Panorama na Copa – O Futebol perde pro poder econômico

Todo mundo sabe que o futebol é cada vez mais dependente do dinheiro e que os resultados de campo têm uma relação muito próxima com o valor investido.

Mas essa Copa do Mundo está sendo pródiga em nos mostrar que o que rola em campo é secundário, e que o principal é o que se passa fora dele.

O primeiro exemplo foi a cobrança, pela FIFA, de uma taxa de alguns milhares de reais de festas como a do Alzirão, na Tijuca, Rio de Janeiro. Ali tradicionalmente se reúnem milhares de torcedores para assistir os jogos num telão e ocasionalmente alguma atração musical que ajude a entreter o público. Além do tradicional caos no trânsito, o evento promove o comércio local e os ambulantes, que fazem a festa suprindo as necessidades dos torcedores que afluem para o local.

É claro que, nesse sentido, é um evento comercial e como tal pode ser tratado. Mas e o futebol? E a paixão legítima que é o que move as pessoas para tal evento? Há uma sutil diferença entre a a Copa do Mundo e a Copa do Mundo FIFA. Esta é marca registrada! Não é a paixão do povo. É um produto. E a FIFA quer cobrar pra que você possa ver o jogo na rua. Num telão.

Até onde é produto e até onde é esporte? A FIFA precisa mesmo ganhar 25.000 reais dos organizadores dos Alzirões da vida ou precisa é da paixão de quem se desloca, muda a vida, tira férias pra ver a Copa? Impressionante como se esforçam para tornar uma instituição já suja por muitos eventos passados como alvo de ódio. Não sem razão.

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Eis então que vários times do Brasil resolvem se vestir de amarelo em homenagem à seleção. Desde o Internacional até o Paysandu lá da Rua Curuzu, em Belém.

Nada disso! Os senhores não podem! A Nike, patrocinadora oficial da Seleção Brasileira proíbe! Só os times vestidos pela marca têm o direito de se fantasiarem de seleção. Reparem, não é se vestir de Brasil, com a logo da CBF. É vestir a cor amarelo.

A Umbro, fornecedora de material do Brasil em 1994, tinha feito uma camisa para o Clube do Remo inspirada no uniforme de 94. É uma camisa do Remo. Não é uma camisa do Brasil. Foi vetada.

Não conheço as relações entre os fabricantes, masa Umbro não bancou a briga. Tirou o time de campo. E os torcedores foram privados de ter a camisa. A Nike comprou a amarelinha.

Estranhíssima essa relação de não deter os direitos de um uniforme, mas uma espécie de monopólio sobre a cor de uma paixão nacional.

Vamos então torcer pra seleção da Nike na Copa do Mundo da FIFA por uma transmissão da Rede Globo. Cerveja? Vai ter! Budweiser, o “rei dos cervejas”…