!!! Vem logo porra! Deixa de frescura! Que vascaíno é você? O Vasco é o time da virada!”

Aquilo mexeu com meus brios… Ela tinha razão (como, aliás, na imensa maioria das vezes…). Levantei-me do “sarcófago” em que eu tinha transformado a minha cama e fiquei no corredor que dava acesso à sala em pé. Ainda resistindo a ter mais esperança que devia.

Mais dez minutos e outro pênalti! Saí do corredor e sentei-me no sofá. Pênalti convertido e chegamos aos 3 x 2. Na minha cabeça uma enorme interrogação: “Será…?”

Mais uns dez minutos e Júnior Baiano relembrou seus tempos de jogador inconsequente, deixando o gramado expulso. Pronto: mais uma vez ficaríamos no quase…

Passa o tempo e o improvável acontece de maneira micro e de maneira macro! De maneira micro uma furada improvável do Baixinho e a bola sobra caprichosamente para Juninho Paulista fazer o gol do improvável (de maneira macro) empate diante da história do jogo.

O 3 x 3 levaria a peleja para os pênaltis mas já me servia para lavar a alma com os urubulinos que mais cedo vociferavam pela noite da Tijuca. Gol feito, fui igual a um louco para a varanda, trajando apenas a minha cueca, mandando todos os 30/40 milhões de rubro-pretos tomarem naquele lugar que vocês devem estar imaginado agora.

Mas o mais mágico foi o que aconteceu logo depois…

Ainda na varanda, de repente vejo a minha mulher correndo em minha direção sem conseguir falar, sem voz mesmo… E eu não entendia nada: “O que que foi mulher?!? FALA PORRA!!!”. Ela só conseguiu apontar para a TV. Vi a repetição quarto gol, mas como foi um pouco parecido com o terceiro, achei que estavam repetindo esse… Virei-me para ela e perguntei: “O que houve…?”

– PORRA!!! PORRA!!! VIROU!!! VIROU!!! EU DISSE!!! EU TE FALEI!!!

Olhei novamente incrédulo para a TV e vi que novamente Romário tinha feito mais uma gol…

Juro pela felicidade da minha filha que o que aconteceu deste momento até o dia seguinte quando acordei trajando a mesmíssima cueca com uma tremenda dor de cabeça eu só sei pelo que relatou a minha mulher…

Diz ela que minha língua começou a enrolar, que eu não dizia coisa com coisa… Que eu então vesti uma camisa do Vasco e desci igual a um louco pelas escadas do meu prédio (detalhe: eu morava no 11º andar…) acordando todo mundo e correndo para comemorar na Praça Varnhagem na Tijuca. Detalhe: de cueca e camisa do Vasco!

Relata também que ela foi atrás de mim e depois, a muito custo conseguiu me trazer de volta para casa, completamente bêbado e que essa camisa do Vasco que eu trajava, já era…