Panorama na Copa: os gringos estão fritos mas o povo vai ajudar

E eis que entro atrás de três jovens francesas na fila do supermercado na zona sul do Rio. Compram garrafinhas de água mineral, um pão de forma, frutas, um pote de geléia, coca-cola. Conversam animadamente. A caixa solta um “ó!” e aponta para o monitor. Os olhos de duas quase saltam da órbita. A conta havia dado 61 reais. Começa uma vaquinha entre os reais das três.

Pergunto se acham que o Brasil está caro.

– Caríssimo! responde uma. Ao preço de Paris.

E se já está caro hoje, imagina na Copa. Em plena Copa. Quem vive no Rio, eu diria ser melhor estocar comida e bebida. Os preços vão atingir patamares inacreditáveis.

Até porque a cidade já está tomada de turistas das mais variadas origens. Todos perdidos. As placas e orientações existentes em pontos de ônibus e metrô mal servem para a orientação de brasileiros. Um turista de outro estado se perde facilmente. Que dirá um gringo.

Louve-se a eterna boa-vontade do brasileiro, principalmente do carioca, em ajudar. É muito legal ver que as pessoas fazem o maior esforço, sem entender uma palavra da língua que o outro fala, para conseguir entender e ajudar o cidadão perdido na sua cidade.

E não pense que isso é normal. Não é. Não conte com essa boa-vontade fora do Brasil. Ela até pode existir, mas não é, como no caso do Brasil, uma característica comum do comportamento da população. É a exceção.

Milão, ano 2000. Recém chegados, eu e minha mulher perambulávamos pelas cercanias da Catedral, à procura dela. Caminhávamos por uma rua principal e cruzamos com um casal super bem vestido. Um senhor dos seus 50 anos, grisalho, com sua donna. Perguntei, arranhando meu italiano macarrônico, onde ficava a praça onde fica a Catedral. A resposta foi um “pra lá” apontando para trás dele, exatamente de onde o casal vinha. Agradeci e continuamos a caminhar. Uns 5 minutos depois, começamos a estranhar o fato da rua ter um comércio menos desenvolvido. Se estávamos nos aproximando do principal ponto turístico e central da cidade, aquilo não podia estar certo… Perguntei de novo, então, para um rapaz. O sujeito indicou o lado oposto. Começamos a falar inglês. O italiano praticamente pediu desculpas pelo “erro” intencional do seu patrício. Disse que já estava acostumado com esse comportamento e sugeriu confiar “desconfiando”.

Não espero que os gringos tenham tais problemas aqui no Brasil.

abraços

Zeh