Os cavaleiros do apocalipse

A chinelada aplicada pelo Fluminense em cima do Império do Mal deu a senha deste Carioca: será equilibrado e decidido nos detalhes. Além da sempre bem-vinda lição de humildade aos eternos farofeiros, o triunfo tricolor dá especial importância ao jogo contra o Nova Iguaçu e espero que o brilhante Adilson Batista entenda que é preciso ganhar hoje, a qualquer preço.

A vitória nos colocará na ponta e poderemos administrar melhor o campeonato, além de termos uma dose extra de moral antes do clássico de domingo, quando pegaremos um Flamengo desgastado de uma viagem pela Libertadores e de uma nova derrota, se Deus assim nos conceder mais esta graça. Já pensou pegar um bagaço físico e moral? Oh, meu pai, dê uma ajuda aí contra o time do manto da Pombagira…

O alento é que o Vasco treinou com um misto agradável… Paredón, Diego Renan, Rodrigo, Luan e Henrique; Aranda, Pedro Ken e Danilo (com o Fellipe Bastos, finalmente, “poupado”, o que economiza a paciência do torcedor…); Bernardo e Montoya; e Edmilson. Isso põe Barbio e Thalles no banco para dar mais poder ofensivo e alternativas de jogo. E nos arma num 4-3-2-1 que pode ser utilizado em jogos mais difíceis. Especialmente os da fase mais avançada da Copa do Brasil.

Temos tudo para vencer, e bem, em Volta Redonda. Basta jogar sério e não inventar. Mesmo sem Guiñazu, acho que dá Vasco e com sobras. A liderança está bem encaminhada, mesmo indo de mistão.

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A novidade política do Vasco é uma suposta aliança de Roberto com Eurico. O acordo seria costurado da seguinte forma: Roberto teria suas contas aprovadas e a comissão instaurada para analisar os 1.700 associados do mensalão do Eurico daria ok para a bandalheira. Até flamenguista iria votar em dom Charuto.

Não me surpreende em nada. E conto o porquê.

Em 1986, fui trabalhar na Besouro Locadora, quando ainda era estudante de jornalismo. O diretor de lá era o Eurico. Na sala dele, o destaque era um pôster gigante do Roberto, quando fez os 500 gols…

Roberto e Eurico fizeram chapa em várias eleições que cobri no Rio. Cheguei a estranhar o episódio da expulsão do primeiro das sociais do Vasco, mas conhecendo o Eurico, que era minha fonte na CPI da CBF/Nike na Câmara dos Deputados, até achei possível.

Apoiei a queda do Eurico e a eleição do Roberto, e soube de muitas sacanagens. Uma delas? O sr. Antônio Lopes, técnico do Vasco no Brasileiro de 2008, tinha um contrato sem multa rescisória, que ganhou uma cláusula extra uma semana antes das eleições, o contemplando com um presente de 500 mil reais caso fosse demitido.
Nada disso foi denunciado. E o Lopes fez aquela palhaçada em Joinville… Aliás, precisa que alguém apresente um pedido de expulsão dele dos quadros de sócio do Vasco o quanto antes. Ou será preciso que eu, de Brasília, tenha de fazer isso?

Bom, voltando ao tema, no ano passado, antes do primeiro jogo contra o Flamengo em Brasília, jantei com o Roberto, que se mostrava muito incomodado com o Eurico. Entre taças de vinho, fiz a oferta: me dê tudo o que há contra o Eurico que eu estouro na imprensa, faço um livro e o Vasco se livra dele de vez. “A responsabilidade será minha. Eu seguro o tranco”, garanti. Roberto ficou de pensar. Depois, nos reencontramos antes de Vasco 1 x 1 Corinthians, no Mané Garrincha. Nova oferta. Novo silêncio.

Entendi que não era interesse uma briga de poderes.

Só que, diante deste quadro atual, suspeito que o buraco seja mais embaixo.

O problema é que vão enterrar o Vasco nele. É preciso impedir isso. Um acordo destes destrói o Vasco.