Padrão FIFA…?

Quem me conhece há mais tempo ou acompanha o que escrevo na minha timeline do facebook, sabe que eu fui um crítico… digamos… brando da realização da Copa do Mundo no Brasil. Em especial sobre o Maracanã, eu sempre defendi a sua modernização.

Talvez por ter tido o privilégio de assistir o primeiro jogo da reinauguração do estádio – aquele disputado entre equipes formadas por amigos dos ex-jogadores Bebeto e Ronaldo (o “fenômeno”) , apenas para os convidados dos que trabalharam na reforma, acabei criando um certo deslumbre e me tornei um dos seus defensores.

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Pois durante esta semana passada, culminando com tudo que aconteceu ontem no clássico Vasco x Flamengo, o encanto acabou.

Minha saga iniciou-se para comprar os ingressos. Não consigo entender como a tal “venda pela internet” pode trazer algum benefício para o torcedor. Ora… Se tenho que comprar pela grande rede e depois comparecer à uma bilheteria para recolher o meu ingresso, qual diabos é a grande vantagem?!?! E o pior é que uma tal “taxa de conveniência” ainda é cobrada… Que porra de conveniência é essa????

Fui alertado por amigos mais versados neste assunto que a única “vantagem” é a de se poder escolher o lugar exato onde se sentar  (algo parecido com a escolha de lugares na sala de cinema), isso se você escolher assistir o jogo na chamada zona mista, que nada mais é que os setores leste e oeste do estádio. Pois comprando na bilheteria, o máximo que pode-se escolher é o bloco, e o tal “sistema” sorteia o seu assento. Se sua escolha for o setor norte ou sul, essa “vantagem” some!!! Ah! outra “vantagem” é que o guichê para troca do voucher pelo ingresso na bilheteria é separado dos demais. Muito pouco. Ora se eu vou ter que ir lá, enfrentar fila da mesma forma, para que eu vou pagar mais caro???

Ainda assim, tentei comprar pelo sítio do Maracanã e para a minha surpresa, meus dois cartões de crédito foram rejeitados! Liguei para a administradora e nada de anormal foi constatado. Tanto que continuei os usando sem o menor problema. Toda vez que eu percorria o longo caminho até chegar a fase do pagamento, aparecia a mesma enigmática mensagem: “cartão negado – código 121”.

Desisti e gastei a minha hora de almoço de sexta para comprar meus ingressos para o clássico. Solicitei à menina que trabalhava por lá ingressos do setor oeste inferior, bloco 105, e ainda pedi, se possível, um lugar mais longe do gramado possível. Ao que ela respondeu que o lugar dependeria da sorte, mas o bloco estava garantido… Resultado: bloco 105, fileira N… Não fazia ideia do que me esperava nestes tais assentos…

Chega o dia do jogo e, abstraindo todos os problemas para se estacionar o carro (como pode um estádio com capacidade para mais de 70 mil pessoas simplesmente não ter estacionamento??!?!?), dirigi-me ao meu assento. Perto demais do gramado, mas esse nem foi o meu maior problema…

Como todos sabem, choveu pacas e pude então descobrir que o meu assento era… descoberto!!!! Isso mesmo!!! O meu assento, que me custou suados R$ 100, era na chuva!!! Descobri da pior maneira possível que o tal “padrão FIFA” não impediu que a cobertura do “novo” Maracanã ficasse pela metade!!! Um tremendo transtorno!!

Como não sou nenhum anfíbio, levantei-me, subi pelas escadas e me posicionei na metade superior onde não chovia e prontamente fui abordado por um steward que me alertou dizendo que não poderia ficar ali parado e que teria duas opções: ou voltava para a parte interna (onde ficam os bares) ou sentava na… chuva!!!

Entre incrédulo e com receio de minha integridade física frente ao tal “armário em forma de steward“, optei por dar uma voltinha na parte interna e acabei perdendo o jogo dos juniores.

Voltei ao meu molhado assento pouco antes da partida se iniciar e tentei me abstrair do dilúvio que caía. Mas nem eu nem o gramado do Maracanã aguentamos. Veja bem: eu não disse o gramado de Moça Bonita ou de Conselheiro Galvão. Eu disse o gramado do Maracanã!!! Estádio que há pouco mais de seis meses sediou a final de uma Copa do Mundo!!!

Jogo interrompido e mais um passeio pelas partes internas das arquibancadas(?). Pensei: “Bom… Vou me secar um pouco e ficar aguardando o estádio avisar o que vai acontecer…”. E nada… Absolutamente NADA foi avisado e quem ajudou aos menos prevenidos foram aqueles que acompanhavam a partida pelo rádio.

1526097_10204391062279510_2225148775335158422_nfoto: Rudy Trindade – corredores internos de acesso ao campo

Chuva diminuída, times prontos para o retorno da partida, volto ao meu molhado assento e ouço duas pérolas sobre a drenagem do gramado do Maracanã. A primeira versão dizia que, com o objetivo de fazer economia, apenas metade da drenagem estava funcionando… E a segunda, mais absurda ainda, dizia que o gramado, que teve o seu nível rebaixado durante a reforma, acabou ficando abaixo do nível do rio Maracanã, o que impedia uma drenagem perfeita…

Fim de jogo, hora de voltar para casa. Depois de percorrer as rampas para a saída, no meio de infindáveis goteiras que mas pareciam cachoeiras, encontro o entorno do estádio num caos! Uma confusão de gente tentando se desvencilhar das milhares de poças e dos muitos alagamentos para todos os lados, desviando do lixo trazido pela enxurrada e sem qualquer… uma mísera se quer, ajuda ou acompanhamento… ou apenas informações para ordenar a saída do estádio por qualquer autoridade pública ou privada do estádio.

Na boa? Hoje eu sou muito mais o bom e velho São Januário…