Panorama na Copa – O desastre da Espanha

Dizem os especialistas que um acidente aéreo nunca resulta de um único problema, mas de uma sequência de eventos em cadeia. Foi assim que o avião da Espanha se espatifou hoje frente à Holanda, por 5 a 1.

Um pouquinho de soberba.

É visível na Espanha um certo ar de superioridade, uma certa certeza de que as coisas vão acontecer e que, mesmo não acontecendo, Xavi, Iniesta, David Silva e os demais rodarão bola, rodarão bola até a oportunidade aparecer. E tudo parecia sob controle até o começo da segunda etapa.

Preparo físico.

Fala-se muito da preparação da Holanda, os eternos malucos festeiros que escolheram Ipanema para se “concentrar”. Mas o que se viu hoje em campo jogou por terra essa ideia. A Holanda é bem jovem em sua defesa, mas o destaque em campo não foi a molecada. Os veteranos do ataque da Holanda, notadamente o sempre frágil Robben, passaram feito bólidos por Sergio Ramos e Piquê. Correram os noventa minutos, sobre uma Espanha visivelmente cansada.

Atuações desastrosas de seus principais jogadores.

Não me lembro de ver Casillas entregar um gol da forma que fez hoje. Iniesta foi anulado. Xavi sumiu. Piquê e Sergio Ramos foram engolidos por Van Persie e Robben, que fez miséria de ambos.

Atuações históricas dos holandeses.

Robben e Van Persie tiveram atuações para todo o sempre. O gol de empate da Holanda, num surpreendente e inacreditável peixinho da entrada da área por sobre um pasmo Casillas é candidato à lista dos gols mais lindos de todas as Copas. O quinto gol, segundo de Robben, no qual Casillas engatinha atrás da bola por uns três metros é outra peça de coleção. Robben foi o melhor do jogo. No último lance do jogo, deu um pique de mais de 50 metros ultrapassando os exaustos e apavorados espanhóis.

Vontade (Raiva?)

Estamos todos cansados de ver jogos nos quais um time se impõe ao outro, colocando 2, 3 gols de diferença e pisando no freio. Ai, começa aquele espetáculo nauseante de bolinha prum lado e pro outro, sem nenhuma objetividade, visando apenas o final do jogo. O adversário, batido, não tem forças pra pressionar e o jogo caminha prum final melancólico e arrastado.

A Holanda, ao se ver com o jogo nas mãos, resolveu provar que é melhor e engoliu a Espanha com vontade, garra e raiva. Queria (e o fez) surrar o adversário. Espantar o fantasma de 2010. Conseguiu.

Será que dessa vez a Holanda vai adiante? E a Espanha? Como se portará num Maracanã que, certamente, lhe será hostil contra o Chile? Terá forças pra reagir? Ou sucumbirá ao som de Touradas de Madri? Aguardemos cinco dias…

abraços

Zeh

@zecatal